Hoje giro eu - A mão que embala o berço
A divulgação do áudio de Pedro Silveira chama-nos à atenção para tudo aquilo que não sabemos sobre as eleições do Sporting. Questões como quem são as pessoas por detrás dos candidatos e que eventuais interesses ocultos representam vêm imediatamente ao pensamento.
As declarações produzidas são, também, paradigmáticas do mal que vem corroendo o Sporting. De facto, não é só a linguagem, certamente usada num contexto coloquial, que é inenarrável, a violência contida no discurso vai muito para além do vernáculo usado. Expressões como "se me descarta, leva no focinho", para além de auto-explicativas, mostram à evidência determinadas dependências, assim como "a gente vai chegar lá acima" demonstra uma estratégia de poder para "comandar o Sporting", alegadamente a partir de uma claque, tudo situações nos antípodas de uma cultura de clube saudável. Aliás, o objectivo provável da mensagem seria arregimentar pelo voto os indecisos deste grupo organizado de adeptos, dando-lhes ferramentas para acreditar que estariam bem representados por esta lista no Conselho Directivo, através de um membro que iria ter, vejam bem, o pelouro dos sócios, ou seja, representar-nos, directamente, a todos...
Não sejamos ingénuos de pensar que por detrás da divulgação disto não estará uma maquinação. Tal, parece-me evidente. Há muito em jogo. No entanto, mais importante do que entretermo-nos a "matar o mensageiro" é absorvermos o conteúdo da mensagem. Dá que pensar. Voltando à minha abertura: o que é que desconhecemos sobre as candidaturas? Seria útil sabermos mais, muito mais, e sobre todas, até porque, regressando a uma ideia que expressei aqui anteriormente, só será um bom presidente do Sporting Clube de Portugal quem se apresentar livre de compromissos pré-assumidos.
P.S. O Benfica foi constituído arguido no caso E-Toupeira. Violação de segredo de justiça ou alegada corrupção, uma coisa é certa: o futebol português tem de arrepiar caminho. Ou os actuais dirigentes se regeneram, ou uma nova classe tem de emergir. A ética deve prevalecer, caso contrário o produto nunca será vendável.

