Cinco noites consecutivas com o País suspenso: Bruno de Carvalho cuspiu ou não cuspiu? Eis a melhor prova de que não existem verdadeiros problemas neste torrão à beira-mar plantado: no ano em que a douta Academia de Oxford elegeu pós-verdade como palavra do ano, três canais televisivos quiseram transformar o presidente do Sporting em bombo da festa a propósito de um não-facto - numa manobra concertada que teve como maestro o principal impulsionador da campanha de reeleição de Luís Filipe Vieira no SLB.
Um gato mal escondido com um enorme rabo de fora.
Como diria o Sherlock Holmes para o doutor Watson, não há coincidências.
Um desses canais, procurando bater a concorrência, simulou uma "experiência" em estúdio com o Paulo Futre a fumar um cigarro electrónico em imitação de Bruno de Carvalho numa aparente tentativa de demonstrar que da boca do presidente saiu água destilada, propileno glicol e glicerina vegetal - substâncias contidas na fugaz onda de vapor que se forma em vez do presumível fumo.
A experiência, obviamente, foi inconclusiva. Nem poderia ser de outra maneira para manter a panela de pressão bem acesa em lume vivo.
Por mim, acho tudo isto insuficiente. Da próxima vez sugiro ao Futre que escarre na cara de alguém. Em directo, ao vivo e a cores. Pode ser na mimosa face do tal director da campanha de reeleição de Vieira, que costuma ser seu companheiro de painel. Tudo filmado com várias câmaras, de diversos ângulos e repetido as vezes que forem necessárias. Nada melhor do que uma experiência destas para se dissiparem as derradeiras dúvidas.
Se o tipo aguentar estóico, não lhe rachar a cana do nariz à cabeçada nem se queixar do facto em conferência de imprensa versão pós-verdade, fica cabalmente demonstrado que Bruno de Carvalho fez o que não devia se quer continuar saudável: inalou e exalou.
Cuspidela, apenas na imaginação delirante dos peões de brega de Vieira, emprestados à corte de bandarilheiros da famiglia Pinho.
Pensem só qual seria a vossa reacção se alguém vos escarrasse na cara.
A sua companheira se é, como diz, uma senhora que não liga ao futebol e viu as imagens, ( a instâncias suas) obviamente dar-lhe-ia a opinião que o JRamos desejaria ouvir. Se ela não liga ao futebol mas para lhe ser agradável viu as imagens, por que lhe daria uma opinião diferente daquela que o caro queria ouvir? Quanto a mim e respondendo à interrogação do Pedro Correia, a minha reacção ao ser cuspido seria exactamente a mesma se levasse uma baforada de fumo deliberadamente para a cara. Cuspo ou fumo, não distingo a dissociação do insulto.
Caro JRamos, não precisa de ter o testemunho da sua companheira irlandesa. Eu próprio, benfiquista, quando vi as imagens a primeira vez, mesmo já depois de saber que se dizia que havia uma escarradela, fiquei com a ideia de que não teria havido nada. Só mais tarde, após ver com cuidado, várias vezes olhando para diferentes zonas das imagens, me apercebi, por exemplo, que o senhor de Arouca tinha levado a mão à cara após a cena da "vaporização" e comecei a ter outra leitura em relação aos acontecimentos. Não tenho certeza se é só vapor, ou se é alguma coisa viscosa junto com vapor, mas estou muito inclinado para acreditar que haja mais alguma coisa viscosa e creio também que "a coisa" terá sido enviada na direção da boca do senhor (ou do lábio). Mas não se preocupe que isto vai dar em nada ou quase nada.
Sérgio, se alguém lhe mandasse coisas "viscosas" para a cara você limparia com a mão ou com um lenço? E se limpasse com a mão ficaria com aquele bodega lá colada, sem se ver livre dela, com um WC a 4 ou 5 metros? E não esfregaria essa porcaria na cara do sujeito situado à sua frente? Estas perguntas bastam para deitar por terra a sua teoria. "Sejamos sérios", como diz o outro. Que nunca foi sério nem jamais será.
Se eu recebesse na cara uma bosta de um pássaro ou uma escarreta que visse que tinha sido por acidente, eu de facto procurava um lenço, ia ao quarto de banho e a minha preocupação seria tentar limpar a coisa. Agora se recebesse a escarreta de forma provocatória, podia ir com a mão à cara para confirmar, mas desconfio que a minha primeira preocupação não seria limpar a escarreta, mas sim saltar logo para o provocador. Agora a outra questão: "então para onde foi a escarreta?" essa sim é pertinente. Ele vai com a mão à boca, mas depois não volta a tentar limpar. Mesmo depois da cena, não se vêem imagens dele a limpar a dita cuja. E é por isso que eu também não descarto a hipótese de ter sido só fumo, embora esteja convencido de que veio mais qualquer coisa que ele terá limpo com os 2 dedos. Mas faz assim tanta diferença ser só vapor ou ser vapor com mais alguma coisa? E o que disse BdC na conferência de imprensa após a libertação das imagens? Disse que aquele era o estado tranquilo dele, o modo Zen. Que o senhor de Arouca teve sorte em tê-lo apanhado nesse modo Zen, caso contrário a reação dele seria outra. Atenção que estas declarações não foram logo após o jogo, a quente; ele teve muito tempo para pensar na mensagem que queria transmitir e essa mensagem foi, na minha opinião, um completo desastre.