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És a nossa Fé!

Hoje giro eu - Tiago, o fanfarrão humilde

O oxímoro (paradoxo) do título caracteriza aquilo que têm sido as intervenções públicas do até há pouco tempo atrás treinador (interino) do Sporting, um homem aparentemente avesso ao som do silêncio (outro oxímoro) e que não parece fazer da discrição uma forma de vida.

 

Há um lado "fofinho" em Tiago Fernandes que humildemente transmite “estar sempre pronto a ajudar”, logo entrecortado pelo gabarola “é difícil chegar algum treinador e ensinar-me mais de futebol do que eu percebo”. Ora, alguém que está sempre pronto a ajudar e a quem é difícil ensinarem-lhe mais de futebol do que ele percebe terá de seguir uma carreira a solo, como treinador principal, porque a alternativa, a de ser um adjunto que presume saber mais do que o líder da equipa técnica - algo com que Peseiro terá tido de lidar, ele que até já tinha um outro presume (Nuno, com P grande) na sua equipa técnica – parece redutora para tanto saber e poderia pôr em causa a prazo a hierarquia de comando.

 

Peseiro saiu, Tiago ficou. E logo tentou dar o seu cunho pessoal às coisas. Na organização do meio campo, na saída de bola, no sistema de jogo houve alterações significativas e positivas face ao passado recente, sinal de que Tiago possui ideias próprias (boas, diga-se) e não tem rebuço em as pôr à prova. Tem, no entanto, e ao contrário do que transmite e a crueza dos resultados mostra, ainda muito que aprender. A primeira grande lição do resto da sua vida ocorreu em Londres, no Emirates, onde levou “um banho de bola” da equipa comandada por Unai Emery, incapaz que foi de pôr em prática as ideias ofensivas que teria para os leões nesse jogo, acabando por as fazer capitular em função do chutão para a frente e sem que a equipa realizasse um único remate enquadrado com a baliza, algo não visto quando alguns dias depois o Wolverhampton, comandado por outro técnico português (Nuno Espírito Santo), visitou a capital londrina e defrontou a, então sim, equipa titular do Arsenal. Acresce também que na época passada ficaram algumas questões no ar sobre a gestão da equipa de juniores, nomeadamente no que concerne à pouca utilização dos mais promissores jogadores de primeiro ano (Diogo Brás e Bernardo Sousa à cabeça), os quais vinham num percurso ascendente (e com 3 títulos consecutivos conquistados nos escalões de iniciados e juvenis) e pareceram regredir (Diogo Brás foi repescado na parte final da época por Luís Martins para a equipa B), preteridos em função de jogadores 1 ano mais velhos mas com muito menos talento e que dificilmente virão a ser uma opção de futuro no Sporting. Como em tudo na vida, uma coisa são as ideias, outra a sua execução prática e a resiliência que é necessária para, acreditando num caminho, não dele descarrilar.

 

Tendo sido anunciado pelo próprio que ficará ao leme dos Sub-23, algo que tem o seu quê de insólito pois deveria ter sido inicialmente transmitido pelo clube e acompanhado da solução pública para José Lima (anterior treinador do escalão), resta-me desejar que realize um bom trabalho e contribua para o crescimento dos jovens jogadores a seu cargo e sua futura integração na equipa A. Não deixo de pensar, no entanto, que a melhor solução seria tentar colocá-lo como treinador principal numa equipa da 1ªLiga, assegurando um direito de opção. Isso permitir-lhe-ia crescer e aprimorar os seus princípios de jogo ao mesmo tempo que a Estrutura leonina poderia ir aferindo o seu progresso num nível competitivo mais elevado, podendo um dia tornar a Alvalade, mais rodado, pronto para cumprir o desígnio pessoal a que aparentemente se propôs, até porque boas bases ele tem. Até lá, deixemo-nos de idolatrias para com quem, apesar de talentoso, ainda tem todo um percurso a fazer e, sem autofagias, criemos condições para que Keizer se integre e possa trabalhar sem sombras e em paz. Não é de todo um nome sonante, mas é um homem de projecto (e uma decisão corajosa de Frederico Varandas) e o Sporting necessita de seguir uma filosofia que lhe assegura a sustentabilidade presente e futura, sem descurar a competitividade desportiva. Obviamente, um nome menos conhecido dará menos garantias no curto-prazo, pelo que a chave do sucesso desta escolha recairá muito no apoio, determinação, cobertura e resiliência que a administração da SAD, com Varandas à cabeça, mostrar para com ele. Que sejam todos felizes, pois tal encheria de alegria a vastíssima maioria dos sportinguistas, que merecem como ninguém momentos de glória no futebol. 

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