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És a nossa Fé!

Hoje giro eu - A meio de coisa nenhuma

Plantel de 1981/82 - Jogadores utilizados formados no Sporting (10): Barão, Carlos Xavier (19 anos, 35 jogos), Bastos, Zezinho, Inácio, Mário Jorge (18 anos, 31 jogos, 5 golos), Virgílio, Ademar (22 anos, 40 jogos, 6 golos), Freire e Alberto (soma da utilização destes jogadores=258 jogos; golos=18, média=23 anos).

 

Plantel de 2001/2002 - Jogadores utilizados formados no Sporting (10): Jorge Vidigal, Beto, Santamaria, Paíto, Custódio, Diogo, Hugo Viana, Gisvi, Lourenço e Quaresma (soma da utilização destes jogadores=128 jogos; golos=9).

 

Malcolm Allison era um treinador "sui generis". dava muita liberdade aos jogadores fora do campo e não olhava a bilhete de identidade ou a estatuto aquando da escolha do melhor "onze". Era, também, muito corajoso: se Jordão "não estava bem da cabeça", estreava-se o miúdo Mário Jorge, mesmo que o jogo fosse contra o FC Porto. Como a sorte protege os audazes e as pessoas de firmes convicções, o ala açoriano acabaria por marcar o único golo nesse clássico, colocando o Sporting em posição privilegiada para ser campeão.

 

Lazlo Boloni tinha uma especial predilecção por lançar jovens jogadores. Nessa temporada, Hugo Viana e Quaresma foram as suas apostas mais consistentes. O romeno era fã da visão de jogo de Viana e da imprevisibilidade do Mustang (apodo criado por ele) e não teve nenhum rebuço em lhes dar a titularidade, apesar de haver jogadores consagrados no plantel. Assim, Hugo Viana viria a jogar sensivelmente o mesmo número de partidas que, por exemplo, Pedro Barbosa e Quaresma jogaria mais do que a soma dos confrontos disputados por Sá Pinto e Niculae.

 

Servem estes exemplos para provar, ao contrário do que por aqui e ali vou lendo, que a aposta nos jogadores da casa já deu bons resultados. Inclusivé, os números de utilização de jovens por parte de Allison são impressionantes, tendo em vista que se tratava de um plantel onde coabitavam Meszaros, Eurico, Nogueira, Oliveira, Manuel Fernandes e Jordão. Mais do que qualidade na Formação, o que nos tem faltado são treinadores carismáticos, convictos nas suas ideias, justos na selecção e corajosos na hora de defender o jovem jogador. Defendem-se mais do que defendem o clube. Por isso, preferem comprar um contentor de jogadores no mercado, portugueses ou estrangeiros, incluindo nessas aquisições segundas e terceiras escolhas para o plantel, imagine-se, bloqueando assim na totalidade a possibilidade de imposição dos jovens. 

 

A situação actual é uma falácia. Não existe qualquer aposta sustentada na Formação. Tal reflecte-se na descida de divisão da equipa B, a qual se deveu à desmotivação que reina em Alcochete. Nem que nascessem 10 vezes, os nossos jogadores jovens sabiam que nunca teriam qualquer hipótese real de se imporem. A excepção que confirmou a regra foi Gelson Martins.

Com o caminho em cima tapado, é natural que os nossos jovens comecem a conjecturar o seu futuro fora do reino do leão. O caso de Francisco Geraldes é paradigmático. Vezes sem conta enviado para a equipa B ou emprestado a clubes menores da primeira liga, o médio conseguiu vencer uma Taça da Liga pelo Moreirense - depois de uma exibição de sonho frente ao Benfica - e ser um jogador muito influente no Rio Ave. Regressado a Alvalade com fortes expectativas, primeiro assistiu ao regresso de Bruno Fernandes (um excelente jogador com quem poderia talvez coabitar, jogando Bruno a "8") e depois viu o treinador apostar em Nani para a sua posição, algo inédito em termos de clube na vida do antigo jogador do Manchester United. Compreensivelmente, terá chegado à conclusão de que seria a terceira opção e iria jogar pouco, o que acrescido do facto de ser um dos mais mal pagos do plantel o terá levado a pedir para sair. Palhinha é um exemplo ainda mais revelador: barrado por uma invasão balcânica de "ic(s)" - Petrovic e Misic - , o nosso médio defensivo vê aparecer todos os dias nos jornais os contactos que o Sporting estará a desenvolver para adquirir Badelj ou Vukcevic (mais um) e para o regresso de Battaglia. Relegado para possível quinta escolha de Peseiro, que futuro no Sporting pode o jovem perspectivar? E ainda estou para ver qual o futuro de Matheus Pereira, agora que Acuña e Nani se juntam o Raphinha nas opções para as alas...

 

Há que ser claro e nos deixarmos de demagogias para com os sócios: ou seguimos uma política de mercado ou tentamos temperá-la com uma aposta real na Formação. A situação actual é que é insustentável. É que nem sequer estamos a meio caminho, mas sim a caminho de coisa nenhuma, pelo menos de algo que seja minimamente relevante. A política de mercado tem-se revelado desastrosa no clube. Aos pouquíssimos exemplos positivos, de simultaneamente rendimento desportivo e financeiro, contrapõem-se inúmeros exemplos de flops. Dir-se-ia que deficilmente se poderia ter tão má pontaria, mas esta é a história das últimas duas décadas do clube. Conhecendo-se este histórico de acção trágico, alguém no seu perfeito juízo quer dar mais latitude aos gestores do clube para perseguirem esta (não) estratégia? Vamos continuar a alimentar segundas e terceiras escolhas para o plantel à conta das nossas depauperadas finanças? Como tal, o único caminho possível, o único que pode conduzir à sustentabilidade desportiva e financeira, é ir preparando os jovens para entrar na equipa principal. Mais qualidade é necessária e temos de investir mais na pesquisa de novos talentos e no seu desenvolvimento em Alcochete. Simultaneamente, temos de criar oportunidades aos que já lá estão (na equipa principal). E uma oportunidade não é pegarem de caras na equipa principal. Nem peço isso. O que se recomenda é que alguns dos nossos jovens possam ser segunda opção para uma determinada posição. Depois, com o desgaste dos jogos, gestão do cansaço do jogador titular, lesões, castigos, abaixamentos de forma, et caetera, terem uma oportunidade de jogarem e de se afirmarem. Assim, como está, é que não, não é caminho e esta época será aquela em que teremos menos jogadores da nossa Formação. Em conformidade, temo pelo nosso futuro. Sinceramente. Não se trata só da nossa sustentabilidade, é a nossa cultura enquanto clube que está a ser posta em causa e já há alguns anos. Depois, quando já não houver mais nada, é que vamos entender o valor de tudo aquilo que deixámos para trás. Como aliás já reconhecemos abundantemente naquela camuflagem operada na segunda volta de campeonato 16/17. Aí, com os ânimos exaltados, a utilização dos miúdos permitiu fazer baixar a temperatura. É que pode haver quem tenha de nascer 10 vezes, mas treinador só vive uma (e tem de saber viver)...

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