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És a nossa Fé!

Memórias de Peyroteo (7)

(cont.)

 

Em 4 de Julho de 1937, o Sporting e o Futebol Clube do Porto disputariam, no velho campo do Arnado, em Coimbra, o jogo-final do campeonato dessa época.

A Direcção do Sporting convidou-me para assistir ao último acto da grnade prova mas, ao contrário do que esperava, não fiz a viagem na companhia dos jogadores do clube. Deram-me um bilhete de segunda classe, por casualidade na mesma carruagem em que seguia, com sua família, um grande sportinguista: Basílio de Oliveira.

A equipa dos “leões” era constituída por Azevedo, Jurado, Galvão, Rui Araújo, Paciência, Manuel Marques, Mourão, Pireza, Soeiro, Heitor e João Cruz.

Pelo Porto alinharam Soares do Reis, Ernesto, Vianinha, Pinga, Carlos Pereira, Anjos, Francisco Ferreira, Lopes Carneiro, Reboredo, António Santos e Carlos Nunes.

O jogo foi deveras emotivo, resultando uma bela jornada desportiva. Um espectáculo de arrasar os nervos aos jogadores e a mim que assistia, pela segunda vez, a jogos do campeonato metropolitano, com a preocupação de ir pensando no me esperava em futuro próximo…

O Porto conseguira um golo nos primeiros minutos mas, antes do intervalo, Heitor Pereira estabeleceu a igualdade.

Na segunda parte os nortenhos colocaram-se em vencedores com um golo obtido por Vianinha, na marcação de uma “grande penalidade”.

Tão impressionado fiquei que ainda hoje me lembro da infracção que motivou o castigo máximo.

Dentro da “grande área” do Sporting, um avançado do Porto meteu mão à bola, intencionalmente. No mesmo instante ouviu-se uma “apitadela” e Jurado agarrou a bola com ambas as mãos para a colocar no sítio onde a falta fora cometida. Nisto, ouviu-se o apito do árbitro – santos Palma – ordenando a marcação de um “penalty”!

Dera-se o caso do árbitro só ter visto a falta cometida pelo Jurado e só por ela interrompera o jogo!

Julgo que alguém, fora do rectângulo, utilizara um apito idêntico ao do Juiz da partida e dessa brincadeira resultou ao Sporting Clube de Portugal!…

E assim terminou a época de 1936/37.

Na gíria do futebol diz-se que os “jogadores arrumaram as botas”. Debandaram, cada um para seu lado em busca de sol, nas praias, ou de ar puro nos campos.

Foi na grandiosa e aprazível Vila de Sintra onde recebi o bilhete postal convocatório para o primeiro treino formal em conjunto com os excelentes futebolistas do Sporting, entre os quais figuravam alguns elementos da Selecção Nacional.

É compreensível o nervosismo que de mim se apoderou ao receber a convocação. Embora fosse notícia prometida e ansiosamente esperada e apesar da favorável opinião do treinador, subsistia meu espírito a dúvida se, na verdade, a convocação apareceria.

É que, às vezes, pessoalmente, diz-se que sim mas num bilhete postal alegam-se razões, forjam-se desculpas e diz-se “não” com toda a facilidade.

Já no caminho da realidade, numa manhã de Agosto de 1937, o treinador do Sporting, José Sezabo, apresentou-me, “oficialmente”, àqueles que viriam a ser, durante alguns anos, meus companheiros de equipa. Ali estavam Soeiro, Pireza, Azevedo, Mourão, João Cruz, Vasco Nunes, Jurado, Rui Araújo, Heitor Pereira, Paciência, Abelhinha… e quantas mais “estrelas de primeira grandeza” no “firmamento” do futebol português.

Todos sabiam já da minha chegada a Lisboa, do meu treino de experiência, da visita a Coimbra a convite da Direcção do Clube e não ignoravam a opinião formulada, a meu respeito, pelo treinador.

