Jogos Olímpicos
No meu tempo chamava-se Ginástica.
Havia uma classificação qualitativa ( de Mau a Muito Bom ) e confesso que não tenho memória se afectava a classificação final geral.
De qualquer modo, era disciplina obrigatória e numa altura em que o dinheiro não abundava, e francamente não havia a qualidade e quantidade de oferta que há hoje, o equipamento, fato de treino de flanela verde incluído, era costurado pela mãe e as sapatilhas, hoje eufemisticamente apelidadas de ténis, sejam para a prática desse desporto ou não, eram as verdadeiras sapatilhas de ginástica, que serviam para tudo, até para correr. Mais tarde haveriam de chegar as Sanjo e depois as Adidas...
Serve o intróito para falar da importância da educação física em geral e do currículo escolar em particular.
Em todos os países onde o desporto ( e não só a corrida ) é encarado como parte essencial do desenvolvimento dos jovens e do bem-estar dos menos jovens, quando em competição os resultados positivos aparecem quase que naturalmente. Entendam como "naturalmente" um trabalho cuidado desde a pré-primária com objectivos definidos: Proporcionar uma melhor qualidade de vida aos cidadãos e por arrasto proporcionar aos que se distingam a possibilidade de se transcenderem e em competição demonstrarem as suas aptidões. Em regra, os atletas destes países têm mais possibilidades de conquistar medalhas em competições de alto nível.
É certo que o universo de escolha é importante, mas se fosse esse o caso os atletas da União Indiana, p.e., estavam carregados de medalhas e isso não acontece. Então, provavelmente, a qualidade do ensino é factor essencial para a obtenção de resultados. Basta ver as grandes potências da modalidade, como tratam a educação física e o desporto em geral. Há países que até atribuem bolsas universitárias aos melhores atletas, vejam bem! As universidades disputam os melhores atletas, coisa extraordinária.
É verdade que no meu tempo, quando a Ginástica era obrigatória, os resultados eram medíocres, exceptuando talvez uma medalha olímpica no hipismo, muitos anos antes e as vitórias no hóquei em patins, que não se percebe como não é modalidade olímpica, a propósito.
Os resultados começaram a aparecer nos finais dos anos setenta, resultado de uma democratização do desporto e porque correr não custava dinheiro.
Outros desportos foram-se desenvolvendo, fruto do investimento dos clubes e duma saudável rivalidade entre eles, o que fez com que de lá para cá, em pouco mais de quarenta anos, conquistássemos vários títulos europeus, mundiais e olímpicos a nível individual e colectivo. O palmarés do nosso país, longe de ser glorioso, enobrece quem se dedicou de corpo, alma e coração a um objectivo maior, que foi o de elevar o nome de Portugal ao mastro mais alto. Sem referência a nomes, pessoas houve que deram tudo de si a esta missão que tomaram como sua e levaram a água ao seu moínho.
Dizem por aí que os resultados dos portugueses nestes Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, foram fracos e muito aquém do esperado.
Discordo em absoluto! Senão, tomem lá uns números para reflexão:
Melhor prestação de sempre em termos de resultados nos seis primeiros: Dez atletas conseguiram-no.
19 classificações no 'top 10', e mais 13 até aos 16 primeiros. Dos 91 atletas, 29 regressam a casa com diploma, 38 estão no 'top 10' e 50 na posição de semifinalistas.
Conseguiu-se uma medalha de bronze. Mas convém não esquecer que em termos de medalhas, sendo Telma Monteiro a única a consegui-lo, Portugal só conseguiu duas medalhas por cinco vezes e três em duas ocasiões.
Ouviram-se algumas críticas de atletas e treinadores ao Estado e à forma como apoia o alto rendimento, não tanto pela falta de apoio, pareceu-me, mas pela qualidade do apoio prestado. Há hoje novas técnicas e equipamentos auxiliares de treino que urge colocar ao dispor e que provavelmente não implicarão um investimento por aí além. Haja vontade política para dedicar ao desporto, começando pelo desporto escolar, a atenção que ele merece. A maioria dos autarcas deste país já deu o seu contributo e foram nascendo como cogumelos pavilhões, polidesportivos, piscinas, pistas de atletismo, etc, que se encontram, parte deles, às moscas. Senhores decisores, é favor encontrar forma legal de os colocar ao serviço dos atletas e procurar rentabilizar o investimento.
Uma certeza tenho, se não houver vontade política (este chavão serve para tudo), o esforço dos nossos atletas, treinadores e dirigentes, não sendo em vão, difícil e raramente atingirá o topo, como é desejo de todos, a começar por eles próprios.
Por fim, em jeito de desafio, compare-se os apoios dados a estes atletas e os apoios dados às empresas, para se internacionalizarem.
Compare-se também os resultados.
