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És a nossa Fé!

Morreu Agosto

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Antes Agosto era o mês de férias popular, nisso aquele que se sorvia devagar, que queríamos estender, prolongar, acariciando dia a dia, como se impedindo o seu escoar, no lazer avesso à angústia, ao "stress" como se diz agora a desadequação. Tudo isso terminou. Pois estamos agora condenados a pedir o rápido fim do mês, o encerramento do maldito "período de defeso", no temor que os clubes "tubarões" - financiados por empórios germinados em ditaduras e no predomínio da economia dita "paralela" - nos venham retirar os melhores jogadores, apoucar a diversão do futebol paixão de nós-povo, assim reduzindo o efeito placebo que ele tem sobre os males próprios e os do mundo.

Mas, e pois não há mal que dure para sempre, até que enfim que morreu Agosto. Regressámos à rotina, sabemos já com o que contaremos, o trabalho diário para os que têm a sorte de o ter, o saldo do cartão de crédito algo exaurido pelos excessos veraneantes, os que ainda os podem. E o plantel intocável até Janeiro, esse outro maldito "defeso" que nos acinzenta a disposição entre Natal e Dia de Reis. E assim, morto Agosto, deixo o meu sentimento sobre o que se passou:

Já por aqui o escrevi em tempos (em registo de desagravo): a qualidade da Academia do Sporting, a sua excelência em formar recursos humanos, mostra-se acima de tudo - e sem desfazer nenhum jogador, Nuno Mendes ou outros - na evolução de Varandas & Viana. Que gigantesca diferença, em termos de "maturidade técnica", "disponibilidade física", "concentração competitiva", "rigor táctico" nesta "época" (defeso) comparativamente ao que aconteceu há dois anos (o seu primeiro defeso a tempo inteiro), algo que vem na senda da excelente "prestação" do último início de época.

Quanto à transferência-espectáculo de Nuno Mendes julgo que a sair algum dos titulares da  equipa campeã - e alguém teria que sair, dados os encargos do clube com as dívidas que se foram acumulando ao longo das décadas - que fosse o nosso lateral-esquerdo, pois existem alternativas e os outros nomes falados do meio-campo seriam de mais difícil substituição. E decerto que alguém vingará, entre Vinagre, um Esgaio adaptado - ainda que um clube de topo não deva ter adaptações deste tipo -, o M. Reis, que não me parece ter a dimensão suficiente mas talvez se jogar regularmente se mostre diferente, o Nuno Santos em alguns jogos talvez, o Feddal. E fala-se num júnior da Academia e num outro miúdo oriundo do Porto, mas isto de crer num "novo Nuno Mendes" costuma correr mal, o excesso de expectativas prejudica sempre quem está a chegar. E é uma notável transferência, chegará aos 50 milhões, se se pensar nos tais 10% de futura transferência e se se perspectivar a usual taxa de empréstimo de um jogador como Saravia. 

Quanto ao resto: o plantel foi mesmo depurado dos que não contavam, não há a lista de "pendurados" que ficou no último ano. Não sei em que condições foram, se ainda se pagam salários, alguns chorudos, mas acredito que em alguns casos isso acontecerá: Camacho, no Belenenses, Ilori, no Boavista, talvez mais alguns dos emprestados a clubes nacionais, mas nesses casos com menores salários. Pena que Joelson e Plata não tenham "pegado de estaca" mas há sempre essa percentagem de "desperdícios", de jovens promessas que não se afirmam. E ficamos todos à espera que o Quaresma faça um bom tirocínio - lamento mas não espero grande coisa dos dois avançados que foram emprestados, Marques e Mendes. Que me lembre dos "excedentários" apenas ficou o Renan - que talvez tenha sido algo injustiçado, cumpriu sempre e perdeu o lugar por lesão. Ou então o seu afastamento radical também se deva a efeitos dessa entidade mágica, o "balneário". Ou seja, um bom saldo de empréstimos e rescisões com jogadores que já não contavam (a rescisão de Matheus Oliveira é uma boa notícia, foi uma contratação absurda - dinheiro deitado fora) e de empréstimos verdadeiramente para rodar (Quaresma, talvez Marques) e para valorizar (Plata, Sporar, mesmo Luiz Phellype - que talvez pudesse ter sido o 3º avançado-centro que tantos queriam -, e até Camacho se arribar). Lamento mas sobre Doumbia, apesar de ir para a suave Bélgica, já não tenho expectativas, tal como não as tenho sobre Eduardo Henrique, jogadores que decerto virão a rescindir em defeso próximo. Temos ainda o berbicacho Bruno Gaspar, outro disparate herdado, que não está resolvido - pura e simplesmente não acredito que haja quem pague milhão que seja para contratar esse lateral-direito.Terá sido bem despachado o Diaby (agradecemos a Keizer), foi bem o Rosier, Misic já era sabido.

Enfim, foi um belo defeso. E continuo na minha crença - o Virgínia terá sido uma aposta séria, ainda nos surpreenderá. É um palpite, pois nunca o vi jogar, mas a operação Max/Virgínia parece-me ser isso, a aposta numa "next big thing". No último dia li que houve troca de jogadores com o Porto - não sei se acordada, o que seria surpreendente. Positivamente surpreendente. Sobre os outros reforços pouco terei a dizer, os dois jovens do Porto, os jovens que vêm de Espanha e Itália, o jovem Ugarte? Decerto que entre eles alguém assomará na equipa, ainda para mais tendo um treinador com o perfil de Amorim. Retiro, acima de tudo, que muito terá sido reduzido o caderno de encargos, inflaccionado por décadas de contratações algo descuidadas e algumas outras pertinentes mas cujo momento actual tornam apenas onerosas (Battaglia é um caso típico disso).

Quanto ao que falta, os défices de plantel - principalmente em termos quantitativos - a que muitos aludem. Julgo que é necessária uma contratação - possível de ser feita em Setembro, dado que se trata de um "agente livre", jogador sem contrato actual. Trata-se do play-maker Calma Adepta. Pois as expectativas estão demasiado altas - e a resmunguice da massa campeã com o Paulinho já mostra isso. É normal que haja mais exigência este ano do que no anterior. Mas não é "natural" (não advém nem da genética, nem do meio ambiente nem da alimentação). Ou seja, a gente podia-se acalmar um bocadinho. E deixar correr, nisso apoiando conseguimentos e ocasionais falhanços. Este caminho, poupado, de promoção de jogadores da academia e de integração de um ou outro português ou experimentado na nossa Liga, jogo a jogo, ano a ano, é o melhor, e tanto foi desejado. E a vertigem crítica, opinativa, vai ser o principal antijogo, o penalti inexistente, o pior dos Luíses Godinhos.

O Sporting não era campeão há 20 anos. E foi. E não é bicampeão há 70. Tende calma. Ou, falando de outra forma, atinai.

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