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És a nossa Fé!

Ética - Porque hoje (não) é Sábado

Cresci com o jornal A Bola. Vivi aventuras extraordinárias, transportado para o imaginário da Volta a França a bicicleta - como não recordar as célebres entrevistas a Joaquim Agostinho? - pelo grande Carlos Miranda. Aprendi o bom uso da palavra com o "professor" Carlos Pinhão, vibrei com as colunas de opinião de Vitor Santos, experienciei múltiplas emoções através da objectiva de Nuno Ferrari. Outros nomes, como Aurélio Márcio, Alfredo Farinha ou Homero Serpa também fazem parte do meu espólio desses tempos esplendorosos do jornal.

Hoje, é com pesar que não reconheço a mesma qualidade, credibilidade e, sobretudo, independência a A Bola. É certo que ainda existem bons jornalistas como António Simões, Rogério Azevedo ou André Pipa (para mim, o melhor), mas o jornal claramente perdeu fulgor e deixou de ser a referência.

Vem este arrozoado a propósito da crónica que Vitor Serpa vem assinando denominada "Porque hoje é Sábado". Esta rubrica tem apensas duas pequenas colunas denominadas "Dentro da Área" e "Fora da Área".

Começando pela fim (!?), nesta última, Serpa decidiu comparar a ameaça de uma guerra nuclear (!) com o tipo de discurso "desabrido", habitual no futebol português. Ora, por muito que percebamos quem o Director do jornal pretenda atingir e transformar no "monstro que come pequeninos"- até porque quem ganha, geralmente, está calado - a comparação que estabeleceu enferma de leveza e constitui uma estultice e uma ignomínia para todos os que viveram, ou continuam a viver devido às consequências da radioactividade, o pesadelo de Hiroshima ou Nagazaki. Já passaram três dias, aguardo que Vitor Serpa, após serena reflexão, apresente um pedido de desculpas a todos os que envolveu no supracitado texto. Em nome da razoabilidade.

Já na crónica "Dentro da Área", o Director define a principal competição velocipédica nacional como "Volta azul a Portugal", considerando-a um tédio e dotada de um "colossal desequilibrio competitivo". Deseja ainda que, no futuro, consiga "recuperar a paixão" que já teve em Portugal, ignorando assim os magotes de gente que vemos, pelas imagens da RTP, diariamente acompanhar a Volta. Será que todo o equilibrio, toda a expectativa, todo o entusiasmo e toda a paixão só serão recuperados quando houver Benfica na estrada? Há ainda duas questões que importa reter: por um lado, ao resumir a prova desta forma, está a retirar mérito ao(s) provável(eis) vencedor(es), a W52 FC Porto, o que não me parece correcto; por outro lado, e escrevo por honestidade intelectual antes da etapa decisiva da Torre, há ainda um ciclista do Sporting-Tavira (e outro do Hospital de Loulé, em segundo, actualmente) em condições de ganhar a Volta (está em terceiro lugar, a apenas 19 segundos do líder), o que a concretizar-se retiraria qualquer credibilidade a tão definitiva quão prematura peça jornalistica.

Enfim, para terminar, queria deixar o meu desejo de que A Bola, um dia, venha de novo a ser merecedora do seu grandioso legado.

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