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És a nossa Fé!

Memórias de Peyroteo (6)

(cont.)

 

« LISBOA À VISTA

26 de Junho de 1937

 

No alvorecer de dia 26 de Junho de 1937, o paquete “Niassa” entrava na barra de Lisboa.

Beijando, suavemente, as águas do Tejo, os pulmões de aço da nossa casa flutuante resfolegavam, agora, compassadamente.

Em roda viva, os passageiros corriam de um lado para o outro, procurando o melhor local para assestarem os binóculos. Trocavam-se abraços; havia lágrimas de contentamento, enfim, reinava a confusão.

Todos procuravam descobrir, no cais, seus parentes e amigos…

A um canto do convés, não sabendo se com vontade de rir ou de chorar, uma “criança grande” admirava, em silêncio, a majestade e imponência de Lisboa, ainda adormecida.

Passaram os minutos. O navio atracou e, dessa hora em diante, a criança grande que eu era - com 19 anos - começou a viver a vida que o leitor conhecerá, se não lhe faltar a paciência para ler, até ao fim, as páginas do meu livro, ou melhor, a história da vida daquele que foi, durante uma dúzia de anos, o avançado-centro da primeira equipa de futebol do Sporting Clube de Portugal e, também, da Selecção Nacional Portuguesa (1937-1949).

 

CHEGUEI, VI E…

Cumpridas as formalidades legais, autorizada a saída dos passageiros do “Niassa” e visitas a bordo, logo fui abraçado por meus irmãos, parentes e amigos.

Nesse momento não foi difícil descobrir, entre a multidão - pelo arcaboiço e pela cor - um grande amigo e, por vezes temível adversário (ténis de mesa): o Aníbal Paciência. Fazia-se acompanhar pelos senhores Francisco Franco e Filipe Conrado, ambos da Direcção do Sporting, aos quais, desde logo, o Aníbal me apresentou.

Após uma breve troca de palavras, fui convidado a visitar a Sede do Clube, na Praça dos Restauradores, o que aceitei, verdadeiramente emocionado. Cumprindo a promessa feita aos dirigentes do Sporting de Luanda dava, agora, os primeiros passos numa vida que nem sempre foi um mar de rosas, acredite-se!

Às 10 horas da manhã, desembarcávamos. Meus irmãos tinham os seus afazeres e. por isso, seguiram a sua vida. O Ricardo, funcionário do Banco Nacional Ultramarino, levou-me até à Rua Augusta e mandou que o esperasse à saída, ao meio dia. Para ali fiquei a ver o movimento e, como não podia deixar de ser, estando tão perto, fui ver… o cavalo de D. José!

Para quem, como eu, não estava habituado à vida da Capital, duas horas a passear na Rua Augusta e na Praça do Comércio, passam rapidamente.

Assim foi: soou o meio dia no velho relógio da Rua Augusta e meu irmão apareceu. Depois, veio o Américo, acompanhado do nosso bom amigo Dr. Carlos Viegas, ao tempo professor de matemática no Liceu de Passos Manuel - se não estou em erro.

O Dr. Viegas ofereceu-me um opíparo almoço no Negresco e, ao fim da tarde, embarcámos no comboio para Sintra, onde íamos residir temporariamente.

Não me lembro do dia exacto em que entrei, pela primeira vez, na Sede do Sporting. Recordo-me, porém, que se festejavam os Santos Populares e havia baile.

Fui recebido por alguns directores, entre os quais os senhores Dr. Oliveira Duarte - ao tempo Presidente da Direcção - Filipe Conrado, Francisco Franco e Queiroga Tavares.

Feitas as apresentações e trocados cumprimentos, conversámos alguns minutos acerca do desporto angolano e, por fim, combinou-se que em dia próximo iria ao parque de jogos, no Campo Grande, fazer uma ligeira sessão de treino, após o que se trataria da assinatura da ficha, inspecção médica e, naturalmente, do contrato.

Compreendi, desde logo, que três poderosos factores concorriam para se não dar ao “meu caso” um carácter de urgência:

1.° - Porque o Sporting só necessitava do meu provável concurso na época próxima;

2.°- Porque de Luanda não viera, ainda, documento desobrigando-me dos compromissos desportivos ali assumidos;

3.° - Porque seria imprudente fixar condições, verbas e prazos num contrato, sem saberem, previamente, se o novo pseudo-jogador de futebol possuía as qualidades enaltecidas e apregoados em telegrama de Luanda.