“Mister” Sezabo disse textualmente no seu português arrevezado:

- “Sinhores: rapaz dê África, sinhor Férnando Peyroteo, vir para Sporting, fazer hoje “treining” ofêcial. Bom rapaz, ir ver sinhores…”

- “Qui está, está; qui non está non está! Dar-se dez-per-cente para ele. Vamos ao trabaio, sinhores” (Note-se que a frase “dar-se dez-per-cente para ele” equivalia a dizer: castiga-se com dez por cento sobre o ordenado, o jogador que não estiver presente).

À saída da cabine ouvi algumas piadinhas brejeiras como esta:

“É pá! Já cá tínhamos um preto, agora vem outro um pouco mais claro!…Qualquer dia a equipa fica tão escura que só com um lampião a encontramos!”

A referência ao preto era dirigida ao Paciência: que, aliás, não é preto, mas não gostei da graça e pouco faltou para se registar uma cena desagradável. Valeu-me a. lembrança da recomendação de “Mister” Sezabo:

- Rapazes brincar muito com novos. Não ligar, Férnando. Se sinhor engolir a isca ser pior…

Não entrando no rectângulo do jogo, seguimos a caminho do Jardim do Campo Grande o que constituiu, para mim, uma surpresa! Supunha que iria praticar futebol mas enganei-me redondamente.

Em Luanda os treinos limitavam-se a uma ou duas voltas ao campo, para aquecer os músculos, e depois um treino de futebol com onze homens de cada lado.

Sob as ordens de “Mister” Sezabo, a preparação dos futebolistas é muito diferente.

Para começar, todos demos, em marcha forçada, três voltas ao Jardim do Campo Grande e na ponta final desde o lago até à cabine, o trajecto foi feito em corrida lenta.

Os meus camaradas suportaram o treino com a maior das naturalidade porque já estavam habituados. Quanto a mim, só posso dizer que ao sentir no corpo as primeiras gotas de água do chuveiro, tive a sensação de ser agredido à pedrada. Se não fosse a vergonha e ensejo que daria para gargalhadas e gracinhas, tinha-me sentado no chão e deixado correr a água do duche até morrer afogado. Com os meus 19 anos, cheio de orgulho e vaidade, não gostava de servir de bobo; reagi e deixei perceber que estava pronto para fazer outro “passeio” igual, mas, na realidade, preferia atirar-me para o chão e ficar ali algumas horas a descansar. Sentia tantas dores nos músculos das pernas que mal podia com o peso dos pés e estes, por sua vez, causavam um mal estar insuportável.

“Mister” Sezabo, profundo conhecedor e sempre atento a estes pormenores, viu que o seu novo pupilo se encontrava em dificuldade. Discretamente, para evitar o gáudio da rapaziada, disse-me:

- “Depois dê banho sinhor Fernando esperar por mim; não vestir-se, por favor…”

Frescos, alegres e folgazões, os meus companheiros de equipa saíram a caminho dos seus afazeres. Eu deixei-me ficar sentado num banco chegando a pensar que não teria forças para dali sair.

Quando estava só, na cabine, entrou “Mister” Sezabo:

- “Estar cansado, Férnando? Natural, primeiro “treining”. Esfregar pernas com álcool e ficar bom. Insistir, Férnando, insistir!…”

Na verdade, após a massagem aplicada pelo treinador, fiquei um tanto melhor mas ainda tinha alguma dificuldade em andar.

Fui para Sintra, almocei pouco e logo a seguir fui para a cama só dela saindo no outro dia às 10 da manhã, contra o meu velho hábito de levantar cedo.

Mesmo assim, antes do almoço, dei o costumado passeio no jardim do “Chalé do Parque” onde residia meu primo, Guilherme de Vasconcelos Corrêa e família.

Quem me visse a passear, naquele dia, chamava-me com certeza pisa-flores.

O pior de tudo é que no dia seguinte teria outra estafa de nove quilómetros em marcha forçada. Só a ideia me apavorava e pensava já na linda figura que ia fazer se tivesse de desistir a meio do percurso. Lembrava-me da frase de “Mister” Sezabo: - “Insistir, Férnando, insistir…”

Que remédio tinha eu se não insistir!…

No primeiro treino, a que me estou referindo, nada sucedeu de especial, à parte umas tantas piadas no género das que já contei. Na cabine reparei que alguns camaradas procuravam adivinhar, olhando-me de soslaio, qual o efeito da estupada. Creio, no entanto, que nenhum deles chegou a fazer uma ideia exacta do meu sofrimento.

