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És a nossa Fé!

Memórias de Peyroteo (1)

«Assim se faz desporto em África e assim são os filhos da minha querida Angola…

 

            Vai decorrido mais de meio século.

            A bordo de um velho navio que largara de Lisboa para vencer o Atlântico com rumo à misteriosa África de há cinquenta anos, seguiu um casal de portugueses metropolitanos, acompanhado de dois filhos pequeninos.

            O chefe da família, natural de Torres Novas, ia tomar posse de um lugar superior no estudo e traçado dos caminhos de ferro que hoje ligam a cidade de Moçâmedes ao planalto da Huila.

            Sua esposa, natural de Lisboa, pensava em servir-se do seu curso de professora para leccionar e, trabalhando, auxiliar seu marido.

            Seus nomes: José de Vasconcelos Peyroteo e Maria da Conceição de Seixas Peyroteo.

            Dezoito anos depois, o casal contava doze filhos - nove rapazes e três raparigas - sendo três naturais da metrópole e nove de Angola.

            O autor destas memórias é o décimo primeiro. Nasceu na vila de Humpata, distrito de Huila, a 10 de Março de 1918.

            O caminho de ferro atingira a Umbia, no sopé da Serra da Chéla.

            Vencida esta, o comboio chegaria ao Lubango - hoje Sá da Bandeira - terminando a primeira fase dos trabalhos.

            Envelhecido e cansado, vítima do trabalho e do clima, meu Pai teve de regressar a Moçâmedes, onde uma violenta crise cardíaca o vitimou.

            Com doze filhos, o mais velho de 18 anos e a mais nova com sete meses, minha Mãe, teve, então, de fazer uso, por necessidade, do seu curso. Até então leccionara pelo gosto e prazer que sentia no ensino e convívio com as crianças, sem que os proventos que auferia fossem indispensáveis à economia do lar.

            Agora, quando apenas os dois filhos mais velhos estavam empregados e mal ganhavam para si, a falta de meu Pai assumia aspectos de tragédia em nossa casa.

            Dotada de coragem invulgar, de uma força de vontade indomável, consciente do seu dever, minha Mãe decidiu-se a lutar.

            Lutou e venceu!

            Conseguida a nomeação para professora oficial em Moçâmedes, começou a trabalhar como funcionária do Estado.

            Nas horas vagas e à noite, dava lições particulares.

            Não encontrarei palavras para descrever o que foi a sua vida de trabalho, de sacrifício e até de heroísmo, para criar e manter, decente e honestamente, todos os filhos.

            Que o leitor, Chefe de Família, se detenha um pouco e avalie por si próprio.

            Quando meu Pai faleceu, contava eu pouco mais de dois anos. Quis Deus dar-me por Mãe não apenas uma mulher, mas uma heroína e uma Santa.

            À sua memória dedico as páginas deste livro.

 

            Meu Pai casou duas vezes e do seu primeiro matrimónio com Leonor Micaela de Bívar Moreira de Brito Peyroteo - de quem enviuvou - nasceram três filhos: Maria Amélia, Henrique e Berta de Bívar Vasconcelos Peyroteo.

            Do segundo matrimónio, com Maria da Conceição de Seixas Peyroteo, nasceram, como já referi, doze filhos.

 

            OS PRIMEIROS PASSOS DE UMA LONGA CAMINHADA.

            Seria fastidioso descrever minuciosamente como iniciei a minha vida de futebolista, em Moçâmedes.

            Tal como a maioria dos mais famosos jogadores portugueses de todos os tempos, comecei por dar pontapés em bolas de trapos, depois nas de borracha, e, por fim, em bolas com o peso e dimensões regulamentares para a prática do “foot-ball association”.

            Lembro-me de que o primeiro grupo de que fiz parte só conseguiu comprar uma dessas bolas, destinada exclusivamente aos jogos de competição, mercê de subscrição aberta entre os próprios jogadores - rapazes cujas idades oscilavam entre os 8 e 9 anos.

            A formação das equipas constituía sério problema porquê nem sempre compareciam 22 jogadores. Daí a necessidade de escolher entre os “ases” presentes.

            Dois dos mais categorizados saíam do grupo, afastavam-se alguns metros e caminhavam na mesma direcção, colocando um pé em frente do outro, até se encontrarem. Aquele cujo pé, no momento do encontro, sobrepuzesse o do antagonista, ficava com o direito de iniciar a escolha, que se fazia alternadamente.

            E travava-se o diálogo:

            - O “Zé” é meu…

            - O Fernando é meu…

            - O António é meu…

            e assim se constituíam os dois grupos.

