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És a nossa Fé!

Memórias de Peyroteo (2)

«Como já disse, a minha actividade desportiva não se resumia a jogar futebol. Os campeonatos eram muito curtos e, daí, a necessidade de praticar outras modalidades.

 

BASQUETEBOL

Por ser uma modalidade ainda mal conhecida, pouco se jogava basquetebol em Moçâmedes.

O meu clube, o Atlético, formara duas equipas e eu fazia parte de uma delas, por sinal a mais fraca.

Interessado, como estava, na modalidade e, sobretudo, porque os treinos eram orientados por Mestre Ângelo - sempre ele! - dediquei-me ao estudo das Regras e, em pouco tempo, conheci-as perfeitamente, de modo que o facto constituía vantagem sobre companheiros e adversários.

Conhecer e saber interpretar as leis do jogo que praticamos, permite-nos resolver, momentaneamente, qualquer problema que surja e tirar partido das situações difíceis.

Convém acentuar que o desporto em nada prejudicava as minhas horas de estudo. Por isso, lia e compreendia as regras das modalidades a que me dedicava.

Em. Sá da Bandeira havia, também, várias equipas de basquetebol, de modo que, certo dia, aprazou-se um encontro inter-cidades.

Como termo do comparação, direi que a rivalidade desportiva entre Moçâmedes e Sá da Bandeira, é idêntica à de Lisboa-Porto.

A escolha do árbitro para dirigir o encontro recaiu sobre mim. Tinha 14 anos e confesso que a resolução me desagradou e amedrontou!

Não aceitei o encargo sem autorização de minha Mãe que, por sua vez, consultou meus irmãos mais velhos. O caso não era para brincadeiras porque uma má arbitragem poderia valer-me… alguns dias de cama!!!

Meus irmãos concordaram. Deram-me conselhos e a garantia da sua presença ao jogo…

Senti alívio! Fora do rectângulo, para me defender, estariam três homens de maior envergadura da que tenho hoje…

Não havia dúvidas que estaria bem amparado, mas também sabia que nada me livrava de alguns tabefes, em casa, se fizesse asneira.

E foi assim, pensando no que me poderia acontecer, que reuni os capitães das duas equipas para a escolha do campo.

Principiou o jogo; mais apitadela, menos apitadela e os ânimos começaram a excitar-se. Moçâmedes ganhava. O Abel Vaz Pereira, - um autêntico matulão! - marcava pontos e o Marinho de Sousa discutia (?) a sua validade.

Castigo! Três lançamentos livres, três cestos e assim por diante.

A certa altura houve sarilho e ameaças de bofetadas! Eu estava, na verdade, assustado como um passarinho, com tais promessas, mas fiz “ouvidos de mercador”, mostrando sempre a maior indiferença e calma em face dos prometimentos.

Mas o “grande” Abel ouviu e disse-me pouco depois:

- “Se houver barulho, vem para junto de mim, que ninguém te fará mal”!

Foi o suficiente porque o homem das ameaças ouviu e quedou-se silencioso!

Terminado o jogo fui felicitado por jogadores e público. A arbitragem, se não foi isenta de erros, teve o mérito de ser imparcial.

Meus irmãos estavam radiantes por dois motivos: primeiro, porque o “miúdo” cumprira; segundo, porque não foram obrigados a fazer uso do físico… E que físico, Santo Deus!!!

Mal sabiam todos que, se não fora o Abel Vaz Pereira, eu teria largado o apito e desatado a fugir!…

Pobre Abel, que já não pertences a este Mundo! Paz à tua alma!

Quem havia de supor que fui praticante e árbitro de basquetebol!?…

 

NATAÇÃO

A linda e magnífica baía de Moçâmedes presta-se admiravelmente para a prática dos desportos náuticos.

Contudo, no meu tempo e a despeito das excepcionais possibilidades que a baía oferece, o desporto da vela limitava-se a espaçadas passeatas em canoas. Estes barcos, construídos para a pesca no alto-mar, serviam, também, para recreio domingueiro dos seus proprietários e amigos.

Não me recordo de ter visto ali qualquer barco de construção apropriada a este desporto, mas sei que, actualmente, ele é uma realidade em Moçâmedes.

As águas tranquilas e límpidas do Atlântico proporcionavam à juventude riquíssimos banhos. Passávamos horas dentro da água. Em dias de menos obrigações ou deveres de estudo, íamos para a praia às 8 horas da manhã para só de lá sairmos às 12 horas. Com seis anos de idade já eu sabia nadar. Aprendi rapidamente e foi assim:

Uma dezena de rapazes tomava banho. Eu olhava-os embevecido mas triste por ficar brincando com a espuma branca das ondas, sem poder acompanhá-los.

