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És a nossa Fé!

Memórias de Peyroteo (14)

(cont.)

 

« PRIMEIRA INTERNACIONALIZAÇÃO

O Manuel Soeiro era, ao tempo, um magnifico avançado-centro mas, com a sua passagem para o lugar de interior direito, ocupei, definitivamente, digamos, o eixo do ataque dos “leões”.

Lutei, esforcei-me, trabalhei muito, mas não desejava, de modo algum, prejudicar fosse quem fosse, “destronar” ou “desbancar” este ou aquele jogador e, por isso, regozijei-me com o facto de o Soeiro actuar com tanto acerto que alguns críticos chegaram a afirmar ser ele melhor jogador a interior do que fora no lugar de avançado-centro.

Vencido o primeiro obstáculo - luta que muita tinta fez gastar aos jornalistas da especialidade e esgotou a saliva aos adeptos do futebol, mormente aos simpatizantes do Soeiro e de Peyroteo - a luta continuou…

Lembram-se daquelas tardes em que o Guilherme Espírito Santo, só por si, constituía um magnifico espectáculo de futebol? Que fino jogo, pensado, inteligente; que subtileza, que arte! Dava gosto ver, no campo, este excelente jogador, bom camarada e um dos meus melhores amigos - que o é ainda hoje.

Pois bem; era no Guilherme que eu tinha os olhos postos ou, melhor dizendo, no avançado-centro da Selecção Nacional. Neste ponto creio estarmos todos de acordo e não se pode levar a mal que se trabalhe afincadamente para este fim: o futebolista inicia a sua carreira e logo começa a pensar na primeira equipa; uma vez conseguido o seu objectivo, toma alento e trabalha para merecer a honra de vestir a camisola da Selecção Nacional. Nisto não há deslealdade. Portanto eu, como qualquer outro, com lugar firme na primeira equipa do Sporting, trabalhei para chegar ao grupo do País. Era natural.

Estávamos em Fevereiro de 1938 e falava-se já no Campeonato do Mundo de Futebol, ao qual Portugal concorreria. Entretanto, como jogo preparatório, chamemos-lhe assim, os dirigentes do nosso futebol combinaram um encontro entre as selecções da Alemanha e Portugal, a realizar em Frankfurt.

Certa manhã, ao entrar no eléctrico que me levaria ao Campo Grande para treinar, vi o senhor Sezabo, que veio sentar-se a meu lado. Pediu-me, para ver, a Revista “Stadium” que eu trazia na mão; ao reparar na minha fotografia a toda a altura da primeira página, exclamou:

- “Cárágo ; Fernando ter de comprar muitos jornais dê estes para mandar seu família que estar a África!…”

Achei graça ao conselho e pedi-lhe para ler o que estava escrito ao lado da foto:

- “Peyroteo, o homem das 19 bolas das “Ligas”, aguerrido e indomável, cuja candidatura à turma nacional, ganha domingo a domingo, maior consistência”.

Mestre Sezabo leu, olhou muito sério para mim e disse:

- “Natural, sinhor Fernando! Não cortar prego, sinhor. Se dedicar-se a “treining” e ouvir bem meus palavras, garantir para sinhor ir Selecção. Não envaidecer, Fernando! Trabaiar com vontade, sacrificar-se e ir ver não ser nada difícil”.

Receoso, sentindo um abismo entre mim e o Guilherme, perguntei:

- “E o Espírito Santo, “Mister”, que bom jogador ele é”?

- “Cárágo, Férnando, não dizer um coisa dê isso. Sinhor ser africano, não cortar prego. Espírito Santo ter dois pernas como Férnando! Continuar ouvir meus bons palavras e ir ver qui bem ficar-se!…”

Conforme os dias iam passando, os treinos eram intensificados até que, certa manhã, recebi um postal do Sporting convocando-me para o treino da Selecção Nacional, pois assim o havia comunicado a Federação ao meu Clube. Acredite-se que julguei tratar-se de uma brincadeira e, sem perda de tempo, fui à Sede, onde obtive a confirmação de que se tratava, na verdade, de uma ordem do seleccionador Cândido de Oliveira.

Não me recordo se dormi bem na véspera do treino, mas sei que a “comoção” me provocou um desarranjo intestinal, pormenor que não esqueci porque, quando cheguei ao campo, no dia do primeiro treino, apressei-me a comunicar o facto ao seleccionador, pois gostaria de atribuir à doença dos intestinos as asneiras que porventura fizesse - e fiz muitas! - Sempre era uma desculpa, até certo ponto aceitável…

Treinei dessa vez, tornei a ser chamado, até que do Sporting me pediram as fotografias para o passaporte, mas não se julgue que, mesmo assim, acreditei fazer parte da caravana que se deslocaria a Frankfurt. É que até à última hora podia ser substituído…

 

O “Sud-Express” abalou da Estação do Rossio levando consigo a Equipa Nacional de Futebol da qual, graças a Deus, eu fazia parte. Como efectivo? Como suplente? Nesse momento o que importava era estar incluído no lote dos que seguiam a caminho de Paris, dali para Frankfurt e, seguidamente, para Milão - Itália - onde defrontaríamos a Suíça, em jogo a contar para o Campeonato do Mundo.

