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És a nossa Fé!

Faz hoje um ano

 

No dia seguinte, o Sporting jogaria a final da Taça, contra o Aves. Mesmo com os jogadores fragilizados, por terem sido vítimas, escassos quatro dias antes, de um cobarde assalto ao seu domicílio profissional.

Deviam estar eles no foco das notícias. Mas não: quem insistia em surgir debaixo das luzes dos holofotes era o presidente do clube, Bruno de Carvalho. Não para dar moral à equipa, não para apaziguar os adeptos, não para apelar à mobilização dos verdadeiros desportistas. Mas para lançar ainda mais achas numa fogueira que ele próprio havia ateado nas semanas e nos dias precedentes.

E também para informar o País que decidira não comparecer no Estádio Nacional. Tal como já estivera ausente dos jogos no Estoril, em Madrid e no Funchal - divorciado da equipa.

 

Nesse dia 19 de Maio de 2018, marcou uma "conferência de imprensa" para as 13 horas. Apareceu afinal 75 minutos depois, sem uma palavra de desculpa aos jornalistas ali convocados em plena hora de almoço. Tratando-os por "vocês", como se aqueles profissionais da informação que lhe aturaram a grosseria fossem subordinados ou capatazes dele.

Falou, falou, falou, falou. Invocando com chocante impudor os seus familiares mais próximos. Pronunciando mais de setenta vezes o pronome "eu", bem ao seu timbre. Confundiu-se com o Sporting, como um rei-sol. Qual Nicolás Maduro: parecia o ditador venezuelano, que monopoliza o microfone, abusando do tempo e da paciência dos interlocutores. Sem contraditório, durante 116 minutos.

 

Criticou todos os órgãos de comunicação social, chamando-lhes "criminosos".

Criticou Álvaro Sobrinho, principal accionista privado da SAD leonina.

Criticou forte e feio o presidente da Assembleia Geral, Jaime Marta Soares.

Criticou Rogério Alves.

Criticou José Maria Ricciardi, que foi um dos seus maiores apoiantes.

 

Espantosamente, na véspera da final da Taça de Portugal, não se inibiu sequer de criticar novamente os jogadores, como já fizera no rescaldo do Atlético Madrid-Sporting e no dia que antecedera o Marítimo-Sporting, com cenas no aeroporto do Funchal que funcionaram como uma espécie de prelúdio de Alcochete.

Foi ao ponto de proferir esta frase: «Por vezes, nos jogos, [os jogadores] não dão tudo aquilo que podem.»

E disparou, talvez como "incentivo" suplementar aos profissionais leoninos que iriam comparecer no Jamor: «Teríamos motivos para [lhes] fazer alguns processos disciplinares.»

 

Fez-se ele de vítima.

«Eu não mereço o que se está a passar.»

«Eu estou a sofrer o acto terrorista mais vil que já na minha vida.»

Eu, eu, eu, eu, eu, eu, eu, eu, eu, eu, eu, eu, eu, eu...

Entre tantas críticas, esqueceu-se apenas de criticar as claques. Sobre isto, nem um sussurro. Há silêncios que gritam. Foi o caso.

 

O que se escreveu por cá?

 

O Pedro Bello Moraes: «Aos sportinguistas que não votaram em Bruno de Carvalho para presidente do Sporting Clube de Portugal, aos desportistas, aos portugueses, a todos peço desculpa por ter ajudado a eleger este homem para a liderança de uma das mais importantes, relevantes e estruturantes instituições nacionais.»

 

O JPT: «Eu posso perceber que para alguns apoiantes de Bruno de Carvalho seja difícil, por paixão ou iliteracia, perceber o quão evidentemente patológico e ilógico é o actual quadro mental do presidente do Sporting. E não o digo com sarcasmo ou como injúria. Um estado destes exibido com esta exposição pública de forma tão ilimitada não augura nada de bom para o próprio, e digo-o com sincera preocupação.»

 

O José Navarro de Andrade: «Bruno de Carvalho cortou a última amarra que o liga à realidade. Ao longo de uma penosa e pungente divagação balançou entre o "orgulhosamente só" e a paranóia de um Macbeth. Em resposta uma pergunta resumiu tudo: "Portugal aproveitou para tentar destruir o seu enfant terrible." Vá lá não ter dito "o mundo"...»

 

O António de Almeida: «Acreditar que Bruno de Carvalho está a ser vítima de gigantesca conspiração e não tem culpa pelo estado comatoso do Sporting Clube de Portugal, equivale salvaguardadas as devidas distâncias à crença que foram os judeus os responsáveis pela noite de cristal na Alemanha dos anos 30.»

 

Remate meu: «Duas horas de perlenga, atacando os jogadores e afagando as claques quatro dias após aquelas indescritíveis cenas em Alcochete: foi das coisas mais obscenas que tenho ouvido desde sempre no Sporting.»

 

 

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