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És a nossa Fé!

Hoje giro eu - A liderança de Bruno

Eu sei que este Post não vai cair bem numa certa "intelligentsia" leonina, mas talvez seja a hora de todos revermos os critérios pelos quais avaliamos a gestão de recursos humanos de Bruno de Carvalho.

Para mim, a condição sine-qua-non para o sucesso de um líder é saber alinhar os seus colaboradores em torno de um objectivo, criando assim uma identificação com o projecto comum. 

 

A presença ontem, no Pavilhão João Rocha, de jogadores das mais diferentes modalidades do clube faz-me crêr que há uma nova cultura no Campo Grande, que os atletas compreendem os desafios que lhes são propostos e entendem a estratégia do Sporting e a visão do seu presidente. Andando todos com a mesma visão na cabeça - a tal orientação para a vitória, o sucesso - , partilhando-a e alimentando-se dos triunfos de outros colegas como estimulo para o seu próprio triunfo, os atletas estão a transmitir-nos que estão profundamente envolvidos nessa causa comum. 

 

É possível que escrevendo direito por linhas tortas, Bruno de Carvalho esteja a mudar decisivamente a mentalidade do clube do leão rampante. Digo-o com humildade, pois nunca adoptaria o seu estilo de comunicação. No entanto, acredito piamente na meritocracia e na avaliação pelos resultados e o presidente leonino tem averbado vitórias em várias frentes: do ecletismo à vertente financeira (ainda que nesta subsistam algumas preocupações na minha mente), da mobilização dos sócios à imposição de uma série de medidas em nome da verdade desportiva, do crescimento da marca Sporting à obra de construção de um novo pavilhão para as modalidades, do projecto olímpico à aposta no desporto adaptado.

 

Pode-se não gostar do estilo - e eu, embora não o conhecendo pessoalmente, não sou particular adepto - mas há que reconhecer que o homem tem realizações em várias vertentes. Não seria caso virgem na humanidade, alguém com um estilo fora dos cânones normais se conseguir impor e até criar novas tendências. Não usar um modelo "standard", muito formatado, por não conseguir enquadrá-lo na sua personalidade, evitando assim entrar em choque de identidade, e conseguir ter sucesso. Ser inovador e criar o seu próprio estilo de liderança. A questão e o desafio que se coloca a Bruno de Carvalho no presente/futuro é não se deixar cair num endeusamento, momento que geralmente está associado a um défice de aprendizagem e início da trajectória descendente. Os acontecimentos de há um mês atrás são aliás elucidativos e preocupantes, embora ilustrem também uma característica pouco abordada quando se analisa o presidente: Bruno, sendo um anti-político na forma como se expressa e age muitas vezes, é muito mais político do que a maioria dos analistas lhe concede. A prová-lo está a forma como ele protege o seu eleitorado com astúcia e grande habilidade, sempre à procura de uma nova eleição, como aliás demonstrou pós-reflexão, depois da crise.

 

O grande desafio que se coloca a Bruno de Carvalho é pôr de lado essa faceta política de anti-político e ganhar estofo de estadista. Deixar de se preocupar com a nova eleição - "deixa-se andar e quando vamos ver já fomos", disse ele a propósito de declarações de opositores declarados - para passar a preocupar-se com a perpetuação de novas gerações de sportinguistas, modernizando ainda mais o clube, atraindo mais sócios e adeptos e trocando a farda de guerrilheiro pelo fato de reformador. Continuar a ser próximo, sem necessitar de ser íntimo. Ser inovador, sem necessitar de ser disruptor. A minha dúvida é se tal um dia será possível, mesmo se e quando repostas as condições de concorrência leal entre todos os contendores. Eu gostaria de poder ver isso... 

brunoliderança.jpg

 

6 comentários

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    Pedro Azevedo 02.05.2018

    Eu não me esqueci na altura e não me esqueço agora. Falei na altura e, aliás, no Post, falo em endeusamento, e em acontecimentos elucidativos disso e preocupantes.

    Por outro lado, independentemente disso, é óbvio para quem queira vêr - e eu gosto de, pelo menos, tentar ser justo - que hoje quem defende o clube tem com ele outra relação, outra identidade. E isso apesar de uma liderança que é sempre incompreendida ou compreendida como má. É essa reflexão que proponho aqui, sem partidarismos nem preconceitos.

    Cumprimentos, JRamos
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    Bosko 02.05.2018

    Perdoem-me a intromissão nesta sequência, mas o que vou escrever tem muito a ver com a linha de pensamento do JRamos.
    Em primeiro lugar, tenho um visão muito próxima do Pedro Azevedo, estamos perante uma forma de liderar que não tem comparação possível no panorama desportivo, é certo que os tempos são outros, existe uma mudança objectiva na sociedade e tenho a certeza que qualquer presidente de qualquer clube, no futuro, utilizara meios completamente diferentes dos actuais para implementar o seu estilo de liderança. (Basta pensar como foi o inicio de PdC ou LFV, diferentes na forma mas com objectivos similares).
    Mas o que para mim verdadeiramente importa é saber, naquilo que é possível saber, o superior interesse do Sporting tem sido defendido até à exaustão algumas vezes à custa da credibilidade pessoal do Presidente.

