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És a nossa Fé!

Hoje giro eu - Assim, não!!!

Acabei de chegar a Lisboa depois de uma cansativa viagem de 1200 Km, por estrada, entre as capitais ibéricas. Sim, na companhia dos Antónios, do Gonçalo e do Tiago fui a Madrid ver o nosso Sporting. Como outros sportinguistas vivi uma jornada de militância leonina. Depois de um jogo frustrante, com um resultado final que não expressou minimamente o que se passou no terreno, foi a esse sentimento de vitalidade do leão que me agarrei ontem à noite antes de adormecer. Vi um produto da nossa Formação (Paulo Futre), mais uma descoberta do nosso Aurélio Pereira, ser engolido à entrada do estádio por uma enorme mole humana de adeptos do Atlético, ao som de "es lo mejor", ouvi os cânticos dos adeptos madrilenos serem ofuscados pelas vozes saídas da alma indomável de 3500 sportinguistas, observei os nossos jogadores equivalerem-se aos milionários "colchoneros", assisti à serenidade irrepreensível com que as nossas claques e adeptos comuns aguentaram os 45 minutos de reclusão na caixa de segurança pós-jogo. Antes, a caminho da capital espanhola, haviamo-nos entretido com um animado "quiz" sobre a história do clube e dos seus jogadores. Tudo razões para atenuar a enorme azia que se apoderou de mim à medida que o jogo se encaminhava para um desfecho desolador. Afinal havia esperança e muitas coisas boas a merecerem o devido relevo.

 

Hoje, ao acordar, tudo se desmoronou. Um compincha de viagem, enquanto preparávamos o regresso a casa, informou os restantes que Bruno de Carvalho tinha usado o Facebook para criticas individualizadas a jogadores. Não queria acreditar! O presidente não é o provedor dos sócios, é o homem que dirige o clube, que foi eleito e é pago para resolver os problemas. Para encontrar soluções, não para ser, em si mesmo, um problema adicional. 

 

Um grupo de trabalho tem regras. É suposto estar blindado. O presidente tem todo o direito de ir ao balneário, de se dirigir aos jogadores e de lhes dar conta da sua frustração. Que será equivalente à de todos os que estiveram no Wanda Metropolitano, à daqueles que, não podendo ir, assistiram pela televisão e, pormenor a não desprezar, à dos próprios jogadores. Mas podendo, não deve em momento algum desvirtuar a relação tácita de confiança entre as partes e tornar público os seus queixumes. Isso caberá ao adepto comum. Até porque ao criticar desta forma os jogadores pode sempre ser acusado de desviar as atenções para outrem. E um presidente deve sempre assumir as suas responsabilidades. Todos nós assistimos a uma noite de terror de Coates, a um erro grave de Mathieu, a falhanços de Dost, Gelson ou Montero. Claro que os jogadores se esforçaram, que queriam e quiseram ganhar, mas isso faz parte de ser profissional, é o mínimo que se lhes deve exigir e nem devia fazer parte do lema de qualquer clube com pretensões. Lema, aliás, que deve urgentemente ser revisto, independentemente da disponibilidade demonstrada por quem entrou em campo, algo que não discuto. Esforço, dedicação, devoção? Substituam-nos por exigência, excelência e superação. Com esses valores bem incutidos, aí sim, teremos um clube temido e respeitado pelos seus adversários.

 

Entenderam os jogadores emitir um Comunicado. Na minha opinião, também não estiveram bem. E não estiveram bem porque acabaram por, também eles, tornar pública uma posição, violando assim as tais regras que enunciei acima e perdendo toda a razão que justamente lhes assistia.

 

Estamos assim perante um impasse e é difícil entender como desta crise se pode extrair algo de positivo para o futuro próximo do clube. As partes, não cedendo, estarão a prestar um péssimo serviço ao Sporting Clube de Portugal. Se o presidente se vê como o provedor dos sócios é bom que perceba que os sócios não querem isto. Um clube falado na Comunicação Social pelos piores motivos, vexado e gozado pelos rivais é um atentado à história de um enorme clube e à memória de todos aqueles que tiveram a honra de alguma forma o servirem, como dirigentes, atletas, sócios, adeptos ou meros simpatizantes e, paradoxalmente, destrói inequivocamente todo o reconhecido trabalho de recuperação do clube executado por Bruno de Carvalho e sua direcção. Por outro lado, os jogadores têm de perceber que estão ao serviço do clube e que isso significa estar ao serviço dos sócios durante o tempo que estiverem no clube. É a paixão destes que estimula patrocinadores e permite gerar receitas que vão alimentar os seus salários. Assim, o interesse comum, o do "nós", sócios, deveria ter prevalecido, por muito que os jogadores, que tinham razões para se sentirem indignados, tivessem de cerrar os dentes.

 

Em todo este processo, as partes, treinador incluido, pretendem influenciar a opinião pública, em vez de assumirem as suas responsabilidades e estabelecerem os devidos compromissos entre si e com o clube, no recato dos gabinetes e do balneário. Por isso, a todos me dirigindo, termino desta maneira: meus senhores, isto não é um "Beauty Contest", não queremos saber quem é mais simpático ou mais fotogénico. O que nós queremos, aliás, nós exigimos é que se entendam, trabalhem juntos, tenham RESPEITO pelo clube e guardem as vossas lamentações para vós próprios. Não só não estamos em Jerusalém, como também não ficaremos em cima do muro a assistir a este definhar do clube que amamos. A continuarem neste registo, a história vos julgará. A TODOS!!!

 

#savingprivateryan

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