No Sporting não há misérias: obrigado Rúben Amorim e hoje há jogo!
Vamos admitir que Ruben Amorim deixa por estes dias de ser treinador principal do Sporting para ir treinar um daqueles clubes que temos no nosso ideário como um dos melhores da Europa. As primeiras palavras que a meu ver podemos ter para o mister é de agradecimento e saudade.
Se é verdade que tinha pouco currículo quando entrou também é verdade que aceitou um desafio que lhe podia ter atrasado a carreira, tudo para testar uma tese maluca em que muito poucos acreditavam. A tese de que era possível um treinador quase sem experiência formal, com fator emocional complicado (lampião) juntar-se a um clube destroçado, teso e habituado a trucidar treinadores para demonstrar que havia um caminho para a glória. E logo para uma glória que se confirmou bem mais do que uma aberração estatística. Foram anos que ninguém nos tira e que têm tudo para nos projetarem no futuro. Assim saibamos reagir a este desafio extra.
Obrigado Mister Ruben Amorim, obrigado por teres sido o protagonista principal de uma aventura de sucesso durante quatro anos e por deixares um plantel com uma qualidade, consistência, eficácia e profundidade como nunca tinha visto no Sporting (pelo menos desde que tenho memória).
Dito isto, vamos lá provar que é possível que o que todos os não sportinguistas querem que aconteça no resto da época não é uma inevitabilidade.
Temos o melhor plantel, lideramos e temos adpetos que até aprenderam a gostar de bom futebol.
Temos uma direção que tem vindo a evoluir, um clube que está robusto e recuperou estatuto e capacidade. Precisamos de um treinador, conscientes de que andamos a reescrever o que isso é na história do futebol. O que não deixa de ser curioso.
Temos garra de leão ou apenas lamúrias e fatalismos de galinha depenada? Vamos fazer de corno porque "saiu a meio da época" ou vamos recordar-nos que foi assim que entrou e que essas também são as regras do jogo e encarar o desafio com a naturalidade possível e foco imediato no procura de um novo caminho de sucesso?
O Sporting teria de ter sempre um dia depois de Ruben Amorim, todos preferiríamos uma transição ordenada, no final de uma época, mas os tempos do futebol não funcionam assim. Nós, com o nosso historial, somos os últimos a poder estar com queixumes sobre isso.
O desafio agora é provar que estamos mesmo diferentes para melhor, que conseguimos aguentar este brutal abanão sem regredirmos para a vidinha que levávamos há quatro anos e demasiados anos antes disso. Isto também se aplica aos adeptos. Nada se consegue com neurose e histeria. A emoção tem de ser condimentada com o tempero certo de serenidade, em especial, nas horas mais desafiantes.
Com soluços ou sem eles, com pontaria à primeira ou à terceira, é fundamental mantermos o foco e irmos à luta desde o primeiro segundo, sem tempos para recriminações, para rasgar de vestes, sem tempo para infantilidades. É possível ser emotivo sem fazer birra. É até possível deixar de fazer birras por completo e mantermo-nos exigentes e empenhados.
É cerrar os dentes, usar a emoção e a dificuldade como motivação extra e tentar superar tudo e todos para também nós sermos ainda maiores. Só assim conseguiremos que, a cada dia, seja cada vez mais difícil vir aqui "roubar" treinadores a meio da época, porque também nós queremos ser como os maiores da Europa.
Jogo a jogo, barreira a barreira. A fórmula secreta já a conhecemos, é sermos fieis a ela: só com esforço, devoção e dedicação se alcança a glória.
Tenhamos cabecinha!
