(Mau) Serviço público

A RTP, televisão pública que todos nós pagamos na factura da electricidade e provavelmente por subvenções estatais (nada contra esta última se o objectivo for manter isenção democrática na programação), prestou-se ontem ao serviço de, em ocasião de campanha eleitoral para as eleições no FCPorto, conceder em horário nobre mais de uma hora de tempo de antena a Pinto da Costa, um dos candidatos.
Uma entrevista em tom meloso, sem tocar, ou a tocar pela rama, nos assuntos que realmente interessavam. Quem estava a ser entrevistado não era o cidadão Pinto da Costa, que não fora o acaso (como o próprio confiou) de ter sido nos últimos quase 50 anos presidente do FCPorto, seria mais um cidadão como tantos na cidade do Porto e no país.
Esteve mal a RTP e a jornalista, ao prestarem-se a este papel de branqueamento de uma carreira de dirigente marcada por casos gritantes e provados de corrupção activa que ao contrário do que afirma, não foi absolvido por estar inocente, foi absolvido porque as escutas que ficarão para a posteridade não foram consideradas em julgamento, por alegadamente não terem sido obtidas de forma conforme a Lei.
No dia em que vem à luz uma operação que detém gente ligada a si Pinto da Costa e ao FCPorto, o mínimo que a RTP deveria ter feito, era meter o programa na gaveta.
Que as TV's privadas recorram a estratagemas manhosos para conseguir audiências já não é muito "católico", que a RTP o faça, é condenável.