Aceito por bem que à Direcção do Sporting assistia o direito de cautela e reserva. Mas não compreendia que espécie de documento era indispensável vir de Luanda, uma vez que ali envergara a camisola do Sporting e me propunha fazer o mesmo em Lisboa: Não era o Sporting Clube de Luanda filial do Sporting Clube de Portugal?

Delicadamente, não fiz qualquer alusão ao facto.

Despedimo-nos e Queiroga Tavares - bom amigo e a quem devo muitas finezas - quis ter a gentileza de servir de cicerone na minha primeira visita ao “Solar dos Leões”, na Praça dos Restauradores.

Muita luz, muita alegria e muita música. Ressoavam gargalhadas femininas. Respirava-se uma atmosfera pesada, que me impressionou desagradavelmente.

Queiroga Tavares, sempre amável, procurou lançar-me no meio das “feras” mas não pensou, decerto, que se os africanos não temem, na selva, as leoas, muito menos se atrapalham vendo-as rodopiar ao som de valsas de Strauss e tangos de Canaro, nos salões do Palácio Foz!…

Como bom desportista, sempre evitei permanecer em salões onde há perfumes ricos, raparigas interessantes, fumo de tabaco e sons!… Não querendo, também, abusar da amabilidade e paciência de Queiroga Tavares, saí e fiquei aguardando a convocação para o treino aprazado.

Entretanto, ia disputar-se mais um sensacional Sporting-Benfíca, no Campo Grande, e a direcção ofereceu-me um lugar no seu camarote.

Acredite-se que senti calafrios ao ver entrar em campo os jogadores. Do lado do Sporting vinham Azevedo, Mourão, João Cruz, Soeiro, Pireza, o saudoso Heitor Pereira, Rui Araújo… e pelo Benfica alinhavam Espírito Santo, Albino, Vaiadas, Xavier… etc.

Enquanto assistia ao prélio, a consciência dizia-me:

- “Vê bem o jogo e os jogadores. Repara no que eles fazem e avalia se os podes igualar. Se não tens confiança em ti próprio, se não acreditas nas tuas possibilidades ou, se te falta a coragem para lutar, então desiste agora, antes de fazeres figuras tristes…”

Este exame de consciência era interrompido, de quando em vez, pelos directores do Sporting, interrogando:

- “Então que tal acha os rapazes? Pensa que…

- “Talvez; não sei ainda… Já vê: eles estão habituados…

- “Que me diz do Soeiro?…

- “Sem dúvida, um bom jogador, mas o Pireza é extraordinário!…

- “Mas não é a avançado-centro que você quer jogar?…

Percebi que se procurava conhecer a minha opinião acerca do Soeiro, uma vez que até os directores do Sporting estavam convencidos que pretendia “tomar” o eixo do ataque na equipa dos “leões”.

Desconheciam, totalmente, quais eram as minhas intenções e pensamentos naquela altura e, muito menos, qual o lugar que, na verdade, desejava ocupar.

O intervalo foi aproveitado para continuarem o interrogatório, procurando adivinhar, pelas respostas, se me sentia capaz de fazer parte da equipa.

Às perguntas respondi invariavelmente:

- “Não sei, amigos; nada posso dizer. Agora todos são melhores do que eu. Depois se verá…

O Sporting acabou em vencedor e, à saída, os poucos adeptos que me conheciam, quiseram, também, ouvir-me, mas nada adiantei.

Limitei-me a dizer:

- “Todos quantos vi jogar, sabem muito mais de futebol do que eu. Mas como todos somos feitos de carne e osso, espero conseguir fazer alguma coisa parecida com o que vi..

Horas depois, longe da multidão que tanto me impressionou, já calmo, analisando pormenores do desafio e avaliando a incontestável categoria dos “leões” e “águias” que durante 90 minutos haviam procurado, com denodo, conseguir mais um triunfo para o seu clube, senti-me deveras impressionado.

