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És a nossa Fé!

O futebol é jogo, indústria e negócio

Texto de João Gil

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O dinheiro e a vontade de acumulação de dinheiro determinam a forma como as coisas são feitas e as acções das pessoas e como o edifício se organiza. O Sporting não é uma ilha e tem, como os outros clubes, de saber conviver com esta realidade.

Já não é possível competir ao nível do Sporting ou de qualquer grande clube profissional sem ser dentro das regras e da organização que conhecemos. O que falta é controlo, accountability como dizem os anglo-saxónicos, e escrutínio público apertado sobre a actividade e todas as suas ramificações.

 

Não é por acaso que insistem em chamar ao futebol uma indústria e às escolas de futebol dos clubes “fábricas” de talentos, cujo objectivo não é verdadeiramente alimentar as equipas principais mas exportar jogadores a troco de dinheiro, aplicando ao processo uma lógica remotamente conotada com um processo industrial. Entra “porco”, sai chouriço. Salvo seja, bem entendido. Entra criança ou jovem, sai jogador de bola, vende-se com etiqueta de academia Cristiano Ronaldo, ou Seixal futebol Benfica ou Olival FCP, sei lá. Quanto melhor a etiqueta, mais dinheiro produz.

O artigo também tem de ser razoavelmente bom. Mas não precisa de ser super-bom para dar dinheiro. Os agentes, os Jorge Mendes e demais, são os canais de colocação do “produto” no mercado. Um bom agente coloca um produto assim-assim e fá-lo render muito dinheiro. Pelo caminho enche o bolso. Faz parte. Como em todos os processos industriais, os intermediários ficam com a maior fatia do dinheiro porque de facto são eles que investem no marketing, nas viagens, nos contactos, no apaparicar dos atletas e famílias, portanto são de facto eles que acrescentam valor ao produto que sai da fábrica e lhe dão a roupagem com que o vão “vender” aos interessados, em autênticos roadshow, como se estivessem a angariar fundos para um projecto.

 

Este é o processo, o Jorge Mendes uma inevitabilidade, tal como os advogados, os pais dos Brumas e dos Joelson e dos Rafael Leão, os esquemas que os vários operadores da dita indústria encontram para acumular o seu capital.

O futebol é apenas o jogo que a indústria decidiu meter em cima do negócio, a partir do momento em que se percebeu que o futebol era um verdadeiro negócio da China. Inverteu-se a pirâmide. Antigamente, o futebol e a competição eram o desígnio, agora é o dinheiro o desígnio, é ai que está o poder de manter a paixão acesa.

Menos para nós, comuns adeptos, que gostamos é de ver futebol bem jogado, de glorificar os nossos ídolos, que são os jogadores de futebol. Pelo virtuosismo da sua técnica, pelos seus golos, pelo seu toque de bola, pelas suas defesas impossíveis.

Hoje, limitamo-nos a vê-los por detrás de vidros ultra-fumados de autocarros e dizemos-lhes adeus sem lhes vermos as caras ou sabermos sequer se estão a ligar-nos alguma coisa.

Quando se vão embora, a frase quase universal passou a ser obrigado e desejamos-te os melhores sucessos pessoais e profissionais… como quem diz, “Ciao, venha o próximo”.

Por isso é tão mais importante relativizar vitórias e derrotas, que dependem de muito mais do que do jogador ser bom ou mau a dar chutos na bola ou se o Jorge Mendes manda ou deixa de mandar na maioria dos jogadores do Sporting ou se faz muito ou pouco dinheiro à custa dos jogadores que representa, do Sporting ou de outro clube qualquer.

Portanto, Jorge Mendes? Claro que sim. Tem de ser. Que remédio. Ou então vamos jogar para os amadores.

 

Texto do leitor João Gil, publicado originalmente aqui.

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