Fiz das fraquezas forças e parece que disfarcei bem…

Decorreu assim o meu primeiro treino oficial em grupo com grandes “ases” do futebol nacional.

Outros treinos se seguiram no mesmo jeito durante duas semanas. Ora, se cada volta ao jardim do Campo Grande representa três quilómetros mais ou menos e fizemos três treinos iguais por semana, o meu “conta-quilómetros” acusou, ao fim de duas semanas, 54 quilómetros andados… Para começar não foi nada mau!…

No fim das semanas todos íamos tomar um riquíssimo banho de imersão, nos balneários do Poço do Borratém ; água a 30 graus, e, depois, com uma massagem aplicada pelo treinador, os músculos recompunham-se.

Ora, se nos dois primeiros treinos nada houve de extraordinário, já o mesmo se não pode dizer nos restantes.

Ao contrário do que poderia supor-se, o Pedro Pireza era um dos jogadores que marchava mais depressa. Posso mesmo dizer que nenhum de nós o acompanhava sem fazer sacrifício.

A jogar futebol era lento mas a marchar era tão veloz que afligia. Tirava disso a vantagem que lhe permitia fazer a batota que mais tarde vim a descobrir.

Iniciada a marcha, o camarada Pireza, com mais dois outros companheiros, logo se adiantavam. Na primeira volta tudo ia mais ou menos bem mas, daí para a frente, o Pedro mais se distanciava do resto do pelotão, conseguindo mais de meia volta de adiantamento - o suficiente para o perdermos de vista.

Então, o espertalhão, encurtava o caminho pois quando chegava a meio do jardim metia-se por entre as árvores e canteiros, indo sair ao outro lado… Assim não só reduzia o percurso como ganhava tempo para, com todo o ripanço, fumar o seu cigarrinho!

De início duas coisas me faziam certa confusão.

Primeira: notava que, na cabine, ao equipar-se, o Pireza metia na algibeira do fato de treino, um cigarro, dois fósforos e um pedaço de lixa que arrancava da caixa. Para que serviria aquilo? Não admitia a hipótese de ele fumar durante a marcha, tanto mais que o treinador nos acompanhava;

Segunda: Porque razão o Pedro tinha tanta pressa em se afastar de nós, logo na primeira volta que “Mister” Sezabo dizia ter de se fazer em marcha lenta, para aquecer os músculos; as restantes voltas, sim, eram feitas a puxar, como se costuma dizer.

Compreendi a marosca no dia em que vi o amigo Pedro aproveitar a distância que nos separava para atalhar caminho e, regaladamente, fumar um cigarro!

O engraçado é que “Mister” Sezabo acompanhava a rapaziada mas ia sempre ao lado dos que faziam parte do pelotão mais atrasado.

Dizia ele que nós, os atrasados, éramos os que melhor podíamos fazer “malandragem”.

Afinal, lá à frente é que estava o gato e dos bons!…

Contarei ainda outra peripécia ocorrida, salvo erro, no último treino de marcha em volta do jardim do Campo Grande.

Nessa manhã, “Mister” Sezabo resolveu ficar num dos topos do jardim, com o relógio na mão, a fim de controlar o tempo que levaríamos a dar as três voltas. Pretendia ele que fizéssemos a última em menos cinco minutos do que a primeira.

Os veteranos concordaram achando excelente a ideia do treinador, mas eu notei, entre eles, trocas de olhar muito significativas; logo desconfiei que haveria tramóia e não me enganei.