Contar apenas com a robustez física e desejo de acertar, não chega para ser bom jogador de futebol. E indispensável ter intuição, possuir tendência especial, numa palavra, é preciso ter nascido para o futebol. Vontade sem jeito, nada feito!

O Pedro Pireza afirmava:

- “… o futebol não se aprende; nasce com as pessoas”.

Dou-lhe razão e vejamos porquê.

Tal como um gato brinca com um novelo de lã, o Pireza parecia ter o condão de atrair a bola de futebol; tanto a afastava de si, como a “chamava”, fazendo-a “morrer” a seus pés. Mas, decerto, nunca atingiria a craveira de Benjamino Gigli, por muito boa vontade que tivesse em ser cantor.

Outro exemplo:

Tenho uma guitarra, uma viola e um bandolim. Agora já não tanto mas em tempos, logo que chegava a casa, pegava num dos instrumentos e… fazia barulho, horas seguidas. Tinha a mania de vir a ser um “ás” a tocar instrumentos de corda. Um tango, dedilhado por mim na guitarra ou na viola, mais parecia uma marcha fúnebre do que música para dançar. No bandolim “arranhava” melhor mas nunca toquei mais do que a “Maria Cachucha” e “ó Rosa, arredonda a saía”!

Tem razão o Pireza; não nasci para ofuscar “Armandinho”, Martinho da Assunção, e outros grandes violistas e guitarristas que me delicio a ouvir sempre que posso. De resto, também eles não foram “talhados” para jogar como um Pireza, um Mourão ou um Espírito Santo.

Nas cabines dos campos de futebol muitas vezes ouvia dizer:

- “Cada um é para o que nasce, e o resto… é paisagem…”

 

A PONTA DO VÉU…

O tempo passava sem que fosse marcado o dia do primeiro treino.

Entretanto, meu irmão Ricardo, pediu-me para atender um cavalheiro que viera do Norte e desejava falar-me acerca de futebol.

Supondo tratar-se de um jornalista procurei esquivar-me à entrevista mas, sem saber como, o cavalheiro - aliás muito amável e correcto - encontrou-me na Estação do Rossio, quando esperava a saída do comboio para Sintra.

Sem rodeios, com a característica sinceridade e franqueza dos portuenses, ofereceu-me um emprego no Porto, ordenado por jogar no Futebol Clube do Porto e um prémio de alguns milhares de escudos pela assinatura do contrato.

Não fixei o nome deste senhor, nem sei se agia com autorização do clube para onde queria levar-me, mas o certo é que ainda hoje acredito na boa intenção e honestidade da sua proposta.

Respondi-lhe, lealmente, que não podia aceitar o convite porque já me obrigara a jogar pelo Sporting, estando tudo definitivamente combinado. Isto não correspondia à realidade da situação, mas julguei preferível não alimentar esperanças ao amável nortenho, embora soubesse que perdia uma óptima ocasião para me fazer valer…

Na noite imediata fui à Sede do Sporting e perguntei ao amigo Queiroga Tavares em que pé estavam as coisas.

Travou-se, entre nós, um diálogo mais ou menos nestes termos:

- “Estamos de mãos atadas; não podemos fazer o contrato porque de Luanda ainda não nos mandaram a carta de desobrigação.

- “Se eles sabiam que era indispensável, porque motivo não ma entregaram?

- “É natural que não tivessem tido tempo. Virá, decerto, no próximo navio…

- “Não! Aí há qualquer coisa pouco clara e que me desagrada. Peço-lhe que seja franco…

Vendo-me aborrecido e pouco disposto a continuar naquela situação, Queiroga Tavares foi ao gabinete da Direcção, voltando uns segundos depois para dizer:

- “Já se pediu ao Sporting de Luanda, creio que por telegrama, para nos enviar a carta…

- “Não compreendo a razão por que a carta vem para o Sporting e não para mim. E por que não teria sido eu o portador desse documento?