    Quanto a mim e aqui entronca no comentário do JRamos, é feito um julgamento e uma condenação sumaria das INTENÇÕES do Presidente, infelizmente este processo, sendo expectável nos múltiplos "inimigos" gerados nas imensas e necessárias batalhas que foram e estão ser travadas é também objecto de "fogo amigo" que resulta essencialmente de uma visão muitas das vezes condicionada pelos tais "inimigos" que tentam desesperadamente e de todas as formas possíveis desacreditar e condenar quem ousa confrontar interesses que julgavam ser inquestionáveis.

    Poderia ir buscar exemplos mais antigos como por exemplo o caso doyen mas fico por estes dois:

    - Onde está o "Sporting Clube de Pyongyang" , os plenos poderes, os crimes de delito de opinião ....

    - Onde está o plantel depois das famosas suspensões ...

    Vamos continuar a julgar aquilo que não aconteceu!? Alguém pode em consciência acusar BdC de ter lesado objectiva e factualmente os interesses do Sporting?
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    Pedro Azevedo 02.05.2018

    Bosko, como qualquer ser humano, BdC tem qualidades e defeitos. Creio que defende sempre genuinamente o Sporting (pelo menos na forma que encontra) e que tem paixão pelo clube. Agora, também não é um menino do coro e, nesse sentido, certamente haverá pessoas que são sugestionadas pela concorrência, outras haverá que, legitimamente, não se reverão no estilo do presidente. Outra coisa será avaliar a sua eficácia e aí entronca com a razão deste Post: pôr-nos todos a pensar sobre isso, sobre a identidade do clube, a sua cultura, as causas que têm sido levantadas.

    Eu julgo que pelo seu discurso sempre a favor de causas que no futebol são entendidas como fracturantes, BdC é um pouco como um político do BE. Ora, isso em mentalidades mais conservadoras causa alguma apreensão. Ajunte-se algum desprimor de linguagem e , para alguns, o caldo fica entornado. O que proponho aqui é que se analise a sua eficácia e que nos tentemos despir de preconceitos para a fazer de uma forma livre. E que cada um encontre o seu resultado e chegue à sua conclusão.

    SL
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    JHC 02.05.2018

    Caros Leões, desculpem a intromissão neste diálogo, mas gostaria de partilhar algo relacionado com esta nova reestruturação financeira anunciada por BC, e que acho interessante por trazer outra visão do assunto:
    "...de acordo com as informações que tenho, os valores das VMOCs foram já reconhecidos como perda total no Balanço dos Bancos e o prejuízo já reconhecido nas diversas contas do BES e Millennium BCP.
    E porque será que os Bancos acordaram esta redução de preço?…
    Penso ser explicado pela razão de que vale mais um pássaro na mão do que dois a voar. Ora vejamos. As VMOCs já devem estar valorizadas a 0, nas suas contas. Os prejuízos já foram assumidos. Recebendo 40,5 Milhões de Euros pelas mesmas, significa que irão reconhecer um ganho nesse montante, com a reversão das imparidades. Ganho esse que irá mostrar uma melhoria nas suas contas de resultados.
    E porque é que isto acontece?
    Porque naturalmente, se o Sporting só precisava de comprar os 44 Milhões de VMOCs até um valor máximo de 44 Milhões de Euros para manter a maioria, nunca iria comprar as restantes, mantendo-as cristalizadas no Balanço dos Bancos (e volto a referir que, já estão valorizadas a 0 nos mesmos). Assim e perante esse cenários, os Bancos preferem limpar as VMOCs do seu Balanço de uma vez por todas." - Tio Patinhas de Alavalade, aqui: http://anortedealvalade.blogspot.com.es/2018/05/tio-patinhas-de-alvalade-analisa-o.html
    Apesar de olhar para isto como simples conjecturas, poderão explicar alguns pontos deste processo de reestruturação. SL
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    Pedro Azevedo 02.05.2018

    Meu caro, repito o que já lhe disse anteriormente: não comento conjecturas, comento factos. Como ainda ninguém me mostrou os dados todos não posso comentar. Por isso, com todo o respeito pode vir o Tio Patinhas, o Peninha ou o Pato Donald que para mim é igual. Eu não quero formar a opinião de ninguém, mas também não tenho interesse nenhum em deformá-la. Quando tiver a certeza sobre o que dizer, di-lo-ei da forma livre e independente de sempre. Ainda assim, obrigado pelas informações que vai partilhando e que vão permitindo coser a manta de retalhos de informações avulsas.

    Dizer-se que era indigno, no passado, alguém dizer que o Sporting tinha beneficiado de um perdão bancário e vir agora dizer que os bancos tinham as VMOCs a zero parece-me incongruente. Por isso, e porque conheço o sistema financeiro, prefiro aguardar até ter todos os dados. Isto é muito diferente de analisar um R&C e pressupõe conhecimento dos contratos assinados. Eu não tenho e ainda ninguém os mostrou , tanto quanto tenho conhecimento.

    SL
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