Começou a marcha e, contrariamente ao que era habitual, um grande grupo encostou-se, o mais possível, aos canteiros. Até à terça parte do trajecto, nada se passou de extraordinário mas, a certa altura, meia dúzia de “veteranos” invadiu os canteiros e atravessou para o outro lado do jardim. Depois, sentaram-se - uns nos bancos, outros sobre os próprios canteiros - e esperaram que o grosso da coluna, que marchava a bom marchar,- desse a volta completa e chegasse junto deles. Quando estávamos próximo, os camaradas levantaram-se tomando a dianteira e cortaram a meta muito antes de nós…

“Mister” Sezabo disse-lhes: - “Muito bem sinhores; assim a mesma (entenda-se “é assim mesmo”). Bêstial, rapazes! Bom tempo, O. K.”

Depois, logo a seguir, para nós, os atrasados:

- “Cárágo, sinhores. Véliotes bestiais e sinhores o que são? Pilecas? Puxar-se rapaziada. Não deixar-se outros fugir-se..

Pois, pois, disse eu para mim. Mal sabes que estás a ser levado.

Na segunda volta, o grupo da vanguarda aumentou com a incorporação de alguns “veliotes” do pelotão atrasado e, chegados ao local propício, repetiram a façanha.

O Pireza apagou o cigarro, guardou a “beata”, tomou o comando das operações e ao passarem junto do treinador, ouviram mais felicitações, em especial os novos componentes do grupo. Nós continuávamos a ser os “pilecas”.

Pensei: ah! ele é isso? Então também eu vou fazer “malandragem”. Estuguei o passo, apanhei os marotos e, um pouco antes do sítio da fuga, avisei os veteranos de que iria com eles.

- “Não vai nada! O menino é ainda muito novo para se meter nestas coisas. Vá; toca a marchar, que bem precisa de arranjar canetas. E caluda, ouviu? Se “miar” leva um “chuto” no sítio onde se tiram as radiografias. Se não sabe onde é, espere que o tempo o ensinará!…”

Nada havia a fazer; eu era menino e eles… ratas sábias!

E foi assim o meu último treino de marcha no início da época futebolística de 1937-38.

Estou crente que “Mister” Sezabo vai ter pena de só agora saber disto. Se naquela altura o soubesse, ninguém os livrava…”dar-se cinquenta-per-cente para eles…”

No entanto, mesmo agora - decorridos quase 19 anos - quando o meu querido amigo José Sezabo souber da “malandragem” de que foi vítima, não deixará de me castigar, condenando-me, talvez, ao pagamento de um charuto de 17$50, castigo que aceitarei com o maior prazer porque, assim, terei ocasião de o abraçar.

 

Na maioria dos casos, quem assiste aos desafios de futebol não faz a mínima ideia do trabalho e do esforço dispendidos durante a semana por aqueles 22 rapazes.

No meu tempo, o programa dos treinos era, mais ou menos, o seguinte:

Antes de começar a época, 1.a e 2s.a semanas - Marchas 3 vezes por semana;

3.ª semana - à terça-feira - No campo de futebol, uma volta a passo e outra a correr, alternando sempre até completar 8 voltas ao rectângulo. Depois, 45 minutos de ginástica adequada, seguindo-se uns 10 minutos de brincadeira com a bola e, por fim, uns 200 saltos à corda. Por último, o duche.

“Mister” Sezabo recomendava sempre:

- “Não chutar com força, sinhores; não arranjar distensão”;

Quinta-feira - As mesmas voltas ao rectângulo seguidas de meia hora de ginástica, uns “sprints”, paragens e viragens rápidas e saltos de barreiras. Uns ligeiros toques na bola, ora com os pés, ora com a cabeça, jogando-a de uns para os outros, formando pares, mas. sempre de modo a dominar a bola, sem a deixar fugir, tudo feito suavemente, muito jeito e pouca força.

Para terminar a sessão, 150 a 200 saltos à corda e o indispensável duche.

Domingo - Oito voltas ao campo, ginástica, “sprints”, enfim, o necessário para obtermos agilidade, rapidez, destreza. A seguir, seis a oito paus espetados verticalmente no terreno, a um metro de distância entre si. Com a bola, procurávamos passar entre os paus, rapidamente, sem a deixar fugir. O exercício era repetido cinco ou seis vezes. Após estas voltinhas, aliás muito difíceis quando bem executadas, brincávamos com o esférico, tentando bater-lhe e dominá-lo de todas as maneiras.