De súbito, senti-me agarrado!

Jaime Sampaio Nunes, grande nadador, despiu-me e, pegando em mim, completamente nu, atirou-me ao mar, como se fora um objecto inútil.

É fácil calcular o susto que apanhei! Isto passou-se na ponte-cais, que fica a uns três metros acima do nível das águas.

Ainda eu ia no ar quando Jaime Sampaio, no seu estilo impecável, mergulhou a meu lado.

Vendo-me em aflições, ajudou-me a chegar à praia. Depois, durante cerca meia hora, ensinou-me o que devia fazer para nadar. E pronto! Largou-me.

Perdido o medo mas ainda receoso, continuei na água, esbracejei, movi as pernas como ele ensinara e comecei a flutuar.

Decorridas, talvez, duas horas, já nadava uns metros e dois ou três dias depois, entrei a fazer habilidades, lançando-me de três ou quatro metros de altura.

Não há exagero. Ângelo Mendonça pode comprovar o que afirmo.

De resto, em Moçâmedes, ainda hoje, é raro encontrar um garoto de 6 ou 7 anos que não saiba nadar, embora sem estilo…

Não terão aprendido como eu mas, daquele ou de outro modo, o certo é que todos nadam mais ou menos bem.

Um dia organizaram-se provas de Natação. Entre outras, a de 100 metros livres.

Dos concorrentes recordo Marinho de Sousa - amigo que muito estimo e admiro - actual Inspector do Porto de Luanda, a quem já me referi no capítulo de basquetebol, e o Aníbal Russo, cujo paradeiro ignoro.

A partida foi feita de bordo de um barco estacionado perto da ponte-cais e a chegada era na jangada que se encontrava em frente da praia de banhos.

Aníbal Russo era um nadador vigoroso, de braçada firme, possante.

Marinho de Sousa, um magnífico estilista, nadava “crawl” com razoável velocidade. Quanto a mim, não sei em que “estilo” nadava. O que sei é que cheguei à jangada em primeiro lugar, bastante distanciado dos dois mais próximos concorrentes!

Não cabia em mim de contente, mas o Aníbal Russo e Marinho de Sousa não gostaram da proeza. Em especial, o Marinho de Sousa, que não gostava de perder, mesmo que fosse a feijões!…

Não restam dúvidas de que qualquer deles nadava melhor do que eu. Mas era mais jovem e supria as faltas de técnica com a força de braços e pernas… Contava apenas 14 anos!…

Fui, portanto, Campeão de Moçâmedes em natação: 100 metros livres.

 

REMO

Por carência de barcos apropriados, a organização de competições náuticas, com regularidade, era praticamente impossível.

Mas tal como várias vezes aconteceu no respeitante a provas de natação, também se realizavam, de quando em vez, regatas em barcos a remos.

Eu fazia parte de uma das equipas do Atlético mas só uma vez remei em competição formal.

O barco não obedecia a quaisquer características técnicas especiais mas, pela sua configuração esguia e sendo leve, deslizava bem sobre a água.

A minha boa estrela mais uma vez me acompanhou.

Alcançámos o primeiro lugar da classificação geral, cujo prémio foi um espelho. Objecto de pouco valor, que se poderia comprar com uma centena de angolares, teve, para nós e especialmente para mim, valor incalculável, porque representava… mais uma vitória no desporto!

…Também remei, meus amigos!

De tudo um pouco, para… não morrer ignorante!

 

EQUITAÇÃO

O Atlético mantinha em actividade uma Escola de Equitação dirigida por um sargento do exército, de apelido Portilheiro.

Se não estou em erro, o Sr. Doutor Torres Garcia (bom amigo, falecido há anos em Coimbra), era o Presidente da Direcção do clube e, também, Director de uma importante Companhia possuidora de bons cavalos, os quais eram utilizados na nossa Escola.

Duas vezes por semana lá estava eu e outros rapazes, devida- mente equipados, para a prendermos a “Arte de bem cavalgar toda a cela”.

Aprendi a montar mas nunca entrei em competições. Em hipismo não passei das aulas de aprendizagem e alguns passeios.

De sorte que, neste capítulo, recordarei apenas alguns sustos que apanhei.

