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És a nossa Fé!

Noite tranquila, dominio total, vitória justa

Sporting, 3 - Santa Clara, 0

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Paulinho festeja com Ugarte logo após marcar o golo, aos 14': e vão cinco no campeonato

Foto: Patrícia de Melo Moreira / AFP

 

Casa bem composta em noite de sábado, dia das mentiras. Presença forte de adeptos dos núcleos em Alvalade. Recebíamos o lanterna vermelha do campeonato - a turma açoriana (quase sem açorianos) do Santa Clara, vermelha também no equipamento e no símbolo decalcado da águia benfiquista. Andam há anos para mudar aquilo, mas nunca mais passam das intenções à prática. Não faz sentido algum aquela réplica fajuta do emblema alheio.

Mas vamos ao que importa. Foi uma primeira parte avassaladora do Sporting: encostámos os forasteiros ao meio-campo defensivo. A linha de quatro deles foi incapaz de suster as nossas cinco unidades em ataque permanente - Nuno Santos e Artur muito dinâmicos a imperar nas alas e o trio composto por Edwards, Trincão e Paulinho a carburar (e a marcar, cada um a dar o seu contributo). 

Pedro Gonçalves actuava com frequência como sexto atacante. Apesar de ter começado novamente um pouco mais atrás, compondo o duo do meio-campo com Ugarte, o que permitiu dar algum descanso a Morita, vindo de voos intercontinentais após ter representado a selecção nipónica. 

 

Raras vezes tem acontecido assim nesta temporada.

Ao quarto-de-hora já vencíamos: golo com assinatura de Paulinho, completando da melhor maneira um livre muito bem cobrado por Pedro Gonçalves. Que silenciou de vez as vozes de certos urubus contra a nossa alegada "incapacidade" de transformar lances de bola parada em golos.

Ao dobrar a meia hora, já a vantagem se havia ampliado. Edwards, num dos vários passes de ruptura que protagonizou durante o desafio, isolou Trincão. O minhoto fez levantar os espectadores dos assentos com um remate bem colocado, pondo o guarda-redes forasteiro fora do alcance da bola

Saímos para o intervalo com 2-0. E maior seria a vantagem se Gonçalo Inácio - cabeceando após canto marcado de modo exemplar por Pedro Gonçalves - não tivesse falhado por centímetros aquele lance aos 33' que fez a bola embater na barra. E se Paulinho, aos 41', não tivesse imitado Bryan Ruiz numa clamorosa incapacidade de marcar a 3 metros da baliza toda à sua mercê.

 

Era amena esta noite no nosso estádio, com temperatura agradável e uns borrifos de chuva a tornarem ainda mais escorregadia a relva. Ao intervalo, Rúben Amorim trocou Gonçalo por Sr. Juste: mera precaução, pois o mais jovem dos nossos centrais queixava-se de uma dor no pé. Alinhámos assim com um trio inédito lá atrás: o holandês mais à direita, Matheus Reis ainda à esquerda e a posição habitual do ausente Coates preenchida por Diomande, que se vem revelando um diamante nada bruto.

A partir do minuto 69, já a vencermos por três golos sem resposta, o treinador mandou entrar Luís Neto - a quem os adeptos tributaram a ovação da noite. Adán, num gesto carregado de simbolismo, entregou a braçadeira de capitão ao veterano central poveiro, afastado dos relvados durante 202 dias.

A partir daí, novo trio inédito na linha defensiva: Neto ao meio, St. Juste ainda à direita, Diomande deslocado para a esquerda. Sem nenhum deles tremer.

 

Houve ainda tempo para recuperar Rochinha, que há quase três meses não calçava, e para conceder minutos adicionais a Tanlongo, o mais provável candidato a sucessor de Ugarte no caso (para nós indesejável) de nos vermos privados do excelente médio defensivo uruguaio no final da época em que poderá transitar para a Premier League. 

O mais belo golo foi o terceiro. Autoria de Edwards, o melhor em campo. Recebeu a bola em passe lateral de Paulinho e disparou sem defesa possível com o seu pior pé, o direito. Merecido troféu para o excelente avançado inglês, também já muito cobiçado por equipas do seu país. Os números não enganam: Marcus Edwards segue com 11 golos convertidos e nove assistências consumadas. É um dos maiores talentos actuais de Leão ao peito.

