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És a nossa Fé!

#JeSuisBruno!

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Acho que te passaste. Cobarde, atemorizei-me ao assim te ver. Implacáveis, as malvadas bruxas Razoabilidade e Pertinência assombraram-me, estremeceram-me, fizeram-me teclar o abandonar-te, o trair-te. Choro-me agora, ao ver-te tão menos rodeado aí no mato do qual te recusas a fugir – onde até, pérfidos cruéis, te fotografam no desabrigo da dor. E eu aqui no bem-bom da fogueira dos razoáveis, a galinha a crepitar no fogo, no odor dos caldos de legumes, no calor da massa cozida. Este malvado alpendre do conforto, ao qual já chegam, noite fora, vindos de outras aldeias, todos estes nobres, os notáveis, os doutores, sorriso armado, agora a cumprimentarem-nos, quais connosco solidários, como se não nos quisessem esquecer logo que o puderem. Acho que te passaste. Cobarde, atemorizei-me ao assim te ver. Temi essa tua húbris que, mero homem velho, já não tenho, nem nunca tive, e é essa a triste verdade, quando jovem. Esqueci o quão glorioso é este toque da loucura pública, arrebatador de futuros. Refugiei-me nisso de que tu amas o só Sporting enquanto eu me dedico à idolatria da mais Pátria. E nisso emouqueci às verdades que tonitruas. Que para ambos servem. Revejo em volta, todas estas fogueiras já cheias destes tais nobres aportados, melífluos, os notáveis, esses do clã “patrocinadores”, os da nação “investidores”, e mesmo os “responsáveis” das linhagens, e até mesmo, pois já chegados, esbaforidos, acudindo aos previstos concílios, os estrangeiros “empresários”. Deixo para outrem o prato da massa, levanto-me, roubo um frasco de hidromel e bebo-o, só eu. Renasço-me. Finjo isso. E ganho a coragem para te pedir que me deixes regressar. Deixa-me estar contigo, permite-o. Um braço velho, um escudo fraco, um mero teclado a fingir-se machado. Somos menos à tua volta do que os que já fomos, dos que éramos há dias, talvez muitos menos. Pois tantos terão partido, alguns errando sós, à espera de um Algo, até de um alguém. Outros já acantonados, agora com menos paixão, é certo, na miragem de outras esperanças de troféus prometidos, saques de glória e contentamento. Sei, porque estou agora nessas outras fogueiras, que já abundam esses grupos, seus capazes e sequazes. Mas deixa-me, ainda que assim, estar contigo, voltar a ulular #JeSuisBruno!. Desconfio que vamos perder isto, quase o sei de certeza garantida. Mas esta nossa derrota é a única coisa que me resta. E se eu me acobardar outra vez, velho com sonhos de respeitabilidade que vou, manda passar-me o(s restos do) jarro de hidromel. E a nossa vitória será gloriosa. Ou, mais ainda, sê-lo-á a estrondosa derrota.

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