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És a nossa Fé!

Fracasso travestido de sucesso

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Festejámos agora o quarto aniversário da maior proeza de todos os tempos do futebol português: a conquista do Campeonato da Europa em 2016, proeza engrandecida por ter sido alcançada numa final épica, contra o onze do poderoso país anfitrião e com o nosso melhor jogador inutilizado logo no primeiro quarto de hora.

Recapitulando tão saborosa conquista, reafirmo que o facto de dez desses campeões europeus - que continuam a sê-lo em título - terem sido formados no nosso clube constitui motivo de legítimo orgulho para todos os adeptos do Sporting. Orgulho ainda mais justificado por sabermos que quatro deles (Adrien, João Mário, Rui Patrício e William Carvalho) integravam, à época, o plantel leonino. 

 

Tentei lembrar-me qual foi o contributo do Benfica para essa magnífica proeza do futebol nacional. Ficou difícil. Socorri-me, portanto, de um meritório trabalho jornalístico - intitulado "Que aconteceu em quatro anos aos 23 do Europeu de França", publicado na passada sexta-feira e assinado por Rogério Azevedo, talvez a melhor pena do momento no jornal A Bola - para me avivar a memória.

Dos 23 jogadores portugueses que participaram nessa proeza em França, apenas três estavam associados ao SLB: Eliseu (entretanto retirado), André Gomes e Renato Sanches.

Gomes completou a formação enquanto jogador nos encarnados, embora seja essencialmente produto da escola boavisteira, e Sanches é o único verdadeiro "menino da Luz" inserido neste lote. Integrava aliás o plantel benfiquista por alturas do Euro-2016.

 

O que têm feito Gomes e Sanches de então para cá? Recorro ao referido trabalho jornalístico para fornecer a resposta.

Gomes, agora no plantel do Everton, após uma passagem falhada pelo Barcelona, marcou apenas quatro golos em clubes (à média de um por ano) e nenhum pela selecção.

Sanches, hoje a actuar pelo Lille após prolongadas passagens pelos bancos de suplentes do Bayern e do Swansea, tem exactamente a mesma marca do seu antigo companheiro do Benfica: quatro golos nos clubes por onde passou nestes quatro anos e nem um só para amostra ao serviço da selecção.

 

Números esclarecedores, como se percebe. Mas ninguém diria, se déssemos crédito à propaganda encartilhada. Que transforma qualquer fracasso no maior sucesso, com alguns basbaques a bater palminhas.

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