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Entrevista a Erick Mendonça - Jornal Sporting

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Maria Gomes de Andrade e Mário Morgado Ribeiro; Pedro Zenkl

 

Erick Mendonça renovou a ligação ao Sporting Clube de Portugal, onde chegou ainda em idade júnior. Depois de três épocas entre o CRC Quinta dos Lombos e a AD Fundão, o fixo regressou para se afirmar e tornar-se peça fundamental da equipa de Nuno Dias, tendo também já ganhado o seu espaço na selecção nacional. Em entrevista ao Jornal Sporting e à Sporting TV, Erick Mendonça falou do passado e do presente, deixando ainda um repto a todos os Sportinguistas.

 

Três temporadas depois do regresso, renovação. Era algo que já ambicionava?

Sim, por várias razões, mas principalmente porque se o Sporting CP renovou comigo é porque estou a fazer um bom trabalho e porque acredita em mim. É um casamento feliz e, por isso, cabe-me continuar a trabalhar para representar e dignificar esta instituição da melhor maneira.

 

Este novo contrato deu-lhe uma maior responsabilidade? 

Eu tenho uma forma muito peculiar de ver a responsabilidade. Sinto-me responsável, mas gosto de levar as coisas de ânimo leve. Ainda assim, obviamente, quem representa o Sporting CP sabe a responsabilidade que isso acarreta, mas gosto de pensar que tenho as mesmas obrigações que tinha antes de renovação.

 

O Erick Mendonça tem apenas 25 anos, é um jovem, mas ao mesmo tempo é já dos mais experientes do plantel. Vê isso de forma positiva?

Não sei se gosto que me coloquem no mesmo patamar do Cavinato, Merlim, Cardinal ou João Matos... (risos). Claro que é positivo ser dos mais jovens - ainda que agora tenhamos uma fornada ainda mais jovem - e já ter alguma experiência. Isso dá-me bagagem e a capacidade de transmitir algo aos mais novos.

 

"GOSTO DE PENSAR QUE TENHO A MESMA RESPONSABILIDADE QUE TINHA ANTES DE RENOVAÇÃO"

 

E os mais novos vêem-no como um exemplo e pedem-lhe conselhos ou não?

(risos) Alguns... o Zicky tem a mania que sabe tudo, a alcunha dele até é "o mais" porque ele diz que é o mais em tudo. Se alguém diz que salta 30 metros, ele diz que salta mais, se alguém faz quatro golos, ele diz que marca mais... Ele diz que só responde com trabalho, mas está de chuva (risos). Até é o pior no 25, que é um jogo que nós fazemos.

(...)

Agora mais a sério, fora de brincadeiras.. não sou o mais velho e por isso também acabo por ter uma proximidade maior com eles, mas, ao verem-me como um jogador experiente, esses conselhos acabam por surgir de forma natural. Penso que mais com o Tomás Paçó, porque jogamos na mesma posição, ainda que dê conselhos a todos.

 

Que tipos de conselhos é que lhes costuma dar?

Técnicos mais ao Paçó, mas, por norma, os conselhos que mais dou têm a ver com a forma de estar e de como lidar com algumas situações porque não é fácil, e há uma diferença muito grande entre um plantel de séniores e um de júniores. Eu que fiz essa transição noutras equipas e sei como é complicado, sobretudo no balneário. O nosso balneário é espectacular, mas, por vezes, é difícil encontrar o nosso lugar.

 

E o Erick fez a transição em balneários e clubes com objectivos totalmente diferentes dos do Sporting CP. Ter vivido outras realidades foi importante para si e para a sua carreira?

Foi muito importante. Eu saí do Sporting CP para o CRC Quinta dos Lombos quando tinha acabado de chegar aos séniores e apanhei uma estrutura incomparável à do Sporting CP e depois saltei para a AD Fundão num patamar mais profissional. Acho que é importante passarmos por essas fases. Se não tivermos de as passar e se nos soubermos adaptar, melhor, mas acho que é importante por vários aspectos e até para vermos a diferença entre ser amador e profissional. Por vezes, quando temos tudo, não damos valor ao resto - que até é o mais normal.

 

De tudo aquilo que viveu nessas experiências, o que é que o ajudou mais a crescer?