 

Noite tranquila, pois. Com excelente arbitragem de André Narciso, comprovando que nem todos são incompetentes entre os apitadores portugueses. 

A partir da hora de jogo, Amorim mandou relaxar com bola, guardando forças para os embates que vão seguir-se. O primeiro já depois de amanhã, numa visita a Barcelos. Segue-se um confronto ainda mais complicado com o Casa Pia antes da viagem a Turim para o próximo embate na Liga Europa.

Há que poupar forças e não desperdiçar energia inútil. Foi o que se fez, com folha de serviço limpa. Se tivéssemos jogado sempre assim, estava já reservado para nós um lugar de acesso à próxima Liga dos Campeões.

 

Breve análise dos jogadores:

Adán - Pouquíssimo trabalho. Fez a primeira defesa, fácil, só aos 61'. Na única oportunidade de golo do Santa Clara, aos 91', viu a bola embater no poste.

Diomande - Grande recuperação aos 3', belo passe vertical aos 21', cortes oportuníssimos aos 49' e 62'. Começou à direita, transitou para o meio, acabou à esquerda. Sem mácula.

Gonçalo Inácio - Tremeu ocasionalmente, numa perda de bola, mas confirmou como pode ser útil também lá na frente ao cabecear à barra (33') após canto. Substituído ao intervalo.

Matheus Reis - Útil como central à esquerda com ocasionais missões atacantes em complemento perfeito de Nuno Santos. Cortes vistosos aos 25' e 30'. Saiu aos 69'.

Arthur - Surpresa no onze: entrou para ala direito. Cumpriu com nota alta. Cortes impecáveis aos 17' e 50', um centro perfeito aos 75'. Tentou o golo aos 20': saiu por cima.

Ugarte - Combativo, como sempre. Nem a cansativa viagem ao serviço da selecção uruguaia o impediu de actuar. Destacou-se nas recuperações (9' e 27'). Saiu aos 69'.

Pedro Gonçalves - Patrão do meio-campo e protagonista máximo na conversão de livres. Num deu golo (14'), noutro ia dando (33'). Soma já nove assistências. Substituído aos 69'.

Nuno Santos - Dominou a ala esquerda, embora alguns dos melhores centros tenham sido desaproveitados. Em dois deles, Paulinho foi perdulário - primeiro aos 41', depois aos 75'.

Edwards - Impecável. Oferece golo que Paulinho desperdiçou (18'), assiste Trincão no segundo (22'), quase marcou aos 27', marcou mesmo aos 52' - de pé direito. Saiu aos 74'.

Trincão - Anda mais dinâmico e entrosado. Momento alto: o nosso segundo golo (22'). Já tinha sido ele a sacar o livre que gerou o primeiro. Ia bisando de meia-distância (60'). 

Paulinho - Alternou o bom (14', o seu quinto golo na Liga) com o menos bom (golos desperdiçados aos 18', 41', 75'). No terceiro, passou a Edwards - sua terceira assistência.

St. Juste - Fez a segunda parte, como central à direita. Combinando bem com Diomande e Neto, sucessivamente. Boa iniciativa atacante aos 60'. Faz da velocidade um trunfo.

Morita - Substituiu Ugarte aos 69', compondo inédita parceria com Tanlongo. Ainda fatigado da longa viagem intercontinental, não deslumbrou nem comprometeu.

Tanlongo - Entrou aos 69', rendendo Pedro Gonçalves. Vai somando minutos. Para limar arestas (força a mais em certos lances) e aprimorar virtudes (bom no passe).

Neto - Herói da noite, só por regressar 202 dias depois. Com braçadeira de capitão, que Adán lhe entregou. Substituiu Matheus Reis aos 69' e foi ele a liderar a defesa a partir daí.

Rochinha - Último a entrar: aos 74', rendendo Edwards. Quis mostrar serviço, incutindo dinâmica lá na frente. Mas o resultado estava feito, a equipa já só pretendia descomprimir.

{ Blogue fundado em 2012. }

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