Desse alegre conjunto de rapazes fazia parte, também, o Guilherme Espírito Santo, mas nem ele nem eu sabíamos qual de nós jogaria na Alemanha e na Itália.

Logo que o comboio se pôs em andamento, fomos, ambos, pedir ao Sr. Capitão Maia Loureiro - comandante da caravana – para nos destinar o mesmo compartimento, no que fomos atendidos. Ao ver as duas camas, uma por cima da outra, o Guilherme “determinou” que o lugar superior seria ocupado por ele, justificando-se deste modo:

- “Tu ficas cá em baixo, não vá partir-se este zangarelho que segura a cama e eu ficar esborrachado com esses 80 quilos bem pesados!…

Concordei e dei-lhe esta resposta: Acho bem, mas recomendo-te cuidado, porque como tu és um grande dorminhoco, se não acordares quando chegarmos a Paris, eu não te chamo ; ficas para aí a ressonar, perdes a ligação do comboio para a Alemanha e, então, quem joga sou eu!… Vê lá o sarilho que arranjas…

Raramente trocámos impressões a sério, se jogaria eu ou ele; falámos, sim, acerca da responsabilidade dos jogos que a Selecção Nacional ia fazer e brincávamos em diálogos deste género:

- “Estou com um medo que me escolham para jogar que nem calculas… Dizem que os alemães não são para brincadeiras; são duros como pedras! É melhor jogares tu porque tens mais físico para comeres do coco…

- “Olha para ele! Vais lá tu que te esquivas melhor; até consegues passar entre os pingos da chuva sem te molhares… Eu sou mais gordo, sou melhor alvo…”

- “Pois é, mas se me apanham uma vez que seja, não tenho os ossos numerados e arrumam-me de uma vez para sempre!”

Os restantes companheiros eram uns marotos, como se pode ver por estas gracinhas:

- “Estes dois andam tão juntinhos que até parecem um só, mas a verdade é que estão ambos com vontade de se envenenarem um ao outro, para jogar na Alemanha o que ficar vivo!…

Se ao jantar ou ao almoço, no comboio, o Guilherme, por gentileza, me servia o vinho, logo alguém comentava:

- “Isso, isso, dá-lhe vinho, embebeda-o, dá cabo dele, porque só assim é que jogas tu…

Era um nunca acabar de piadas e graças que aceitávamos sem melindre porque, na verdade, todos éramos amigos.

Entre os “indiscutíveis” da equipa, as opiniões dividiam-se quanto a jogar eu ou o Espírito Santo, embora todos viessem a aceitar de bom grado um ou outro. Mas, nenhum jogador sabia, ao certo, qual de nós alinharia contra a Alemanha, e estou mesmo em crer que, quando ainda em viagem, nem o próprio seleccionador nacional, meu amigo e senhor Cândido de Oliveira, tinha absolutamente formada opinião de utilizar o benfiquista ou o sportinguista.

No dia seguinte ao da nossa chegada a Frankfurt, fizemos um pequeno treino no rectângulo onde se realizaria o jogo com a Alemanha e eu alinhei a avançado-centro. Seria indício de que estaria resolvida a minha inclusão na equipa? Mestre Cândido já teria decidido? Ninguém se atrevia a afirmá-lo e muito menos a perguntar ao seleccionador.