A derrota. Nesses clubes perdia mais vezes do que ganhava, sobretudo no CRC Quinta dos Lombos. E isso fez-me também batalhar por objectivos diferentes. São outras realidades. E o balneário também é muito diferente. O nosso é incrível, mas num balneário profissional, como é o do Sporting CP, os objectivos são outros e a exigência também. Num treino no CRC Quinta dos Lombos ou na AD Fundão se as coisas não me corressem bem, ok, no próximo corre melhor, mas aqui se não correr bem tenho logo o Cavinato a chatear porque falhei ou não lhe passei a bola. É uma exigência diferente.

 

Regressou totalmente diferente após três anos fora ou não?

Obviamente que sim e regressei com muita ambição, mas também sem saber aquilo que me esperava. Saí da AD Fundão um menino e tornei-me num homem. Defrontava o Sporting CP e tinha perfeita consciência da qualidade da equipa, então pensava 'onde é que eu me vou integrar ali? Qual vai ser o meu papel?' Felizmente, acho que soube perceber onde seria importante e, por isso, o primeiro ano acabou por ser superpositivo para mim.

 

Ainda assim, o Erick já conhecia a estrutura... ou encontrou muitas diferenças?

Encontrei. A organização era outra, assim como a competitividade e a qualidade. No meu regresso encontrei um Sporting CP mais profissional do que já era na minha altura.

 

E acreditava que se poderia afirmar tão depressa como veio a afirmar?

Não, de todo. Fizemos um primeiro estágio em Ansião, no qual jogámos com o CCRD Burinhosa, e depois tivemos a Master Cup, no Algarve, contra o Inter FS e o Magnus Futsal, e tive muitos minutos, mais do que eu achava que ia ter. Com isso senti que poderia ser aposta, ainda que com algumas reticências. Depois, felizmente, o meu primeiro jogo em casa, frente ao CF "Os Belenenses", correu-me muito bem.

 

Aconselhou-se com alguém ou no regresso já sabia o que tinha de fazer?

Quando era novo, agarrei-me muito ao Matos, por várias razões. Vivíamos perto, ele dava-me sempre boleia e aí trocávamos muitas ideias. Quando regressei já conhecia o Matos, mas procurei beber um pouco de todos a todos os níveis. Inicialmente, acho que passei mais tempo com o Pany e, por isso, talvez seja aquele com quem me dou mais actualmente.

 

Que conselhos é que mais o marcaram?

(pensa) Ui, não sei, recebi tantos, mas acho que aquele que foi fundamental para eu dar um salto qualitativo no meu jogo foi um do Leo e depois do Nuno Dias. O facto de ser fixo e a bola chegar ao pivô e eu querer ir lá e bater nele a toda a hora, mesmo que ele estivesse nos dez metros e eu no meio-campo. Foi uma das coisas que o Leo me ensinou: não preciso de ir lá bater e fazer uma falta parva - ajudou-me muito.

 

"CHAMPIONS? FOI INCRÍVEL E FOI LOGO NO MEU PRIMEIRO ANO"

 

E tinha regressado com que objectivos?

Muitos. Ganhar todas as competições internas - até agora escapou-me uma -, afirmar-me, conseguir que o Sporting CP me levasse à selecção nacional e vencer a UEFA Futsal Champions League, mas o objectivo da Champions estava guardado na gaveta... não achava que ia ser logo à primeira.

 

A conquista da Champions League foi o ponto mais alto até este momento?

Sim, não tem como não ser. Além de ser o maior título europeu, também porque nunca pensei que o pudesse ganhar logo no primeiro ano. Os astros alinharam-se todos e aquela semana foi incrível. Desde chegarmos lá e as malas com os nossos ténis não aparecerem, à forma como tudo se desenrolou. Foi incrível.

 

O árbitro apitou para o final do jogo e o Erick ajoelhou-se e agarrou-se à camisola. Do que é que se lembra mais?

Lembro-me de o Leo aliviar a bola lá atrás, começar a correr e, depois, de ver o Luis Ribeiro (fisioterapeuta) a entrar no campo com uma bandeira do Sporting CP e o Cardinal a mandar vir com o árbitro para ficar com a bola de jogo, porque ele gosta sempre de ficar com a bola, e o árbitro dizer-lhe que não (risos). Depois disso, acho que não me recordo de mais nada.. foi só festejar.