- “Bem vê: o Peyroteo conhece toda a gente em Luanda mas desconhece o meio desportivo metropolitano. Podia ser “torpedeado” e levado para outro clube!…

Claro que isto deu barulho. Irritei-me e não me contive:

- “Nunca pensei que o Sporting de Luanda duvidasse de mim e aceitasse a recomendação da Sede para vos remeter - e não a mim - a carta de desobrigação! Que pensam que eu sou? Que confiança mereço a uns e outros? A minha palavra é só uma! Prometi e cumprirei! Quando quiserem assinarei o contrato, sem me importar com as condições. Como sempre, confio na dignidade dos homens que dirigem um clube com as responsabilidades e tradições do Sporting”.

O amigo Queiroga, seriamente. embaraçado, procurou tranquilizar-me. Compreendi que não seria ele, “exclusivamente”, o responsável pelo que se fizera, mas a verdade é que o meu estado de espírito os levou a pensar a sério no caso e, tanto assim que, nessa mesma noite, ficou assente a realização do primeiro treino.

Não tenho a certeza se, naquele momento, a carta de desobrigação já estaria em poder do Sporting mas, com carta ou sem ela, tudo deixava compreender não desejarem fazer um contrato sem me verem treinar…

Não posso jurar que a sequência dos factos tenha sido exactamente esta, mas na sua essência - e é o que interessa - a verdade não foi desvirtuada. De resto, não prevendo o futuro, nada me aconselhava a escrever um diário que, diga-se de passagem, agora seria muito útil. Mesmo assim, a: memória não é das mais fracas e, recorrendo a ela, consegui… levantar a ponta do véu!

 

O PRIMEIRO TREINO

JOSEPH SZABO - húngaro de nascimento e português por naturalização - não carece de apresentação e o seu nome, citado a propósito de futebol, dispensa toda a classe de adjectivos.

Foi ele, com o seu trabalho e competência, quem ofereceu à Selecção Portuguesa de futebol um avançado-centro que a serviu (bem ou mal) durante mais de uma década. Foi ele, também, o principal obreiro do período áureo que o Sporting Clube de Portugal conheceu durante muitas épocas de futebol. Os dedos das mãos não chegam para contar as vitórias que, à custa do seu esforço, dedicação e muito saber, o Sporting averbou durante o tempo em que o português José Sezabo foi treinador das suas equipas de futebol.

Seria desmedida injustiça se neste livro faltasse mais amplo espaço para falar de “Mister” Sezabo.

Por agora direi apenas que foi com este grande mestre de futebol - e mau propagandista da língua portuguesa - que em Lisboa dei os primeiros pontapés na bola.

O meu treino de experiência realizou-se à tarde no antigo campo do Sporting e que hoje pertence, ainda, ao Benfica.

No parque de jogos conhecido por “Campo Grande”, estava “Mister” Sezabo, o falecido Augusto - encarregado das cabines - e eu.

O Augusto entregou-me o equipamento e quando já estava pronto para entrar no campo, apareceu “Mister” Sezabo:

- “Sinhor, vamos fazer “treining” pêquinína; dois voltas a corer, dois voltas a passe e vir centro dê terêno”.

Assim fiz. O vento soprava rijo.

Quando menos esperava, o treinador atira-me a bola e diz:

- “Parar a bola, sinhor!” Parei-a o melhor que sabia. Depois…

- “Sinhor, sinhor, como chamar-se sinhor?”

- “Peyroteo”

- “Peyroteo mais quê, sinhor?”

- “Fernando Peyroteo”

- “Disculpar. Eu chamar sinhor Fernando; ser mais fácil”.

Concordei e o treino continuou.

Passes de cabeça e com o interior do pé esquerdo, depois com o direito. Creio que chutei em todos estilos, à inglesa, à chinesa e isto com a bola vinda de todas as direcções, rapidamente, Durante mau hora fui obrigado a mostrar quanto valia e quanto sabia dos pormenores da técnica futebolística.

Depois, não achando suficiente a estafa que já me tinha pregado, “Mister” Sezabo armou em guarda-redes e, colocado entre os postes da baliza, atirava a bola e mandava que chutasse ao golo. Eu procurava fazer o “tiro ao boneco”, ou seja, apontava para o meio da baliza porque, se o pontapé saísse torto, havia muito espaço até aos postes… Assim, a bola não ia para fora.

