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És a nossa Fé!

Hoje giro eu - Bons exemplos

O futebol move paixões. Esse sentimento é a mola-real que alimenta o outrora espectáculo, hoje negócio. O que cria identificação nos adeptos do desporto-rei são os jogadores e treinadores, os verdadeiros protagonistas do jogo e que arrastam multidões. Aos dirigentes cabe adequar as suas  equipas dos meios humanos e materiais necessários à obtenção dos objectivos propostos, o estabelecimento de um conjunto de regras e procedimentos comportamentais que assegurem o respeito pela cultura do clube e a adopção de princípios de gestão que visem o equilibrio nas contas, condição sine-qua-non para a sustentabilidade da actividade desportiva. No caso particular dos agentes reguladores do sistema, é sua missão garantir a equidade de tratamento entre todos os clubes, a concorrência leal, a transparência e a integridade das competições.

O actual cenário do futebol português demonstra que estes últimos estão a falhar, e em larga escala. Não é, sem querer retirar totalmente o mérito a quem de direito, um título de campeão europeu de selecções que vai permitir olvidar aquela que é a incapacidade dos reguladores (FPF e Liga) em criar e fazer cumprir regras e procedimentos.

Alguém se lembra quem era o presidente da Confederação Brasileira dos Desportos (CBD) - actual CBF -, aquando do Mundial de 58, na Suécia? Muito poucos, certamente. O que as pessoas se recordam é daquela linha atacante formada por Garrincha, Pelé, Vavá e Zagallo, do meia Didi e do treinador Vicente Feola, precursor da táctica do 4-2-4. Da mesma forma, Júlio Grondona será, infelizmente, muito mais recordado pelos escândalos de corrupção do que pelas 3 finais atingidas (1 título de campeão do mundo) pela Argentina durante os seus 35 anos (de 1979 a 2014) à frente da federação do país das pampas. Em sentido contrário, Diego Armando Maradona ficará para sempre no coração do povo, ele que ganhou um lugar na eternidade por tudo aquilo que ofereceu aos amantes da bola, indiferententemente dos problemas que teve com a droga ou das posições políticas que tomou.

Clubes que não honram os seus compromissos e têm salários em atraso (vendendo jogadores em pacote a um clube para saldar dívidas) são um factor de concorrência desleal, uma justiça que pune com mais facilidade os mais fracos não promove a equidade, uma televisão de clube que transmite em directo e em exclusivo os jogos do seu clube em casa não adiciona transparência, os comportamentos que vimos descritos nas escutas do Apito Dourado ou na rede dos emails não incentivam o adepto comum a crer na integridade das competições. A propósito, será verdade aquilo que li, referindo que Nuno Cabral - o tal, na altura Delegado da Liga, que alegadamente passava informações a Pedro Guerra - teria concorrido (com aproveitamento) a Observador de árbitros?

O estado real do futebol português não é Cristiano Ronaldo, Rui Patrício, Pepe ou Bernardo Silva. Não é Fernando Santos, Jorge Jesus, Sérgio Conceição ou Rui Vitória. Por aí até estamos bem, por mérito da formação de base dos nossos clubes, da formação complementar, especialização e experiências adquiridas em clubes estrangeiros pelos nossos melhores jogadores, da aprendizagem, constante reciclagem e sagacidade táctica dos nossos melhores treinadores. Por baixo desse iceberg, o que temos? Uma maioria de clubes da primeira liga com grandes dificuldades de tesouraria, uma incapacidade total por parte dos reguladores na promoção de um reequilíbrio das forças, seja por via de uma redistribuição da receita, centralização dos direitos televisivos, tectos salariais, políticas de empréstimos ou imposição de um lote máximo de jogadores que possam integrar um determinado emblema, um lote de árbitros ignorados pela UEFA e FIFA nas últimas fases finais das competições internacionais de selecções, ausência de um Código de Ética e de procedimentos pelos quais todos os agentes desportivos tenham que se reger - e não, não estou a falar a jusante, mas sim a montante, na criação de obstáculos à perversão dos fundamentos pelas quais as competições se devem balizar -, violência nos estádios e fora deles e uma incapacidade do próprio Estado em fazer cumprir a legislação que ele próprio promologou. 

Mas, não nos enganemos, a opinião pública começa a perceber que no topo da pirâmide temos o douto Pedro Proença (e em certa medida, Fernando Gomes) a surfar na maionese, não vá, eventualmente, alguma medida progressista para o futebol português custar-lhe o bem remunerado cargo. Fiúza disse-o, desassombradamente. Também por isso, e apesar de sermos campeões europeus, o nosso campeonato continua a não merecer o interesse dos mercados (mesmo os emergentes) e não conseguimos vender o nosso produto, a não ser pelos piores motivos relacionados com esquemas de apostas desportivas ou para contornar a nova legislação sobre os fundos. Nada é feito com a convicção necessária: temos o VAR, mas as comunicações não são acessíveis ao espectador/consumidor e os homens que analisam as imagens parecem muitas vezes desafiar o senso comum; queremos a independência dos decisores desportivos, mas pedimos a intervenção do Estado; existem indícios preocupantes provenientes dos emails, mas ninguém faz nada até as autoridades judiciárias se pronunciarem; alguém decide que os Campeonatos de Portugal passam a equiparar-se a Taças de Portugal e para, eventualmente, revertê-lo criam-se Comissões - dizem as fontes federativas, nascentes de fluxo de informação sem rosto -, mas não indicando um prazo para apresentação de conclusões. Tudo isto é, para ser simpático, demasiadamente amador.

No fim do dia, só um pode ganhar. É necessário perceber isso. A pressão para vencer é imensa, mas os dirigentes dos clubes não podem perseguir caminhos ínvios. Por isso, a dissuasão é importante e aí entram os reguladores. Se perguntarem a um adepto benfiquista de meia-idade qual o dirigente do seu clube em que mais se revêm, a maioria dirá Duarte Borges Coutinho. Não só pelo que ganhou, mas pelo magistério de paixão pelo jogo, educação, influência pela positiva, persuasão que empregou no decurso do seu mandato. Da mesma forma, os sportinguistas têm João Rocha em grande conta, pela sua capacidade de trabalho, presença constante, proximidade, defesa intrasigente dos valor do ecletismo do clube, visão prospectiva, habilidade negocial, melhoramento das infraestruturas e dinamização dos sócios.

As boas práticas necessitam de bons exemplos. E hoje, os melhores exemplos são os dos jogadores e treinadores, como Ronaldo ou Fernando Santos, homens de trabalho, de convicções, de crença inabalável, que venceram por mérito próprio e fizeram mais pelo nome de Portugal nos 4 cantos do mundo do que todas as missões diplomáticas. Neles, o povo acredita e, por eles, o futebol ainda vale a pena.

 

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