Depois do treino, ao comentarmos o facto de ter ocupado o lugar de avançado-centro, o Guilherme afirmava, com toda a convicção, que eu jogaria contra a Alemanha. Que saberia ele para falar assim? Teria ouvido alguma conversa com Mestre Cândido de Oliveira? Não, nada disso. Espírito Santo é um rapaz inteligente e educado, bom desportista e conhecedor dos problemas do futebol. Entendia que, considerando o poder atlético da defesa alemã, eu estava mais indicado para jogar e, em reforço da sua opinião, formulou várias considerações justificativas do seu ponto de vista, donde se conclui, que acima dos seus interesses pessoais, o Guilherme colocou os da Selecção Nacional. Aparte ser leal e bom camarada, Guilherme Espírito Santo possui qualidades de carácter que fizeram dele um desportista como poucos. Ele sabe que desporto é, antes de mais nada, competir e não triunfar. E como se tudo quanto disse não fosse suficiente para demonstrar, de maneira iniludível, a sua lealdade e camaradagem, o Guilherme, na cabine, antes do início do jogo, esteve sempre - mas sempre! - junto de mim, dando-me conselhos, animando-me, procurando, por todas as formas, afastar do meu espírito a preocupação e o receio que me dominavam. As suas palavras amigas tinham para mim tanto valor quanto eu acreditava na sua sinceridade, e sentia-me feliz por verificar que encontrara no meu rival o carinho e amizade tão necessários àqueles que vão fazer o seu primeiro jogo internacional. Ele, o meu rival, aquele que perderia para sempre o posto que conquistara, sem favores de ninguém, na Selecção Nacional, foi esse magnífico atleta, aprumado, leal e correcto quem procurou ajudar-me *a conquistar o lugar que até então lhe pertencia! Era de homens assim que o desporto português precisava às mãos cheias…

E no intervalo do encontro, lá estava ele, junto de mim, incitando-me a fazer mais e melhor. É certo que Cândido de Oliveira me dispensou toda a sua atenção e deu preciosíssimas indicações e conselhos; os companheiros de equipa muito me ajudaram mas, para mim, aquele que mais me impressionou e a quem prestava mais atenção - excluindo o seleccionador, claro está - era ao Guilherme.

Até ao momento em que o seleccionador mandou reunir todos os jogadores para lhes indicar a táctica a adoptar - e isso aconteceu, no hotel, poucas horas antes do início do jogo - ninguém sabia se o posto de avançado-centro seria ocupado pelo Espírito Santo, se por mim e posso, talvez, afirmar que, até esse momento, o seleccionador hesitou na escolha. Ora vejamos:

Pouco antes de nos reunir, Cândido de Oliveira “auscultou” o capitão da equipa, Gustavo Teixeira, perguntando-lhe quem, em sua opinião, deveria jogar no eixo do ataque português contra a equipa alemã, e Gustavo Teixeira disse que, em seu entender, nesse jogo, deveria alinhar o Peyroteo. Não ouvi a conversa; foi o saudoso Dionísio Hipólito, nosso massagista, quem me contou o que acabo de referir.

Prova-se assim que, mais uma vez, Mestre Cândido de Oliveira não se arvorou em senhor absoluto de ideias e saber, preferindo conhecer a opinião do capitão da equipa - homem bom conhecedor das coisas da bola e tão honesto que, pondo de parte o seu “benfiquismo” - optava pela inclusão de um “leão” na equipa Nacional.

A expectativa arrazou-me os nervos e sabe Deus em que estado de espírito fui para o campo! Desta vez não “desarranjei” os intestinos, mas sentia-me mais cansado antes do jogo do que depois de ele terminado. Mais me apetecia ficar na cabine, acredite se! Era o meu primeiro jogo internacional e poderia vir a ser o último, pelo menos durante algum tempo…

Entrei no campo; as pernas tremiam, procurava reagir mas em vão. Sessenta mil pessoas saudaram, com o maior entusiasmo, a entrada da equipa portuguesa. A banda de música tocou o nosso Hino Nacional mas muito mal, como quase sempre acontece no estrangeiro - a compasso de marcha fúnebre e não alegre, vivo, empolgante, bonito como ele é. Mesmo assim, ouvir, lá fora, o Hino da nossa querida Pátria, tem um sabor diferente; lembra-nos a nossa terra, a terra portuguesa. Ao mesmo tempo que, ao ouvi-lo, nos comovemos, dá-nos. coragem para lutar até ao limite das nossas forças.

Seguidamente, a banda tocou o Hino Alemão. Foi o fim do Mundo I As mesmas sessenta mil pessoas, de pé, cantaram tão afinadas como se fosse um orfeão ensaiado! Que maravilhoso espectáculo! Que pequeninos nos sentimos nós - aquela dúzia de portugueses! É verdadeiramente impressionante e… enervante. Faz-nos pensar que esses mesmos homens e mulheres que agora cantam, dentro de momentos gritarão incitando a equipa da sua Pátria. Mas, ao contrário do que se possa supor, uma vez o jogo iniciado, tudo passa; quase não os ouvimos, embora façam muito barulho, porque o jogo, em si, domina-nos por completo, e a vontade de bem cumprir o nosso dever, faz-nos olvidar, quase por completo, o que se passa fora do rectângulo. De resto, manda a verdade dizer que os alemães tanto se manifestaram a favor dos seus compatriotas como aplaudiram os portugueses, assim uns e outros fossem merecedores de aplauso. Povo correcto e desportista, tributou à equipa portuguesa a maior ovação que me foi dado ouvir em todos os jogos em que tomei parte, quer no estrangeiro, quer, mesmo, em Portugal.

