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És a nossa Fé!

Hoje giro eu - A Paixão segundo um Leão

Todos nós, homens e mulheres, temos a necessidade de fazer parte de algo mais grandioso que a nossa própria individualidade. Tal como a religião, o futebol é um aglutinador de massas. As cerimónias do ludopédio são celebradas em comunhão por pessoas de diferentes étnias, géneros e classes e estratos sociais. A razão porque escolhemos o clube da nossa devoção é muitas vezes um ritual de passagem de pai para filho, mas também tem o seu quê de misterioso. 

 

Nos seus tempos aureos, o Benfica era visto como o clube vencedor por excelência. Em consonância, muitos adeptos nascidos nas décadas de 60 e de 70 do século passado tornaram-se benfiquistas. Os ecos da popularidade de Eusébio e da equipa que conquistou duas taças europeias encontraram respaldo no desejo, humano, de fazer parte de um projecto vencedor. Assim, homens e mulheres passaram a vencer através da sua ligação ao clube encarnado, compensando provavelmente as derrotas e/ou vitórias muito mais árduas que iam tendo nas suas vidas privadas.

 

Os adeptos portistas encontraram abrigo na bandeira de uma região. Nesse sentido, e até pela estratégia desde o primeiro momento montada pelo presidente Pinto da Costa, o FC Porto foi um fenómeno da causa do regionalismo, mesmo antes de este ser aceite nacionalmente. Como não há bela sem senão, a política de "contra tudo e contra todos" não lhe permitiu crescer a nível nacional na medida daquilo que foram os seus retumbantes êxitos nacionais e internacionais, continuando a ser o terceiro clube nacional a nível de adeptos e de simpatizantes.

 

Aqui chegados, importa falar do nosso Sporting. O clube é um "case study" de fidelização de adeptos. Com grande implantação nacional, fortíssimo na região Oeste do país e em distritos como o de Leiria, por exemplo, onde se travaram batalhas decisivas para a afirmação da nossa nacionalidade, o Sporting permanece irreedutível como um grande clube português e um dos maiores da Europa a nível de associados. Não ganhando tanto como os seus rivais e não sendo um clube exclusivamente representativo de uma região, como pôde o clube leonino resistir e manter-se como um grande? Na minha opinião, isto tem a ver com a identificação que se criou com uma determinada cultura e valores.

 

Muitas vezes acusado de ligações ao Estado Novo, na verdade o Sporting foi sempre o clube mais progressista de todos e o que compreendeu melhor a dimensão sócio/cultural do desporto. Nunca olvidando tratar-se de um clube de futebol, o Sporting soube atrair adeptos através da prática desportiva. Foi assim com a ginástica (quem não se lembra das "Sportinguíadas") ou com a natação, com as célebres piscinas do Campo Grande. Para além disso, o clube sempre teve uma visão empresarial. Infelizmente, a condicionante de instabilidade política e concomitante falta de investimento minou o importante projecto que João Rocha tinha para o Sporting através da Sociedade de Construções e Planeamento (SCP), mas a visão estava lá. Hoje em dia, o clube aproveita os talentos surgidos nas suas camadas jovens para internacionalizar as suas academias, exportando o "know-how" único da nossa Formação.

 

O Sporting é também um clube de figuras ímpares do desporto nacional. Com as cores verde-e-brancas desfilaram Carlos Lopes - o primeiro português medalhado de ouro nuns Jogos Olimpicos - , Fernando Mamede - durante uma década recordista mundial dos 10.000 metros - , António Livramento - melhor hóquista mundial de sempre - ou Joaquim Agostinho, duas vezes no pódio da Volta a França em bicicleta, entre várias outras figuras de relevo do desporto nacional e internacional. Pelo seu ecletismo, o clube tem o terceiro melhor palmarés do velho continente, a nível de competições europeias vencidas.

 

O Sporting é o clube de Cristiano Ronaldo e de Luis Figo, de Carlos Lopes e de Fernando Mamede, os rostos da projecção internacional ímpar do clube, mas é também uma fábrica de talentos com artesãos de primeira qualidade como Aurélio Pereira, César Nascimento ou João Couto e Mário Moniz Pereira, capazes de cuidadosa e porfiadamente lapidar diamantes, longe das luzes da ribalta e sem os estragar prematuramente em razão de um qualquer "soundbyte" de ocasião.

