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És a nossa Fé!

Hoje giro eu - Escravos do sistema de Jesus

O Sporting realizou uma bela época em 2015/16. O nosso modelo de jogo procurava encontrar espaço entre as linhas média e defensiva das equipas adversárias. Nesse sentido, os alas eram falsos, procuravam mais o espaço interior do que a profundidade. Bryan Ruiz e João Mário metiam para dentro, à vez (o outro encostava à linha), e com a ajuda preciosa de Teo Gutierrez - que descrevia uns movimentos em hipérbole à volta da área, como se estivesse jogando andebol, abrindo espaços com as suas desmarcações, com (neste caso, a um/dois toques) ou sem bola  - encontravam com facilidade o ponta-de-lança (Slimani) com quem combinar.

 

Com as saídas de João Mário, Teo e Slimani, a chegada de Bas Dost e a emergência de Gelson, Jesus mudou o "chip" ao nosso futebol. Desde logo porque, sem Slimani, a equipa deixou de poder exercer a pressão sobre o portador da bola tão em cima, situação que, anteriormente, obrigava os adversários a terem de recorrer ao jogo directo, opção que nos favorecia dado só termos dois homens no centro do campo. Depois, também, porque Gelson era muito mais um extremo que um médio, contrastando com João Mário, o qual também era exímio nas compensações às subidas de Adrien Silva. Assim, JJ procurou criar situações mais simples e que procurassem não mais criar espaço no centro, mas sim nas alas, de onde sairiam os cruzamentos a aproveitar o bom jogo de cabeça de Dost. O problema é que, sem um segundo homem na área como era Teo, a maior parte desses centros começaram a apanhar muito poucos jogadores leoninos bem colocados para rematar, situação ainda mais agravada por nenhum dos nossos jogadores conseguir acompanhar as acelerações de Gelson, o qual evoluia quase sempre verticalmente e junto à linha e raramente em diagonais para tentar o golo.

 

 Esta época, JJ apostou em dar novos conteúdos a Gelson. Este agora faz muito mais movimentos interiores do que no passado. Por causa disso, marca mais golos. Mas, os seus envolvimentos na zona central do terreno são mais de ruptura do que de organização. Gelson não é um pensador de jogo (como João Mário), mas sim um revolucionário sempre pronto a dinamitar as pontes que se estabelecem entre médios e defesas contrários. O problema é que muitas vezes o jogo leonino continua a ser Gelson contra o mundo. Pelo menos, a partir de uma zona mais avançada no terreno. Alan Ruiz nunca conseguiu dar-se ao jogo, no sentido de oferecer apoios ao ala (ou ao ponta-de-lança) - porque, ao contrário de Teo, recebia a bola de costas e quase sempre parado - , Podence não tem golo e lesionou-se cedo e Jesus, obcecado com o acasalamento com Dost, não viu em Bruno Fernandes, o homem ideal para dinamizar a frente atacante, através de passes e apoios. Assim, acabou por submeter o maiato a um jogo de sacrificio, pegando na bola muito atrás, como "8".

 

O maior problema do actual Sporting prende-se com a resistência de Jesus em enquadrar as suas ideias no perfil de jogadores que tem. O actual plantel recomenda um sistema de 4x3x3 (com Bruno Fernandes a "10"), mas JJ insiste em tentar acasalar 2 homens na frente, num 4x4x2. A ideia que presidiu à contratação de Montero foi boa (é o jogador mais parecido com Teo), mas o colombiano chegou sem ritmo de jogo, pelo que tem sido mais problema do que solução. Assim, o nosso jogo parece sempre ser pouco apoiado, notando-se a ausência de presença na área. Por outro lado, desguarnecendo a despropósito o miolo do terreno, expõe toda a equipa a um maior desgaste, nomeadamente a defesa, o par de médios-centro - onde faz falta a intensidade de Adrien - e os alas, estes últimos obrigados a um constante váivem que lhes retira muitas vezes discernimento e frescura quando avançam no terreno. Por tudo isto, sem qualquer necessidade, sofremos mais golos do que deviamos e marcamos pouco (menos 6 golos que o "poderoso" Braga, 18 que o Benfica, 19 que o Porto).

 

Todos os outros temas, como rotação do plantel, aposta na formação, comunicação ou relacionamento com os jogadores acabam por ser questões menores quando comparados com este problema causado pela inadequação do sistema aos jogadores do plantel.

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