[p. 18]

            Moçâmedes é uma cidade do litoral de Angola, a última da ponta Sul, e a que um poeta chamou a “Sintra de África”.

            Só havia um campo destinado à prática do futebol, reservado aos adultos. De sorte que nós, os miúdos, disputávamos os jogos num parque conhecido pela “Avenida dos Eucaliptos”.

            Contra a inegável vantagem de jogarmos sob a sombra acolhedora dos gigantescos eucaliptos, que nos resguardavam dos efeitos perniciosos do sol tropical, lutávamos com a dificuldade de ter de conduzir a bola por entre as árvores e a necessidade de fugirmos ao adversário que surgia por detrás delas.

            As balizas eram constituídas por dois troncos das árvores que, embora plantadas mais ou menos simetricamente, não estavam, -de um lado e do outro, às mesmas distâncias. Mas isso não nos preocupava porque, decorrido metade do tempo, mudávamos de posições, ficando, desse modo, estabelecida a igualdade.

            Ora, em frente do saudoso “Campo dos Eucaliptos”, existia a Farmácia Correia Mendes, pertencente a um simpático velhinho que sempre me estimou e eu jamais deixei de respeitar.

            Recordo o bom velhinho, não só porque escrevia com uma letra muito miudinha, muito certinha e bonita - que não me cansava de admirar - mas porque era dentro da sua farmácia que estava o relógio que indicava o momento de “mudar de campo”. Isto porque a segunda parte do jogo durava, invariavelmente, enquanto se visse a bola.

            O cronometrista das partidas era um garoto, mais ou menos da minha idade, que me lembro chamar-se Bacalhau. Por ser enteado do simpático farmacêutico Correia Mendes, era o único a quem não faltava a coragem para, de vez em quando, ir ver as horas, entrando e saindo da farmácia em correria louca. Outro que fosse e o nosso Correia Mendes logo se enfurecia.

            E assim principiei a jogar futebol. Tudo se passou como é natural acontecer entre crianças.

            Não fui menino prodígio.

            Só aos 12 anos comecei a mostrar verdadeiras qualidades para a prática do futebol.

            Convêm acentuar que, já nesse tempo, na pequena e linda cidade de Moçâmedes, situada, embora, no extremo Sul de Angola, a mocidade praticava desporto, fazendo alguma coisa mais do que dar pontapés nas bolas.

            Fazíamos ginástica sueca; praticávamos a natação, o remo, o ténis, a equitação e atletismo, este em menor escala por carência de mestres possuidores dos indispensáveis conhecimentos para bem ensinar.

            Na cidade havia, nesse tempo, quatro clubes desportivos; o Sporting, o Royal, o Ginásio e o Atlético. Tal como quase no Mundo inteiro, o futebol é o desporto que mais adeptos conquista. Nunca faltaram jovens com vontade e jeito, nem jamais se disputou um prélio sem entusiásticos e numerosos espectadores.

            Seis dos meus irmãos mais velhos foram muito bons praticantes da modalidade e creio que quatro deles jogaram, ao mesmo tempo, na primeira categoria do Sporting Clube de Moçâmedes que, ao tempo, já possuía uma equipa composta de elementos . cuja classe ainda hoje teria aceitação nos quadros de futebol dos principais clubes metropolitanos.

            Entretanto, com os meus 8 ou 9 anos, continuava a jogar renhidos desafios que, de quando em vez, eram patrocinados e orientados pelos clubes grandes que levavam o seu interesse e carinho pela petizada, ao ponto de nomearem um árbitro “oficial” para dirigir esses jogos.

            Mas nos dias em que disputavam jogos oficiais, meus irmãos encarregavam-me de levar gasosas e limonadas, que bebiam nos intervalos e no fim dos encontros.

            E, se meus irmãos defendiam as cores do Sporting, eu era, também, sportinguista…

            Por motivos que não posso recordar nem interessam agora, dois dos meus irmãos tiveram uma desavença com os dirigentes do Sporting e isso deu lugar a que resolvessem mudar de clube, indo para o Royal.

            Eu, que nada tinha que ver com o caso, continuei a frequentar a sede do meu Sporting, todas as tardes, ao regressar da escola.

            Um dia estava entretido a ver jogar o bilhar quando surge o “Director de Semana”, Pedro Parente, mas que todos conhecíamos pela alcunha de “Piló”, e mandou-me sair, dizendo:

            - Vai-te embora daqui. Vai para onde foram teus irmãos!

            Tive ganas de lhe aplicar duas caneladas, mas eu era miúdo, ele um homem e, para mais, Director do Sporting!

            De nada me valeu barafustar. Fui posto na rua!

