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És a nossa Fé!

Hoje giro eu - Marcel Keizer

Para a vasta maioria dos adeptos leoninos, Keizer é um perfeito desconhecido. Sem querer ser muito Verbal sobre isso, tal como o outro Keizer (Soze) dos "Suspeitos do Costume" muitos agora falam dele mas poucos o viram em acção. Curiosamente, Marcel é sobrinho da, essa sim, bem conhecida estrela de outrora do Ajax, o extremo Piet Keizer, contemporâneo de Johann Crujff, sobre quem um dia o jornalista Nico Scheepmaker afirmou: "Crujff é o maior, mas Keizer é o melhor". Eis a radiografia possível neste momento, em 11 pontos (como uma equipa de futebol), num trabalho baseado em crónicas de jornais e vídeos de jogos que pretende apresentar o técnico como ele é, mostrando as suas qualidades e desvendendo alguns mitos entretanto criados:

 

  1. Aposta num perfil: partir para uma escolha de um nome a partir de um perfil é sempre algo de elogiar. O Sporting parece pretender uma proposta de futebol agradável e a aposta nos jogadores da sua Formação.
  2. Sistema de jogo: mais do que o tradicional 3-4-3 do Ajax, Keizer parece preferir um 4-3-3, com a saída de bola a ser encarregue aos 2 centrais, sem que o jogador da posição "6" recue para a linha defensiva para pegar no jogo, o qual é essencialmente direccionado pelo interior.
  3. Experiência na Formação: nos últimos dias muito se tem falado de Keizer ser um treinador com vasta experiência na Formação. Tal não corresponde à realidade, destacando-se apenas uma passagem pelo Jong Ajax (equipa B dos "lanceiros"), na temporada de 2016/17, para além de 5 meses na equipa principal do grande clube de Amesterdão (2017/18), clube que nunca abdica de apostar na sua cantera
  4. Aposta em jovens: apesar de muito do trabalho de imposição na equipa principal ter sido desenvolvido pelo treinador anterior (Peter Bosz), consolidou a aposta nos jovens De Ligt, Frankie De Jong, Dolberg, Neres e Ziyech, entre outros.
  5. Escola do Ajax: tem apenas ano e meio de Ajax, entre equipa A e equipa B.
  6. Experiência a alto nível: treinou apenas durante 5 meses o Ajax (entre Julho de 2017 e Dezembro de 2017), tendo sido despedido após uma derrota para a Taça da Holanda contra o Twente. Não conseguiu ultrapassar as pré-eliminatórias quer da Champions, quer da Liga Europa (no ano anterior, com Peter Bosz, o Ajax chegou à final contra o Manchester United). Antes treinou o Cambuur (único clube primodivisionário que treinou para além do Ajax e que desceu de divisão), o Emmen, Telstar, VVSB, Argon e UVS, tudo clubes de segundo plano do futebol holandês. 
  7. Resultados: estava em segundo lugar no campeonato holandês de 2017/18 quando foi despedido. Realizou 17 jogos e fez 38 pontos, correspondentes a 12 vitórias, 2 empates e 3 derrotas. O treinador que se lhe seguiu (Erik Ten Hag), com o mesmo número de jogos fez apenas mais 3 pontos, terminando o Ajax com um total de 79 pontos e o segundo lugar no campeonato, posição que aliás já ocupava quando Keizer era o seu treinador.
  8. Curiosidade: dos 3 tristes trincos para a inspiração no clube dos 3 treinadores de cabeça rapada. Desde a saída de Frank de Boer, o Ajax teve Peter Bosz, Marcel Keizer e Ten Hag. Muita escola de Ajax, pouca escola de barbeiro. 
  9. Propensão atacante: impressionam os números atacantes de Keizer no Ajax. Na equipa B, onde se classificou em segundo lugar, a sua equipa marcou 93 golos em 38 jogos, uma média de 2,45 golos por jogo; na equipa principal dos "lanceiros" fez ainda melhor: 51 golos em 17 jogos, uma média de 3 golos por jogo. Destacam-se as vitórias por 8-0 no campo do NAC Breda, em casa contra Sparta de Roterdão (4-0), Roda (5-1) e PSV Eindhoven (3-0), e fora contra Feyenoord (4-1) e Heerenveen (4-0).
  10. Fragilidade defensiva: se a proposta de jogo dos holandeses faz parte do património do futebol mundial, não deixa de ser verdade que a nível táctico ficam muito atrás do futebol português. Nesse aspecto, há que temer o desempenho de Keizer contra equipas fortes na transição ofensiva. Com os "lanceiros", na equipa B sofreu 54 golos (em 38 jogos), na equipa A sofreu 16 golos (17 jogos). Defensivamente, nota-se pouco apoio dos médios nas tarefas defensivas e o trinco muitas vezes não cola aos centrais deixando espaço para as entradas dos médios adversários. Adicionalmente, defendendo a equipa muitas vezes apenas com 3/4 jogadores, criam-se muitas situações de 1x1 na área, com apenas 1 central a marcar o ponta-de-lança contrário e imenso espaço livre à volta.
  11. Conclusão: com um currículo modesto, destaca-se pela positiva a sua proposta de jogo ofensivo. Necessitará de muito apoio de toda a Estrutura, nomeadamente de paciência por parte do presidente e do conhecimento do campeonato e da matreirice das equipas que o compõem por parte dos adjuntos, para poder ter sucesso. É uma aposta de altíssimo risco, embora a proposta de jogo possa ser entusiasmante. No entanto, o vídeo expõe imensas debilidades na transição defensiva ou, dito de outra forma, "video killed the (former) TelStar (coach)". Que os deuses da fortuna estejam com ele!

