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És a nossa Fé!

O futuro está no passado

Jorge Jesus chegou ao Benfica vindo de Braga, onde deixou o Sporting local a praticar um futebol que não cheirava há imenso tempo. Terá começado aí a ultrapassagem ao vizinho Vitória (de Guimarães) e deixados os alicerces que nem o professor Pardal, perdão, Jesualdo, conseguiu estragar.

Chegou ao Benfica no início da perda do poder hegemónico do FCPorto no futebol português. Lembrar-se-ão da frase "é muito mais importante investir na arbitragem que em reforços para o futebol", proferida por um conhecido gatuno de camiões da nossa praça, que acumula com o cargo de presidente vitalício do sporgeboa. De tal forma esse investimento deu frutos que Jesus começou a ganhar títulos com o Benfica.

Os mais líricos e crentes tenderão em acreditar que os títulos vieram exclusivamente pelo futebol praticado, que chegou a ser bastante agradável, pricipalmente nos dois anos iniciais. Nada mais falso! Aquela aposta na arbitragem, que incluiu o financiamento e apadrinhamento de um curso de árbitros, veio, tem vindo a dar frutos suculentos, talvez porque os rapazes do apito são alimentados com comidinha grátis e à tripa forra.

Mas adiante, embora seja difícil dissociar as coisas, estamos aqui para falar de Jorge Jesus.

Fruto daquilo a que se convencionou chamar colinho, Jesus foi vendo ser resolvidos alguns berbicachos difíceis de solucionar, jogos que estavam complicados com um empurrãozinho dum penálti aqui, um livre à entrada da área acolá, um golo limpo sonegado ao adversário, "acoli". Esta situação, que passou a ser corriqueira no futebol português, deu a um treinador que é conhecido por ter o ego do tamanho do mundo e por se "esticar" quando abre a boca, o à vontade necessário para fazer dentro de campo tudo aquilo que a sua mente inventiva, e nalguns casos delirante, lhe indicava. Por mais erros de casting que fizesse, lá estava sempre um árbitro voucherizado (autorizado a usar um voucher, para os mais distraídos) compreensivo para com a instituição e a coisa resolvia-se sempre a contento. 

Houve no entanto, pelo caminho, alguns dissabores e Jesus provou do veneno que o seu patrão a todo o pé passado utilizava: Perdeu duas finais europeias que claramente mereceu ganhar e em ambas claramente prejudicado. Não chegavam tão longe os tentáculos do polvo (um dia falaremos desse polvo, que ocupa todos os lugares-chave na arbitragem, no CD e CJ e na direcção da FPF). Perdeu também um campeonato no Porto, para o Porto, num jogo que esteve controlado até quase ao final e em que, perdoem-me os seus detractores, não tem culpa absolutamente nenhuma. É ver onde anda Kelvin, o marcador daquele golo que sai uma vez em mil.

Jorge Jesus é talvez o treinador que mais ganhou no Benfica nos últimos 50 anos (não sei, irrita-me ter que procurar "coisas" sobre o Benfica) e tem um enorme defeito, para quem quer ser hegemónico: Tem vontade própria. Jesus sai do Benfica, não pela tão propalada ideia de que o seu tempo terminou, mas porque nunca percebeu que, aliada à sua inegável qualidade como treinador, estava uma máquina bem montada que lhe acudia quando as coisas corriam menos bem, ou até que lhe facilitava as coisas. Sabemos que se começarmos a ganhar um jogo complicado contra um autocarro estacionado em frente à baliza, as coisas correrão muito melhor durante o restante tempo de jogo. E isto ia acontecendo cada vez mais em ordem à inversa situação que se ia verificando com o Porto, que perdeu por completo toda a influência que teve durante trinta anos.

Com a perda total de influência por parte do Porto e o domínio de todos os órgãos que decidem, o Benfica estava em condições de se poder ver livre de um treinador com carisma, que ia retirando junto dos adeptos algum protagonismo ao tipo dos camiões. Atingiu-se a fase do "isto ganha-se com a estrutura" e de contratar um treinador "à imagem do Benfica" (esse é outro assunto, que não diz respeito a este artigo).

Criou-se então condição para a saída de Jesus do Benfica, com o intuito claro de o mandar para bem longe, não fosse o diabo tecê-las e a influência que tanto custou a comprar não ser suficiente.

Aqui residiu o maior erro da carreira de Jesus. O facto de não ter aceitado um clube das arábias, definindo mais uma vez o seu carácter, achando-se (com todo o direito) capaz de liderar um dos grandes da Europa, revela também que não percebeu ao que andou durante seis anos no Benfica. Os grandes (Real Madrid, PSG, MU, etc.) não andam distraídos e nenhum se chegou à frente. Nem Jorge Mendes, com a sua influência e a sua teia de contactos, o conseguiu. 

Com a dura realidade chocou ele quando aceitou o desafio de Bruno de Carvalho para treinar o Sporting. Desde cedo percebeu que a protecção que tinha do outro lado da rua deixou de o acompanhar, tanto a nível pessoal, como à sua equipa. Veja-se as vezes que já foi expulso desde que está no Sporting, por exemplo, ou as vezes em que a sua equipa tem sido claramente prejudicada, ou até os ataques pessoais consubstanciados em processos judiciais.

Jorge Jesus não é o melhor treinador do Mundo, não há um melhor treinador do Mundo, há treinadores que têm grandes jogadores e constroem grandes equipas e esses são bons e há outros que não o conseguem ( o Chelsea actual é disso flagrante exemplo ), não deixando por isso de ser tão bons quanto os outros, há imensos factores que concorrem para um bom desempenho. Jesus não é portanto o melhor, mas chegado ao Sporting, a dinâmica da equipa mudou radicalmente e o futebol praticado subiu substancialmente de nível, ao ponto de o Sporting ter sido a equipa que melhor futebol praticou durante toda a época que passou e em que bateu todos os recordes. Apesar disso não chegou para ser campeão e mais uma vez Jesus percebeu na camisa de onze varas onde se meteu, ao aceitar este grande desafio. Ele já o diz, agora sem pudores, que há um clube a ser claramente beneficiado e outro claramente prejudicado, já percebeu que no Sporting não deve inventar, sob pena de os objectivos a que o Clube se propõe não poderem ser atingidos.

Esta é a fase mais importante da estada de Jesus no Sporting. Ou percebe e admite que o que se passou no Benfica, os títulos que conquistou, têm uma parte substancial de mentira e lhe corresponde apenas uma pequena quota parte do êxito, e parte para uma abordagem aos jogos e ao campeonato como o Jesus do Braga, com as devidas proporções claro está, ou continua iludido e inebriado e sendo o Jesus do Benfica. Como as coisas estão (ontem foram sonegados mais dois penaltis e a basófia em modo substituições disparatadas repetiu-se), estou em crer que a faceta Jesus treinador do Benfica será capaz de não ser a melhor abordagem.

Só no Benfica é que algum treinador, num dérbi, se pode dar ao luxo de tirar o seu "Cardozo" sem que daí advenham problemas, porque haverá sempre alguém a ajudar a resolver. Enquanto não perceber isto e não agir em conformidade, mesmo comprando charters de jogadores, em nenhum dia será campeão pelo Sporting.

Com muita pena minha.

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