            Lembro-me perfeitamente que, já no passeio, lhe disse:

            -”O senhor, hoje, manda-me embora mas lá virá o tempo em que me pedirá para voltar. Chegará o momento de lhe dizer que nunca mais volto ao Sporting. Sou garoto, mas serei homem…

            Não acabei a frase porque as lágrimas corriam pela cara…

            Pedro Parente achou graça, riu abertamente e julgou que o azedume dá criança passaria em breve.

            Lá fui, passeio fora, choroso, humilde e triste, jurando a mim próprio que teria de me fazer um homem.

            Os meses passaram e, certa tarde, quando passeava no jardim público, alguém chamou por mim.

            Olhei e reconheci o senhor Ângelo de Mendonça, que me disse:

            - Senta-te aqui a meu lado e dize-me se queres fazer ginástica comigo.

            - Pois claro, senhor Ângelo; gostava tanto de aprender…

            - Ainda bem. Aparece amanhã, às 7 da manhã no Atlético; lá conversaremos. Agora, vai passear…

            Eu era um rapazola fisicamente bem constituído, forte, sadio e desempenado.

            Mas o leitor perguntará: - “quem é Ângelo de Mendonça”?

            Antes de mais posso garantir, sem receio de desmentido, que a mocidade do meu tempo, em Moçâmedes, muito lhe ficou devendo e não o esquecerá. No meu caso pessoal, as páginas que se seguem darão ao leitor uma pálida ideia do que, ainda hoje, representa para mim, em gratidão e respeito, o nome desse grande ginasta e meu primeiro Mestre.

            Ângelo Furtado de Mendonça, foi um dos nossos maiores ginastas-voadores, sendo, igualmente, estrela de primeira grandeza nos trabalhos em paralelas, barra fixa, argolas, etc.

            Aluno, mestre e, mais tarde, dirigente do Ginásio Clube Português, ainda há bem pouco tempo foi alvo de significativa homenagem, levada a efeito no Pavilhão dos Desportos em Lisboa.

            Pois foi Ângelo de Mendonça, levando-me para o Atlético Clube de Moçâmedes, onde mantinha, graciosamente, várias classes de ginástica, que fez de mim um homem para o desporto. De mim e de muitos rapazes, entre os quais destaco .Fausto Corte Real e Jorge Radich.

            Estes dois pupilos de Mestre Ângelo, atingiram classe aparte, e, se tivessem vindo para a Metrópole, seriam, certamente, classificados entre os melhores daquele tempo.

            Mas é melhor contar como ele fez de mim um razoável ginasta, um campeão de natação (100 metros livres), um remador aceitável em. qualquer equipa desse tempo, um basquetista de apreciáveis recursos, um jogador de futebol com lugar na Selecção Nacional Portuguesa e, até, um razoável jogador de “sueca” e “solo”!

            Eu estava na flor da idade e Mestre Ângelo dizia que, enquanto estivesse entretido a jogar às cartas, como seu parceiro, ali sentado, não andaria lá por fora a fumar e a fazer “exercícios físicos” e “manuais” (sic) que só arruinavam a mocidade…

            Quanta razão tinha e como ainda hoje lhe agradeço, meu bom Mestre Ângelo de Mendonça!

            Muito custou a passar aquela noite. Quase não dormi. Às 7 horas da manhã, lá estava.

            Principiou a aula e, desde então, Ângelo de Mendonça dedicou-me sempre, mas sempre, cuidados especiais.

            Obedecia-lhe cegamente; recebia como ordens todas as suas indicações e conselhos.

            Disse-me certa vez: - “Se quiseres vir a ser um bom jogador de futebol, tens de começar pela preparação física. Não basta correr, saltar e dar pontapés na bola. É indispensável, primeiro, saber correr e saltar. Durante uns tempos nada mais farás do que ginástica. O resto, depois, não é difícil porque tu tens jeito!

            E assim aconteceu. Durante dois anos só fiz ginástica sueca e depois comecei a tomar contacto com os aparelhos.

            Mas, nessa altura, já era eu quem ficava à frente da minha classe de ginástica sueca. Para os outros verem, fazia eu, primeiro, os exercícios, conforme as vozes de comando de Mestre Ângelo. Depois, acompanhava a classe, em repetição.

            Muito me sacrifiquei e muito sofri, para conseguir passar dois longos anos sem jogar futebol a sério. Nadava e jogava basquetebol

            com frequência, mas não perdia as aulas de ginástica, três vezes por semana.

            Sempre quê dispunha de um bocadinho de tempo, assistia aos treinos de box, ministrados pelo boxeur profissional, Joaquim Pereira Gois, sob orientação de Mestre Ângelo.