Mas o treinador, conhecendo as manhas e talvez até porque, noutros tempos, teria feito o mesmo, gritou:

- “Sinhor Fémando: assim ser canja! Querer furar bariga dê guarda-redes? Atirar para junto dê postes! Ir ver que dificuldade ter guarda-redes. Experimentar se fazia favor!”

Procurei cumprir as suas instruções mas em cada dez remates, seis iam para fora! Sabem o que o treinador fez para eu ter mais cuidado? Simplesmente isto: todas as vezes que o remate saia torto, obrigava-me a ir buscar a bola, a correr!…

Duas horas depois “largou-me” e disse:

- “Sr. Férndo ter jeiteira mas precisar trabaiar muito. Bom pontapé, bom côrida. Precisar muito “treining” dê técnica de “foot-ball”.

- “Aqui estarei quando quiser e quantas vezes entender necessárias.

- “Africanos ter garganta ou cumprir palavra?”

- “Cumprir palavra”, senhor Sezabo!!!

- “Muito bem. Se sr. cumprir palavra, ir ver, mais tarde tocar a música, afinado. Dizer para si, Férnando: ter cuidado malandragem dê outros. Falar-se pouco e trabaiar-se muito. Ir ver qui bem ficar-se, Férnando…”

E assim acabou o treino, ou melhor, a experiência…

Sei que nesse mesmo dia “Mister” Sezabo informou a Direcção do Sporting de que eu interessava ao Clube e sei, também - lem- bro-me perfeitamente - que depois do treino até me faltou a coragem de ir para Sintra. Fui para casa de minha irmã, na Avenida 5 de Outubro, jantei, deitei-me e só me levantei no outro dia às 12 horas.

Que dores sentia nas pernas e em todo o corpo 1… Estava positivamente arrazado!

Depois do almoço recostei-me num divã, a ler. Tal era o cansaço que adormeci mas, pouco depois, chegavam a nossa casa os senhores Francisco Franco e Filipe Conrado, da Direcção do Sporting.

Vinham pedir-me para comparecer, nessa mesma noite, na Associação de Futebol…

Nessa altura já sabiam duas coisas importantes:

1.º - Que já me haviam oferecido condições para jogar pelo Futebol Clube do Porto;

2.ºQue “Mister Sezabo dissera: - “temos homem!”

Coube-me a vez de lhes fazer sentir que não tinha pressa nenhuma mas, de qualquer modo, estaria na Associação à hora indicada.

Quando ali cheguei tive o prazer de encontrar o meu prezado amigo e senhor Paulo Vieira. Poucos minutos depois, foi-me presente, para assinar, o contrato que me obrigava a jogar pelo Sporting Clube de Portugal.

Sem o ler, sem fazer perguntas - tal como prometera a Queiroga Tavares – assinei o documento.

Elaborado como estava, o contrato só dava garantias a uma das partes – ao Sporting! – embora, na aparência me fossem conferidos direitos. Conhecia já os termos do documento.

Era um “contrato leonino” como escreveu, algures o grande romancista Eça de Queiroz!

Por ficar “preso” para a época de 1936/1937, 1938/38 e 1938/39, recebi de prémio a quantia de… quinhentos escudos, verba que indico por extenso para não se supor que houve erro de imprensa…

Fixou-se um ordenado mensal de 700$00 mas, segundo creio, o contrato incluía uma clausula que permitia ao Sporting baixar aquela verba no caso de eu me empregar.

Esta faceta não interessa grandemente porque o senhor Francisco franco administrava um fundo especial denominado, se não estou em erro, “caixa dos leões” (cotização dos carolas) e dela saiam quantias destinadas a reforçar os ordenados de alguns jogadores, não sendo, portanto o Sporting a pagar ordenados diferentes a este ou àquele… Aos que mereciam, o senhor Francisco Franco, dava, por fora, 200$00 ou 300$00 mensais. Felizmente, nunca me faltou com o subsídio extraordinário…»

 

In: Peyroteo, Fernando - Memórias de Peyroteo. 5ª ed. Lisboa : [s.n.], 1957 ( Lisboa : - Tip. Freitas Brito). pp. 58-69

 

(Repito: peço desculpa pela extensão destes textos, assim como para a eventualidade da existência de alguma gralha. Se existir, culpa minha na revisão da digitalização e/ou digitação.)

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