 

Enfim, este arrozoado já vai longo e o que eu gostaria de saber dos NOSSOS Leitores/Comentadores/Autores - e permitam-me que Vos roube algum do Vosso precioso tempo, mas é por uma leonina boa razão... - são, essencialmente, 4 coisas:

 

  1. O que Vos identifica mais com o clube?
  2. Qual a razão que apontam para a fidelização dos NOSSOS adeptos?
  3. O momento mais marcante para cada um de Vós da Vossa ligação ao Sporting?
  4. A maior figura (historicamente) do NOSSO clube?

 

Saudações Leoninas

 

sportinggloria.jpg

 

3 comentários

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    Pedro Azevedo 22.03.2018 13:50

    Obrigado pelas dicas para os sportinguistas porem no seu calendário e fico a aguardar as suas respostas SL
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    JHC 23.03.2018 00:25

    Que dia!
    1. Não tendo nos meus pais aficionados do desporto, fui influenciado pelos tios e primos. No entanto nunca fui confrontado com uma escolha do tipo “de que clube mais gostas?”, o que me faz acreditar que desde o berço adoro o verde. Também é verdade que muitas das pessoas importantes no meu crescimento enquanto homem e cidadão são sportinguistas.
    Desde que regressei ao país, e ao Norte, sempre estive rodeado de sportinguismo. O meu primeiro patrão é sportinguista; o último também. O meu primeiro treinador, sportinguista. No escritório somos 3 sportinguistas e 1 portista. Até o padre da localidade onde vivo é sportinguista ferrenho! Mesmo que tentasse nunca conseguiria fugir ao destino!
    Desportivismo, elevação, solidariedade, carácter, determinação, ambição, verdade, valores nos quais me revejo e que nunca hipotecamos durante a nossa história centenária em troca de vitórias a qualquer preço. Nunca poderia ser de outro clube. Nunca poderia ser de um clube em que os fins justificam os meios e em que a ética não existe.

    2.Para mim são duas as razões principais para esta fidelização. A primeira é familiar. Acredito que ainda serão os exemplos familiares os pilares e a argamassa para ligação dos mais jovens ao nosso Clube. Os bons exemplos que transmitimos na sociedade, desde tenra idade, reforçam a diferenciação para os rivais. Os nossos filhos encontram nos pais um modelo a seguir. No nosso caso um modelo sportinguista! A meu ver este é motivo mais que suficiente para nunca cedermos a um percurso menos nobre para vencer!
    A segunda razão é o próprio Sportinguismo, que mesmo sem vitórias no futebol, sem as modalidades históricas do clube, sem pavilhão durante anos, nunca deixou de ser uma parte da nossa essência. Nunca um mote foi tão verdadeiro como “Feitos de Sporting!”. Está no nosso ADN e nunca nos sentiremos órfãos enquanto o SCP existir. Hoje está saudável e pujante. Grande como o nosso orgulho!

    3.Há muitos momentos marcantes. Principalmente as vitórias. Mas o de maior felicidade, até a data, foi a conquista do Campeonato de 1999/2000, o primeiro desde o meu regresso a Portugal e após um jejum de 18 anos.
    Lembro-me dos preços absurdos dos bilhetes para o jogo no “Vidal Pinheiro”, entre os 30(bilheteira) e 50 contos(na candonga) e de não termos dinheiro para entrarmos todos. Por solidariedade ninguém do grupo foi ao Estádio. Mas vivemos a loucura do golo do André Cruz, e a seguir a da goleada! Não recordo de um outro campeonato reflectir tanta justiça como este. Nem o de 2001/2002. Infelizmente estas vitórias não foram suficientes para a tão esperada viragem do futebol português pelas razões hoje sobejamente conhecidas.

    4.Quando olhamos para a nossa história os principais nomes que encontramos com estatuto de lendas são do século passado. José Alvalade, Francisco e António Stromp, Joaquim Agostinho, Yazalde e Peyroteu( + Quatro Violinos!), António Livramento(+ Ramalhete, Sobrinho, Chana e Rendeiro!), Moniz Pereira, Carlos Lopes, Fernando Mamede e os Irmãos Castro, Jordão e Manuel Fernandes, e muitos outros que, do Atletismo ao Basquetebol, conquistaram a glória de Leão Rampante ao peito. E João Rocha. Neste século certamente Aurélio Pereira.
    Entre as figuras por quem tenho grande admiração incluo também Bernardes Dinis, uma “Enciclopédia Viva”, com uma vida dedicada e de um amor imenso ao Sporting Clube de Portugal!
    Aqui não vou escolher a maior figura e prefiro colocá-las num mesmo patamar pois as conquistas de Joaquim Agostinho, Carlos Lopes, Livramento ou Peyroteo foram todas especiais a seu tempo, e continuam a ser exemplos de superação e excelência a nível Nacional e Mundial. SL
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