O campeão do assobio

Algum "pessimismo" militante - que leva o nosso leitor convidado de hoje, Rui Miguel, a aludir a esquizofrenia, num texto que está em destaque no portal Sapo - ajuda a explicar por que motivo os jogadores da nossa formação, quando ascendem à equipa principal, ouvem assobios ensurdecedores à mínima falha quando jogam no nosso estádio.
Felizmente o Eduardo Quaresma, o Matheus Nunes e o Nuno Mendes ainda não tiveram essa triste experiência. Devido à pandemia em curso.
Os mesmos que aplaudem freneticamente um Shikabala que aterra em Alvalade sabe-se lá como e não joga mais de dez minutos de verde e branco são implacáveis a vaiar os jovens oriundos da Academia leonina.
Esta é uma das mais tristes originalidades do Sporting. Jogadores de inegável craveira oriundos da nossa cantera que viriam a sagrar-se campeões europeus - como o Nani, o Adrien, o William e o Rui Patrício - foram implacavelmente insultados, durante anos, nas bancadas de Alvalade.
Não é com assobios a jogadores que conseguiremos alguma vez voltar a ganhar seja o que for no futebol.
Há muitas formas de assobiar. Não elogiar quem merece, por exemplo, é outra forma de assobiar.
Criticar desde já os jogadores agora lançados no primeiro nível do futebol profissional porque um dia, se tiverem sucesso, irão tratar da vida noutro país - eis outra forma de assobiar. Esquizofrénica, para usar a expressão do leitor.
Nisto, o Sporting é campeão todos os anos. O campeão do assobio.