Mais uma centena de saltos à corda e, pronto, estava acabada a sessão.

Era caso para dizermos: “Cárágo “Mister”! Sinhor matar-se a rapaziada!?…”

Seria enfadonho descrever em pormenor tudo quanto éramos obrigados a fazer. O que disse é um paninho de amostra, mas chega para se avaliar das obrigações impostas, ainda antes da abertura da época.

Durante os campeonatos, treinávamos às terças e quintas-feiras. Cuidava-se da preparação física e técnica de futebol, variando os exercícios conforme as necessidades de cada um e os lugares que ocupávamos na equipa.

Os avançados, depois da preparação atlética, dos pormenores de técnica de futebol e correcção de erros e dificuldades de execução verificados no jogo do domingo anterior, iam “atirar ao golo”; avançado-centro e interiores recebendo a bola vinda dos extremos e médios de ataque.

Depois, os interiores passavam a bola aos extremos para estes também se habituarem a fazer golos …

Não poucas vezes, porém, o próprio “Mister” Sezabo atirava a bola pelo ar em direcção ao avançado-centro para que este de cabeça, a colocasse ao alcance ora de um, ora de outro dos interiores.

Em resumo: colaborávamos uns com os outros, nos treinos e… nos jogos. Esta é a verdade incontestável!

Receio que “Mister” Sezabo venha a exigir “direitos de autor”, se continuar a descrever tudo quanto ele nos ensinou - e que constituiria um completo tratado de futebol.

A terminar, direi que era assim que se treinava quando ele orientava e dirigia o futebol no Sporting Clube de Portugal.

Não se poderá afirmar que os jogadores do Sporting não tinham fôlego para aguentar os noventa minutos de cada desafio. Os imponderáveis do jogo poderiam levar a equipa à derrota, mas nunca a falta de preparação física. Havia fôlego para dar e vender mas, para isso, muito se trabalhava e com vontade.

O leitor faz já uma ideia de como se preparavam os futebolistas naquele tempo e lembra-se, decerto, que se chegou a dizer que os jogadores procuravam “queimar” o novo elemento do Sporting.

Eu conto:

Referi já que nos treinos de pormenores de técnica de futebol, se formavam grupos de dois jogadores. Pois bem; a minha preocupação era, evidentemente, atirar a bola sempre na direcção do companheiro que estava à minha frente, não falhando o passe, o que nem sempre acontecia.

Na minha vida de futebolista nunca treinara e o que fizera de nada me servia agora. Daí as dificuldades.

A verdade é que eu tinha a preocupação de atirar a bola para o meu parceiro mas ele, em geral, de cada quatro vezes que o fazia, três passava com muita força e distante de mim. Isto era simples brincadeira. Ele queria obrigar-me a correr, indo buscar a bola a seis ou sete metros de distância, enquanto a “malta” ria e troçava do menino…

De princípio admitia o erro de pontaria mas, pelo tempo adiante, comecei a perceber que o “falhanço” era propositado!

Ora se o meu companheiro, mais habituado, falhava duas em cada quatro vezes, com maior razão eu devia fazer pior. Passei a errar três em cada quatro toques de bola e logo o camarada refilava… Entraram a compreender que o novato era espertinho e a coisa melhorou.

Além destas tropelias a que o nosso treinador, sempre atento, chamava “fazer malandragem”, outras semelhantes me tocaram pela porta. No entanto, entre mim e qualquer companheiro de equipa, nunca houve, felizmente, o mais pequeno incidente desagradável. Às vezes, como não pedia deixar de ser, refilava, dizia coisas, mas cedo compreendi que seria preferível não reagir e utilizar, na defesa, as mesmas armas com que era atacado. E foi o melhor que fiz…

Estão por terra os boatos!…»

 

In: Peyroteo, Fernando - Memórias de Peyroteo. 5ª ed. Lisboa : [s.n.], 1957 ( Lisboa : - Tip. Freitas Brito). pp. 70 - 77

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