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És a nossa Fé!

"Fogo amigo" sobre Cristiano Ronaldo

 

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Dizem-me que as "redes sociais" cá do burgo se encheram nas últimas horas de tugas indignados a disparar sarcasmos em diversos tons contra Cristiano Ronaldo, ontem eleito pela quinta vez melhor profissional de futebol do mundo. Preferiam talvez o argentino Messi, como se o nosso compatriota não tivesse conquistado só neste último ano a Liga dos Campeões, o campeonato espanhol e o Mundial de clubes, além de ter integrado a selecção portuguesa que subiu ao pódio da Taça das Confederações.

É sina nossa: quando alguém cá nascido e aqui criado se destaca, erguendo-se acima da mediania, logo sente os conterrâneos a crivá-lo de "fogo amigo", com palavras quase tão mortíferas como punhais. A inveja é uma espécie de passatempo nacional exercido com prodigalidade. E quanto mais alto está o alvo, mais se enfurece a legião de detractores.

Uma das críticas recorrentes a Cristiano Ronaldo, no vespeiro das redes, relaciona-se com o idioma: acusam-no de ter um domínio insuficiente do português. Tomaram muitos destes anónimos internautas que o apontam de dedo em riste - analfabetos funcionais - exprimirem-se tão bem não apenas na nossa língua mas também em inglês e castelhano, como se expressa o mais célebre n.º 7 do futebol à escala planetária.

Por mim, gostaria de ver muitos dos nossos políticos, que mal chegam a Badajoz desatam logo a palrar "estrangeiro", comunicar em português perante plateias internacionais como Ronaldo fez na gala da FIFA, recorrendo com orgulho ao idioma de Camões com o mundo a escutá-lo. Senti-me orgulhoso enquanto compatriota. E senti também orgulho pelo miúdo pobre do Funchal que subiu a pulso no desporto e na vida, à custa de muito talento, muito esforço e muito brio. Dando autênticas lições de tenacidade a milhões de meninos pobres que sonham conseguir o mesmo nos mais diversos recantos do planeta.

Tento imaginar os adeptos argentinos a torcer por Ronaldo enquanto lançam impropérios a Messi. Não consigo: esta é uma originalidade cá do torrão, nada transmissível. Padecemos de endémica alergia ao mérito enquanto prestamos tributo recorrente à mediocridade mais rasteira. Se existe sintoma do nosso atraso estrutural, no capítulo das mentalidades, é precisamente este. Que nos tem levado, geração após geração, a marcar golos consecutivos na própria baliza.

 

Texto publicado originalmente aqui

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