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És a nossa Fé!

No país das segundas-feiras de manhã

1. Há qualquer coisa de ardilosa no treinador português que normalmente exige o contexto português. Ou seja, os nossos treinadores no futebol português, quando têm bons jogadores, tendem a ser excelentes, porque conhecem bem as regras do jogo e com craques no plantel safam-se smpre. Mas ontem Lage nem precisou de meter o chapéu de “treinador português a treinar em Portugal” tamanha foi a sua superioridade profissional sobre o antagonista.
Fica-se com a ideia que dos treinadores que estão no ativo na primeira Liga, qualquer um teria vencido Keizer ontem. E até podemos incluir alguns dos que foram dispensados nos últimos meses.

  1. Frederico Varandas - que apoiei – cometeu um erro de novato e foi all-in antes do jogo, chegando ao cúmulo de dizer que o seu plantel nem era grande coisa. No poker convém saber que cartas ainda estão na mesa, mas o nosso presidente ignorou que o Benfica teve mais descanso, tem um treinador português a treinar em Portugal que conhece o contexto, e tem excelentes e fortes jogadores (Félix, Rafa, os centrais, Pizzi) que dominam os códigos do futebol português. São rijos, rápidos, intimidam árbitros e adversários, jogam com o público, rebolam no chão para perder tempo, espetam o dedo na cara, etc. Ontem nada disto foi necessário, mas se fosse acreditem que seria só desembainhar o “futebolista português” que habita em cada futebolista português. Não é por acaso que nosso refilão Bruno Fernandes seria dos poucos a poder ter lugar no plantel do Porto e do Benfica.
    A este propósito, veja-se o caso do Porto que joga segundo esta lógica trauliteiro-estratégica e nunca, mas mesmo nunca, se esquece de vazar para a arbitragem parte da responsabilidade pelo mau resultado.

  2. Os únicos tipos que perdem ainda mais vergonhosamente com o Benfica do que nós, também o fazem e ficarão em terceiro lugar muito por causa disso.

    4. Keizer chegou e implantou um sistema otimista e juvenil. Agora parece um homem que teme a sombra. A catadupa de jogos com boas equipas (Guimarães, Belém, Porto, Braga e Benfica) deve ter metido a sua entourage – e a malta que orbita a entourage – à rasquinha e Keizer, que será sempre funcionário leal, deve ter obedecido.

    5. O nosso futebol, como qualquer contexto, tem regras próprias. Numa guerra no Iraque se calhar não é preciso levar esquis, mas convém – por exemplo – ter malta tradutora em que se possa confiar. Contratar esquiadores campeões nas olimpíadas militares e apanhar os primeiros tradutores à mão no aeroporto à chegada, não é boa ideia.

    6. Ora o futebol português dá trabalho. É criativo-caceteiro. Os adversários têm agenda e esforçam-se aqui, mas já abrem as pernas ali. Compensa malhar nos árbitros e compensa malhar agora no VAR. Compensa ter cara de pau nas conferências de imprensa, porque os jornalistas juniores se encolhem e os “escribas” na imprensa da especialidade até gostam que os seus heróis tenham mau perder. Compensa mandar fazer coisas próprias de séries da Netflix, porque Portugal não é propriamente um regime decente de contrapesos e checks and balances, mas sim uma gigantesca e dinâmica bola de conhecimentos, mãos debaixo da mesa, subornozinhos, favores, jogadas, jeitinhos e jeitos que a dita “sociedade civil” até acha graça se for o seu clube a vencer.
     
    7. A probabilidade de Keizer estar por cá no arranque na próxima temporada é, por isto, muito baixa. Para um holandês, um país calvinista onde o “hard work”, o cumprimento de regras e uma noção fortíssima de comunidade onde não há lugar a trapaceiros e cada um tem de vergar a mola, tudo isto é muito latino, muito Narcos, muito livro do Tintin, muito próprio dos sítios onde eles vão de férias.

    8. Claro que a Holanda é um dos países mais ricos e fantásticos da história da humanidade, que até foi capaz de resgatar território ao mar. Mas who cares, quando o que importa é poder chegar segunda de manhã e humilhar o Costa lá do escritório?

  3. p.s. Espero que fique claro que o Benfica ganhou com 101% de mérito, justiça e até deveria ter ganho por mais.

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