            A verdade é que, após aqueles dois anos de intensiva preparação, sentia-me mais leve, mais ágil, para correr e saltar e, portanto, com capacidade física para tentar, com relativa possibilidade de êxito, 0 meu desporto favorito: o futebol.

            Autorizado pelo meu professor, comecei, então, a jogar futebol.

            O Atlético dispunha de poucos jogadores com valor e, por isso, apenas inscrevera uma equipa na categoria “reservas” do campeonato moçamedense e da qual fiz parte.

            Nesses anos realizou-se o encontro entre as selecçÕes de Moçâmedes e Sá da Bandeira. Era o “Portugal - Espanha” angolano.

            Aos 14 anos, jogando numa equipa que disputava o campeonato de “reservas” fui convocado para a selecção.

            Não cabia em mim de contente!

            E o miúdo - era assim que me tratava Ângelo de Mendonça - lá foi integrado na Selecção de Moçâmedes, com o lugar de interior direito.

            Joguei e não me saí mal. Ganhámos!

            No ano seguinte, o meu clube formou a sua equipa “Honra” e inscreveu-a. Era composta, com poucas alterações, pelos elementos do ano anterior. Chegámos ao fim do campeonato conquistando o título máximo!

            Mas voltemos, agora, um pouco atrás.

            O tempo decorrido fizera esquecer o azedume suscitado entre meus irmãos e o Sporting.

            Um deles, o Mário, que fora um dos melhores extremos direitos da Colónia, abandonara o futebol e aceitou, até, um cargo na direcção daquele clube.

            Coincidira isto com o meu aparecimento na equipa de “reservas” do Atlético e, também, na Selecção de Moçâmedes.

            Instado pelos seus colegas da direcção do Sporting, o Mário tentou levar-me para lá. Tantas vezes me falou que, um dia, respondi-lhe:

            - “És mais velho do que eu. Se é uma ordem, obedeço-te. Se é um pedido recuso-me”.

            Porque era um pedido, nada conseguiu.

            Chegou a vez de Pedro Parente me procurar.

            Argumentou que não fazia sentido jogar contra meu irmão Júlio e, como bom rapaz, devia esquecer o passado, etc.

            Deixei-o falar, antegozando o momento de lhe responder como devia. A certa altura interrompi o discurso para lhe dizer:

            - Já basta, senhor Pedro Parente! Não esqueci o que me fez. Nem as minhas lágrimas o comoveram. O miúdo de há anos continua a ser o mesmo e a ter palavra. Jurei e cumpro: não voltarei ao Sporting Club de Moçâmedes!

            Ainda hoje vibro ao recordar, sentindo íntima satisfação e orgulho pela maneira correcta mas altiva como recusei o convite e as mal disfarçadas desculpas de Pedro Parente.

            Na realidade, sempre me desagradou e foi penoso ser adversário de meu irmão Júlio, que era extremo-esquerdo de invulgares recursos.

            Descreverei uma jogada, para ilustrar a sua categoria de futebolista.

            Quando a Académica de Coimbra foi a Angola, era seu guarda-redes o grande Cipriano dos Santos, mais tarde Campeão do Mundo em hóquei em patins. Tão popular e simpático que o seu nome ainda hoje é recordado, especialmente quando se fala no hóquei.

            Num jogo disputado em Luanda, o Júlio fintou dois adversários em curtos metros de terreno, surgiu, isolado, em frente da baliza à guarda do Cipriano e o “tiro” partiu, batendo, irremediavelmente, aquele que, ao tempo, era um dos melhores guarda-redes das equipas metropolitanas.

            Terminado e encontro, Cipriano dos Santos declarou que considerava Júlio Peyroteo, tão bom ou melhor extremo-esquerdo que João Cruz.

            Não é isto verdade amigo Cipriano? Viste por onde entrou a bola? Recordemos, com saudade, os bons tempos da nossa vida desportiva…

            Aberto este parêntesis, voltemos à minha história.

            Continuei a fazer parte da primeira equipa do Atlético e da Selecção de Moçâmedes, sempre que esta realizou jogos.

            Na ginástica, Angelo de Mendonça dizia:

            - “Vês com que facilidade sobressais dos outros? Mais ágil, mais forte, com mais fôlego! Continua, Fernando; eu te garanto que o teu nome será falado!”

            Mestre Ângelo, com o seu saber, fez um atleta. O resto foi simples e fácil para mim.

            Se não fosse ele, o nome de Fernando Peyroteo seria ignorado no meio desportivo nacional e, portanto, nunca este livro seria escrito.»

 

In: Peyroteo, Fernando - Memórias de Peyroteo. 5ª ed. Lisboa : [s.n.], 1957 ( Lisboa : - Tip. Freitas Brito). pp. 15 - 25

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