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És a nossa Fé!

Hoje giro eu - I have a dream (*)

jesus2.jpg

 

O sorteio da Champions League ditou que tenhamos de jogar contra Barcelona, Juventus e Olympiacos.

Deprimido? Nada. Eu penso que, em vez de uma ameaça, temos aqui uma oportunidade de afirmação do Sporting, como enorme clube que é, no sentido de fazer cumprir o ancestral lema de José de Alvalade de sermos "tão grandes como os maiores da Europa".

Aquilo que vamos necessitar é de uma preparação mental específica para estes desafios.

Jesus tem aqui uma possibilidade de mostrar ao mundo a qualidade da sua liderança.

Vamos por partes: os treinadores habitualmente preparam os jogos a explicar "o que fazer" (estratégia/modelo de jogo) e "como fazer" (nuances tácticas). Eu julgo que estes jogos têm de começar a ser ganhos na componente mental. Mais do que "o que" ou "como", o que cria elo emocional nos jogadores (e até nos adeptos) é o "porquê".

Porque é que jogamos no Sporting, porque é que estamos na Champions, porque é que precisamos ultrapassar estes obstáculos (adversários) são as questões que Jesus tem de ter na sua cabeça resolvidas para, então, as expôr aos jogadores, a fim de galvanizá-los. 

Porque é que, entre tantos pregadores na sua época, Martin Luther King evidenciou-se? Porque em vez de se focar no ódio racial como outros ("o que") ou nas formas de luta ("como"), o Dr. King afirmou ao mundo que tinha um sonho, um sonho de um mundo melhor, onde brancos e pretos coexistissem em igualdade de oportunidades. 

Os irmãos Wright eram uns modestos donos de uma loja de bicicletas. Paralelamente, Samuel Pierpont Langley tinha um contrato de 50.000 usd, uma fortuna nesse tempo, dados pelo Departamento de Defesa americano para construir uma máquina voadora, um avião. Era seguido pelo New York Times, que lhe garantia cobertura mediática. Mas, a Langley faltava a razão ("o porquê"), ou por outro, o seu objectivo era ficar conhecido como o primeiro homem a voar, o que não foi suficientemente inspirador. Os irmãos Wright, por outro lado, não tinham cursos superiores, não tinham financiamento, mas possuiam um sonho, uma causa, um objectivo, o de mudar o mundo e, com essa premissa, conquistaram o coração das pessoas e conseguiram os meios necessários para serem os primeiros a voar. Samuel Langley, quando soube das noticias, desistiu, a sua paixão não era voar, era o reconhecimento que isso lhe daria. 

O nosso cérebro tem 3 níveis: o nível da linguagem, o dos sentimentos e o do comportamento. É este último, o mais profundo, que importa estimular.

Jorge Jesus nada tem a perder e tudo tem a ganhar. Mas, não pode começar com o discurso de que já cumprimos o objectivo. Isso é óbvio e, como tal, trazê-lo a público só vai ajudar a desresponsabilizar os jogadores, a retirar-lhes a ambição.

O nosso treinador tem de encontrar um argumentário, uma narrativa de clube, ideais, ambições que empolgue os jogadores. 

A história do Sporting é feita de desencontros com a própria...história. Se não, vejamos: quando em oito anos, ganhámos 7 campeonatos nacionais e tinhamos uma equipa quase imbatível não havia Champions, nem Taça dos Clubes Campeões Europeus. O Sporting, na época, realizou uma série de jogos particulares contra algumas das melhores equipas europeias e mundiais e saiu vencedor da maioria, constituindo-se como uma potência europeia. Assim, desse tempo destacam-se a vítória em Madrid, frente ao Atlético, por 6-3 com 6 golos de "Necas" (Jesus Correia), o triunfo por 8-2 face aos campeões suecos do Norrkoping, de Nordahl e Liedholm, que mais tarde constituiriam o famoso trio avançado Gre-no-li, com Gunnar Gren, no AC Milan, equipa italiana essa com que perderíamos uma Taça Latina, por 3-4 e após prolongamento, vencendo depois na mesma competição os campeões espanhóis do Valência por 4-1 (!), 4-1 ao Anderlecht, 8-2 ao Lille e 3-2 ao Vasco da Gama, de Barbosa e Friaça (melhor marcador), titulares no Mundial de 50, onde o Brasil foi finalista vencido.

Ir ao encontro da história é um desígnio. Vencer a Champions é, diria, impossível, surpreender pela positiva a Europa, superando a fase de grupos, acho realizável. Será, certamente, muito difícil, mas a vida é feita de evolução, de superação, de conquista sobre nós próprios, de acreditar.

Por outro lado, que jogador não se quer medir com homens como Messi, Iniesta, Suarez, Piqué, Vidal, Higuain, Dybala, Buffon e mostrar o seu valor?

A "revanche" da infelicidade vivida, no ano passado, no Barnabéu também pode ser uma causa a apelar aos jogadores. Quem não se quer vingar daquela noite de infortúnio?

Somos, em conjunto com os sérvios do Partizan de Belgrado, o clube que estreou a Champions (na sua versão antiga). Um nosso avançado, Martins, marcou o primeiro golo na competição. Temos aí uma história para partilhar com o plantel.

O nosso símbolo é o de um leão rampante, um felino de pé, não no chão ou de joelhos, de pé! Jesus e os nossos jogadores, herdeiros de uma saga fantástica, erguei bem alto o nome do nosso Sporting. A história aguarda por Vós!

 

P.S. Ao nosso grande capitão, Adrien Silva, gostaria de recordar este belo poema de William Henley, um texto que inspirou Mandela na prisão e que este entregou ao capitão sul-africano de rugby, François Pienaar, antes da gloriosa vitória da África do Sul sobre a Nova Zelândia de Lomu, na final do Campeonato do Mundo de 1995. Chama-se INVICTUS:

 

"Do fundo desta noite que persiste

a me envolver em breu - eterno e espesso,

a qualquer Deus - se algum acaso existe,

por minha alma insubjugável agradeço.

 

Nas garras do destino e seus estragos,

sob os golpes que o acaso atira e acerta,

nunca me lamentei - e ainda trago

minha cabeça - embora em sangue, ainda erecta.

 

Além deste oceano de lamúria,

somente o horror das trevas se divisa;

porém, o tempo a consumir-se em fúria

não me amedronta, nem me martiriza.

 

Por ser estreita a fenda eu não declino,

nem por pesada a mão que o mundo espalma;

eu sou o mestre do meu destino

eu sou o capitão da minha alma."

 

Adrien, grande capitão do nosso Sporting, herdeiro de uma gesta magnífica, porta-estandarte da alma indomável do leão, em ti (e em Jesus) deposito a esmeralda fé de que esta época finde em glória.

Adrien, tu nunca viras a cara à luta, nunca te escondes, nunca te negas. Cais, como todos nós, humanos (não gostei daquele episódio de Agosto transacto), mas ergues-te com a obstinação de quem tem uma tarefa para cumprir. E tu tens! Em todas as ameaças há uma oportunidade. O teu desígnio, o teu destino é não faltares ao encontro com a História, não seres uma nota de rodapé, mas sim capa e prefácio de uma epopeia centenária, onde poderás constar como herói e grande capitão da alma leonina. Eu conto contigo! Nós acreditamos!

 

adrien silva.jpg

 

(*) inspirado num Ted Talk, de Simon Sinek

 

 

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