Luís Filipe Vieira: "Se o Rúben Amorim ficar, o Sporting terá a hegemonia do futebol português"
Não há dúvida que se trata duma frase forte, de alguém que não nasceu em berço de ouro como o Pinto da Costa, ou de cobre como Bruno de Carvalho, mas bem cedo teve de lutar pela vida e de parvo não tem nada.
Que o diga o nosso ex-presidente, que muito à conta dele, que soube e bem instrumentalizar e manipular terceiros para o efeito, deixou o Sporting perder um campeonato que estava praticamente ganho e entrou numa deriva alucinada que conduziu o Sporting à perda da ida à Champions e ao assalto a Alcochete e a ele à destituição e expulsão de sócio.
Foi Luís Filipe Vieira o criador do polvo encarnado, uma rede tentacular de influência que não se limitava à arbitragem e aos poderes do futebol mas tentava chegar a todo o lado, ao político e ao judicial, alimentado por ofertas variadas e lugar na tribuna nos grandes jogos. Um polvo que partilhava território com o "sistema" alimentado pelo seu amigo Pinto da Costa. Os dois "padrinhos" guerreavam-se em público e entendiam-se em privado, no "Rei dos Leitões" da Mealhada ou noutro sítio qualquer, eram as tais "duas nádegas malcheirosas" de que falava o nosso ex-presidente antes de se ir estupidamente colar a uma delas. Enquanto o amigo do Norte caiu estrondosa e definitivamente da cadeira (vamos ver como termina a coisa), Vieira também caiu mas não desistiu de levantar-se. E o "principezinho" amnésico que se cuide.
A verdade é que o Sporting vai enfrentar a próxima temporada com o presidente mais consensual, mais experiente, mais capaz e mais titulado, dos três grandes, muito à frente de Rui Costa e de Villas-Boas. Muito do que estes querem ou vão ter de fazer, ele já o fez, nomeadamente o saneamento financeiro, a limpeza dos processos judiciais pendentes e o fim da promiscuidade com as guardas-pretorianas, as claques ou matilhas não reconhecidas como tal.
Quanto ao director desportivo e ao treinador, a mesma coisa. Rúben Amorim enfrentará do lado do Benfica um Schmidt fortemente contestado pelos sócios e do Porto pelos vistos um adjunto traidor com a sombra do Conceição a pairar sobre um balneário fragmentado. Enquanto António Oliveira prepara o assalto ao poder.
Então com Frederico Varandas, Hugo Viana e... se Rúben Amorim ficar, o Sporting, como diz Vieira, terá a hegemonia do futebol português. Porque não ? Faria todo o sentido... se não fosse o resto... algum do que vimos no Jamor, muito do que existe na FPF, na Liga, na APAF, na Associação de Treinadores e que não desaparece dum dia para o outro. De facto ainda há muito caminho a percorrer para que isso aconteça. E o primeiro a saber isso é o autor da frase. Luís Filipe Vieira.
Também ontem, na final da Taça de Andebol, que ganhámos mesmo com uma arbitragem impiedosa que nos colocou a jogar com quatro algures na segunda parte, ouvi a mesma coisa. O Sporting, se Ricardo Costa ficar, terá a hegemonia do andebol português. Depois de ter ganho esta época supertaça, campeonato e taça, com Miguel Afonso, Carlos Carneiro e Ricardo Costa, o Sporting parte para a próxima época em grande vantagem perante os rivais, com dirigentes, treinadores e plantéis em grande mudança.
Futebol e andebol, sem desvalorizar o futsal, são dois exemplos no momento de projectos desportivos de sucesso, que começaram em condições bem difíceis e souberam sempre perceber o ADN do clube e manter um rumo de esforço, dedicação, devoção e glória que orgulha o Sporting Clube de Portugal.
Chega isso para a tal hegemonia? A verdade é que, qualquer que seja a modalidade, continuamos a ter de jogar muito mais do que os adversários para ganhar.
SL