Marcel_Keizer.jpg

 

 

Curiosidade: Gudelj é filmado nas bancadas aos 2:52 do 2º vídeo.

Quem quiser ficar a conhecer melhor o treinador, em discurso directo ou pela boca de quem com ele se cruzou, pode visualizar aqui ou aqui .

Para estatísticas do seu trabalho mais recente, consultar AjaxJong Ajax e carreira .

Para notícias sobre os motivos invocados pelo clube (Ajax) para o seu despedimento, consultar aqui .

 

2 comentários

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    Pedro Azevedo 06.11.2018

    Caro José, agradeço as tuas amáveis palavras. Daquilo que vi, da capacidade concretizadora das suas equipas, creio que Marcel Keizer pode deixar uma marca positiva. Agora, não é um treinador com experiência relevante na Formação, não é um treinador com muitos anos de Ajax (mesmo como jogador teve apenas uma fugaz passagem), só tem 28 jogos na primeira divisão na Europa e não tem títulos. Dito isto, até pode correr bem, mas necessita de uma rápida adaptação ao futebol português e de muito apoio. E a demora na sua chegada e um conjunto de outras situações que não quero estar a consubstanciar aqui e agora levam-me a temer o futuro. Fala-se também de um futuro adjunto que é actualmente adjunto de JJ, de um nosso futuro médico que trabalha actualmente com o treinador no AL Jazera e que dele terá dado boas indicações (admito que esta última possa ser uma atoarda e/ou conter dose elevada de especulação por parte da imprensa), o que a juntar ao resto levanta muitas interrogações e incertezas. E isso não é bom, não pode ser bom. Apesar de tudo, que se dê uma oportunidade ao homem, mas que se lhe deixe o caminho desimpedido e tenha apoio para que possa mostrar o que sabe.

    Aquilo que vi até agora de Frederico Varandas é uma preocupação com a criação de uma Estrutura apoiada numa ideia/projecto. Isso, para mim, é positivo. Contratou um médico para o alto rendimento, um profissional de preparação física actualmente a trabalhar no rugby da Nova Zelândia e um "olheiro" que estava há muitos anos no Porto. A escolha do putativo novo treinador também obedece a essa ideia/projecto. O que me está a causar apreensão é, primeiro, não ter tanta certeza de que o perfil de Keizer se encaixe no perfil que Varandas pretende (o futebol holandês tem regredido tácticamente e actualmente é presa fácil para outros adversários europeus, como o prova a ausência sucessiva da Holanda das grandes competições), segundo, a gestão dos timings disto tudo, que me parece má.

    Um abraço
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