Nós, há dez anos
Bernardo Pires de Lima: «Respeito quem o faz, mas eu nunca dei os parabéns a qualquer vencedor do campeonato que não ao Sporting Clube de Portugal, e não vai ser agora que vou abrir uma excepção. Muito menos agora. Não sou hipócrita e não gosto das vitórias dos outros nem cá nem lá fora. Não tenho qualquer tique de desportivismo, abomino o fair play no futebol, mas amo a rivalidade com o clube do outro lado da segunda circular. Jamais contribuirei para que ela desapareça. Como é evidente, não festejo segundos lugares. Até porque fomos gamados na liga, na taça e na taça da liga. O resto é conversa de lampiões.»
José Manuel Barroso: «E entrámos assim no ano novo! O que nos levará à Champions e à assunção explícita de candidatos ao título. Não podia deixar de o ser, num clube como o nosso. Poucos acreditavam que seria tão rápido, mas o certo é que foi - mérito ao novos dirigentes. Na temporada que aí vem, já não iremos olhar para trás e ver um longínquo sétimo lugar e uma ausência de provas europeias - tudo o que fosse melhor, até às competições da UEFA ou ao terceiro lugar, seria mesmo melhor. Agora voltamos ao antigamente. Não ao antigamente da montanha russa das deceções, mas sim ao antigamente da exigência realista ou irrealista de sócios e de adeptos. Agora, que fomos segundos e que participaremos na Champions, o meu contentamento mistura-se com a memória. Aquele receia esta. Vamos passar da exigência do pouco para a exigência do tudo?»
Luciano Amaral: «Sabemos como fomos eliminados das taças (de Portugal e da Liga). Tratam-nos como se fôssemos uma espécie de Arouca. Não percebem que a passagem do horror do ano passado (o culminar de uma longa e triste série) para o comportamento digno deste ano só é possível num clube com uma grande força social. Não vamos ganhar a Champions para o ano e não sei se vamos ganhar alguma coisa, mas voltámos a pôr o pé numa porta que muita gente julgou se tinha fechado de vez para nós. Que muita gente quis fechar, aliás. Foi isso que fizemos este ano. É muito? É pouco? É o princípio de tudo.»
Eu: «O essencial ficou cumprido. O Sporting regressa ao pódio do futebol português, de onde nunca deveria ter saído - sobretudo da forma como saiu, por demérito próprio. O encaixe financeiro que nos é proporcionado pelo acesso directo à Liga dos Campeões será essencial na preparação da próxima época. Agora há que renovar quanto antes com Leonardo Jardim. E fazer tudo para não deixar sair os nossos três baluartes: Rui Patrício, William Carvalho e Adrien Silva. São prioridades imediatas para Bruno de Carvalho.»