Os professores de equitação gostam de fazer, uma vez por outra, partidinhas aos seus alunos: mestre Portilheiro não fugia à regra… O picadeiro era um recinto de chão duro, rodeado de paredes ; um quintal adaptado para o efeito e a que, pomposamente, chamávamos picadeiro. Certo dia montava eu uma égua amarelo-branca. O professor, ao meio do recinto, levantou o chicote, ouviu-se o estalido e o animal começou a andar…

Primeiro a passo, depois a trote e, por fim, a galope. Nisto, a ponta do chicote começou a estalar em frente do focinho da égua a fim de a fazer dar uma volta rápida sobre as patas trazeiras e caminhar em sentido contrário.

O pior foi que o animal se assustou - e eu também - e a coisa esteve séria!

Não havia forma de a fazer parar: saltava, empinava-se como costumam fazer os potros nos “rodeos” e nós estamos habituados a ver nos filmes de aventuras. O mal estava no facto de o cavaleiro não ser, nem por sombras, um daqueles rapazes das pampas… Resultado: tanta força fiz para me segurar que se partiu a correia do estribo e fui de encontro à parede. Estendi o braço para evitar uma tremenda cabeçada na parede, mas sofri um profundo golpe na mão direita e fui parar ao chão! Enfim, do mal o menos. No entanto, dez minutos depois do incidente, com a mão desinfectada e ligada, já eu montava um cavalo e a lição continuava.

Mestre Portilheiro fez a partidinha mas estou convencido de que, se advinhasse o resultado, não a teria feito. Também apanhou um bom susto e suou para fazer parar o animal.

Ficámos pagos!…

Tempo depois, já eu montava razoavelmente, ou, pelo menos, estava convencido disso, pedi ao Sr. Dr. Torres Garcia para me emprestar um cavalo.

Muito novo, um tanto vaidoso, queria botar figura passeando, ao domingo, pelas ruas da cidade. Porém, antes de mim, já o Mário Miranda fizera igual pedido.

Na cavalariça estava a égua protagonista da cena do picadeiro, e um cavalo, ainda novo, pouco montado. Um lindo exemplar mas ainda bravo como um toiro. O Mário escolheu a égua, por ser animal dócil, dando boa montada… quando não assustada, é claro! Não restava outra solução. Tinha de levar o tal cavalo género toiro. Mal parecia chegar ali, equipado, todo flamante e voltar para casa, por ter medo do cavalo. Que pensaria o preto que tratava dos animais?

E assim foi; cavalo na rua e… fomos passear.

Trote suave e cuidadoso, falinhas meigas, festas no pescoço e o cavalo, garboso, obedecia ao mais leve toque de rédeas. A minha exibição foi perfeita até aparecer o Mário Miranda, cavaleiro experiente, que logo pensou em fazer uma partida.

Colocou-se a meu lado e seguimos a caminho da Torre do Tombo, no alto da Cidade.

Chegados a uma recta que tem cerca de dois quilómetros de comprimento, reparei que o Mário, adiantando, fazia passar a égua pela frente do meu cavalo. Inocente, não fazia a mínima ideia da finalidade a atingir… No entanto, comecei a notar que o cavalo se mostrava inquieto e menos dócil… As festinhas e palmadas já não resultavam;- o animal, excitado e nervoso, relinchava levantando o focinho. De súbito, o Mário adianta a égua, coloca-a bem à frente do cavalo e rompe em forçado galope! Não queiram saber! O “Toirão” dá uma sacudidela na cabeça, toma o freio nos dentes e vai, em correria louca, atrás da égua. Puxei as rédeas, dei-lhe folga e, rapidamente, tornei a puxá-las com força, mas. nada consegui! O animal parecia doido!

Chamei, gritei, fiz gestos… O Mário olhava para trás e ria-se. Ria-se do que, para mim, não tinha graça nenhuma…

Quase no fim da recta, foi reduzindo a marcha até que o alcancei. Assim que parámos, o cavalo empinou-se e o Mário Miranda teria ficado com as costelas amolgadas se não tivesse feito a égua avançar rapidamente… Estão a ver a coisa, não é verdade?… Por pouco que o feitiço não se voltou contra o feiticeiro!

No regresso trocámos as montadas: vim eu na égua e ele no cavalo que, sem eu dar por isso, saíra da cavalariça sem bridão.

O Mário nunca deixou que lhe passasse à frente. Bem me esforcei por isso mas ele, bom cavaleiro, conhecia as manhas e as tendências… dos jovens cavalos…

Aconteceu-me o que sempre acontece aos ingénuos pretenciosos: julgava-me um bom cavaleiro e, afinal, desconhecia os truques…

 

TÉNIS

Antes de ocorrido o incidente que me levou ao Atlético, jogava ténis no “court” do Sporting, aproveitando o tempo em que o rectângulo estava livre de tenistas consagrados. Isto só se verificava ou muito cedo - mal despontava a manhã - ou à hora do almoço: Tinha de comer à pressa para aproveitar a oportunidade.