Assim que o encontro começou, como por encanto, senti-me com força suficiente para “tragar” quantos adversários se me deparassem ; nada de nervos ou medo! Apenas o peso da responsabilidade e confiança que o seleccionador depositara em mim, estavam em causa. Havia, portanto, que corresponder a essa confiança. Lutei quanto me foi possível e se mais não fiz, foi unicamente porque a defesa alemã não deixou. Travei com ela uma luta feroz!… Eram umas verdadeiras torres de Belém. Duros, enérgicos mas correctos e leais adversários.

Neste jogo, a equipa alemã não foi superior à nossa; jogámos de igual para igual, tanto sob o ponto de vista técnico como táctico, porque o nosso “team” dispunha de bons elementos, tão bons como os melhores do conjunto adversário: Pinga, Albino - que grande jogo ele fez! - Azevedo, Gustavo Teixeira, Mourão, João Cruz, Soeiro, Pireza, Simões, Amaro, Carlos Pereira e Madueño, formavam um lote de jogadores de categoria. Quem não se lembrará deles e… com saudade?

Portugal foi o primeiro a marcar e ouvimos tão vibrante e entusiástica ovação que nos pareceu estarmos a jogar na nossa terra. Se no Estádio Nacional marcássemos um golo que ditasse a nossa vitória contra a Espanha, a ovação não seria maior! Os entusiastas alemães aplaudiram-nos como se da sua equipa se tratasse. Honra lhes seja feita.

 

Resumindo: Em Frankfurt a equipa nacional portuguesa fez um dos seus melhores jogos de sempre - pelo menos enquanto eu joguei.

No que respeita ao meu primeiro jogo internacional, penso que não joguei nem muito bem nem muito mal, e creio que a minha actuação não comprometeu a equipa portuguesa; tanto assim é que, no jogo seguinte contra a Suíça, em Milão, a contar para o Campeonato do Mundo, voltei a ocupar o posto de avançado-centro.

Não quero terminar este apontamento sobre o Alemanha-Portugal sem dizer que o povo alemão recebeu a Selecção Nacional Portuguesa, em Frankfurt, como nenhum outro em qualquer parte do Mundo onde se exibiu a equipa das quinas. De uma maneira geral, nas estações e aeroportos, esperavam a nossa equipa dois, três ou quatro dirigentes, uns da Federação e outros, talvez, da Comissão de Recepção, e uns tantos curiosos… Em Frankfurt esperavam-nos na estação de caminho de ferro, além de uma dezena de dirigentes do futebol, alguns milhares de pessoas duma amabilidade extraordinária; simpáticos, cumulando-nos de atenções e isto não só no dia da chegada como durante todo o tempo em que estivemos na Alemanha. Onde quer que estivéssemos ou chegássemos, sempre nos apareciam meia dúzia de alemães dispostos a pagar a cerveja que bebíamos e as magníficas salsichas de… Frankfurt. Tudo isto - é bom acentuar! - nos dias em que podíamos comer e beber, embora, assim mesmo, com conta, peso e medida, não vá supor-se que na antevéspera do jogo à rapaziada eram permitidos tais devaneios (…como se isso fosse possível suceder sob as vistas de dirigentes disciplinados e disciplinadores como o Cap. Maia de Loureiro e Cândido de Oliveira; onde estava a equipa lá estavam eles…)

Como último apontamento a realçar a gentileza alemã, lembro-me de que, na véspera da partida da equipa nacional a caminho da Itália, estivemos, à noite, num grande “restaurant-dancing” de Frankfurt, onde assinámos centenas de autógrafos, comemos e bebemos, e quando nos preparávamos para seguir para o hotel pedimos a conta. Um criado, muito cortês e simpático, disse… em francês:

- “Muito obrigado pela vossa amável Visita; está tudo pago”.

Como não fizera despesa, resolvi gastar os marcos que tinha na algibeira comprando umas lindas caixas de bons cigarros…

Alegres e contentes, saímos do restaurante ao som de vivas a Portugal! E como nunca é tarde para agradecer, aqui estou a enviar um abraço de gratidão e reconhecimento a todos aqueles - desportistas ou não - que em Frankfurt tão amáveis foram para com os componentes da Selecção Portuguesa de Futebol que ali jogou em 24 de Abril de 1938. A última Grande Guerra vitimou, decerto e infelizmente, muitos daqueles que nos acarinharam. PAZ às suas almas.»

 

 

In: Peyroteo, Fernando - Memórias de Peyroteo. 5ª ed. Lisboa : [s.n.], 1957 ( Lisboa : - Tip. Freitas Brito). pp. 112-119

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