Esta hora é, de todo, condenável para a prática de qualquer desporto, sobretudo sob um sol escaldante como o africano.

Só havia dois campos de ténis em Moçâmedes: o do Sporting, destinado aos seus sócios, adultos, que pagavam cotas. O outro, pertencia à companhia inglesa exploradora do Cabo Submarino, sendo utilizado pelos seus empregados e por uns quantos amigos destes. Os miúdos não tinham ali entrada mas eu, que era bom rapaz, estimado por todos (passe o auto-elogio!) ainda lá joguei algumas vezes. De modo que, no campo do Sporting, ou entre as 12 e as 14 horas, ou nada.

O meu parceiro favorito era o Rogério Trindade. Os seus irmãos mais velhos - Artur e Raul - eram grandes jogadores. O Artur chegou a ser campeão de Angola, salvo erro, e creia-se que havia, por lá, tenistas de muito valor, aos quais os próprios ingleses rendiam homenagens.

Com um mano Campeão de Angola, ao Rogério não faltavam raquetas e bolas. Está bem de ver que eu beneficiava da fartura!

Considerando a nossa idade, não se pode dizer que jogávamos ténis, no verdadeiro sentido do termo.

De raqueta na mão, passávamos a bola um para o outro, teimando em não a deixar bater na rede.

O Rogério era muito mais habilidoso do que eu, podendo afirmar tratar-se de um verdadeiro prodígio. E tanto assim que, alguns anos depois, embora muito novo ainda, foi, como seu irmão Artur, campeão de Angola.

Dois anos fomos companheiros inseparáveis no ténis.

Entretanto, deu-se a minha “fuga” para o Atlético e o ténis acabou-se - não logo a seguir porque talvez se acreditasse no meu regresso ao Sporting. Mas assim que comecei a representar o Atlético em várias modalidades, as coisas tomaram aspecto diferente.

Repare-se neste facto curioso, que ilustra bem até que ponto os homens se esquecem, por vezes, do respeito que devem a si próprios, assumindo atitudes que nada os elevam, antes os diminuem até perante as crianças. Mas diga-se de passagem: “lá como cá, tais fadas há”. Eu o provarei nas páginas deste livro.

Agora contarei o episódio do ténis, em Moçâmedes.

Certo dia, eu e o Rogério, decidimos faltar às aulas, para dedicarmos ao ténis a parte da tarde.

Por volta das 14 horas lá estavamos a fazer passar a bola por cima da rede e… a marcar pontos. Decidia-se uma questão de supremacia mas a partida não chegou ao fim.

Emelino Abano, director do Sporting, capitão da 1.* equipa de futebol dos “leões”, apareceu de surpresa e fez acabar o jogo! Como ele soube da nossa combinação, constitui, ainda hoje, mistério para mim. O certo é que apareceu montado numa bicicleta, chamou o contínuo e mandou retirar a rede do campo. Depois deu, ao preto, ordens terminantes para nunca mais consentir que eu ali jogasse ténis. Que fosse jogar para o campo do Atlético!

Ora, Emelino Abano, sabia tão bem como eu que o meu clube não tinha recinto apropriado.

O Rogério, sportinguista, continuou a servir-se do “court” mas eu, coitado, sem parceiro, sem raqueta e sem bolas, só de longe em longe pegava numa raqueta para “brincar” no rectângulo do Cabo Submarino.

Volvidos muitos anos, ou melhor, ainda há bem pouco tempo, aqui em Lisboa, conversando com o Emelino Bonito Abano, recordámos o incidente e ele disse-me:

“Tu gostavas de jogar o ténis e uma vez que só sendo sportinguista poderias utilizar o nosso campo, pensei que seria a maneira de voltares ao Sporting…”.

Nada ganhou com isso o camarada “carequinha”! Abandonei o ténis quase para sempre e continuei a pertencer ao Atlético Club de Moçâmedes!

Sempre ouvi dizer que não é com fel que apanhamos moscas.

Mas, a terminar este episódio, repito:

“Lá, como cá, tais fadas há”.

Adiante veremos.»

 

In: Peyroteo, Fernando - Memórias de Peyroteo. 5ª ed. Lisboa : [s.n.], 1957 ( Lisboa : - Tip. Freitas Brito). pp. 25-32

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