 

Foi uma semana inesquecível que acabou da melhor maneira...

Sim. Foi uma semana incrível. Desde chatear o Castelo (Luis Santos Castelo, jornalista do Jornal Sporting) - só ele sabe o que sofreu, é bom rapaz - ao almoço com o presidente depois de vencermos. Os jogos com o Carlinhos [roupeiro], o Andrew [fisioterapeuta], o doutor. Essas são as memórias que tenho dessa semana. Os astros estavam alinhados e mesmo aquilo que correu mal antes serviu para embelezar ainda mais essa vitória.

 

Teve logo noção daquilo que tinham acabado de conquistar?

Lembro-me de só querer festejar e de dizer para não falarem comigo porque só queria era aproveitar, mas não tinha bem a noção do que se tinha passado. Só percebi quando chegámos a Lisboa, disseram-nos que tinhamos de sair por outra porta e ir para o pavilhão. Ninguém sabia como é que estaria e quando chegámos... estava cheio. Aí é que nos caiu a ficha.

 

Dedicou essa conquista à sua avó. Porquê?

A minha avó foi como uma segunda mãe para mim. É um cliché, mas é verdade. Foi com ela que viemos viver quando a minha mãe veio do México com os filhos nos braços e era ela que ficava comigo quando a minha mãe ia trabalhar. Mesmo depois de já não vivermos com ela, quando a minha mãe saía de casa às 7h30 para ir trabalhar e eu ia jogar para o ringue até às 9h que era quando a minha avó ia à janela e me chamava para ir tomar o pequeno-almoço com ela. Para mim é especial. Era a melhor avó do mundo.

 

Apoiava-o nisto do futsal?

Infelizmente, ela partiu quando eu comecei a ter algum relevo, mas ela adorava futebol e era louca, mesmo louca, pelo Sporting CP - e pelo CS Marítimo porque era madeirense. A minha família é toda do Sporting CP e havia todo um ritual em casa dela quando o Sporting CP jogava e foi ela quem me passou alguns valores do Clube. Tenho pena que ela não tenha visto alguns dos momentos que tenho vivido.

 

Tem até uma tatuagem em homenagem a ela...

Sim. Tenho uma estrelícia, a flor favorita dela - acho que é típica da Madeira -, e um M. L. de Maria Lídia para eternizar a memória dela. Com isso acabo por ter um ritual de jogo que é beijá-la a ela e ao meu avô.

 

Além dessa particularidade, o Erick tem também algo que o caracteriza muito. Porquê tantos penteados e cores de cabelo?

(risos) Há quem me diga 'Erick, representas o Sporting CP e já tens outro tipo de imagem no Clube, se calhar isso não cai bem aos adeptos', mas eu não deixo de ser quem eu sou pelo penteado verde, rosa ou amarelo porque cumpro dentro de campo. Eu sou assim, acabo por ter alguma irreverência e gosto que as pessoas se divirtam comigo. Não o faço para ser engraçado, é assim que eu sou e não tenho de ser julgado - atenção, não sou - por causa do cabelo. Esse é para aproveitar que seja agora enquanto não tenho filhos porque quando tiver eles vão querer fazer como eu (risos).

 

Sendo assim, qual vai ser a próxima cor?

Não costumo revelar, mas acho que vai ser rosa (risos).

 

Voltando ao futsal e falando sobre esta época. Soma 25 jogos e 14 golos marcados, tendo ultrapassado a sua melhor marca de golos. Podemos dizer que estamos perante o melhor Erick.

Eu quero acreditar que o melhor ainda está para chegar. Estou bem, mas ainda estou longe daquilo que posso fazer. Ainda assim, sim, estou no melhor momento tanto a nível de golos, como de assistências e de jogo jogado. Resta-me continuar.

 

"O SPORTING CP FORMA HOMENS DE CARÁCTER QUE SABEM LUTAR PELO CLUBE"

 

João Matos, Erick Mendonça e Tomás Paçó: os três formados no Sporting CP. Isso quer dizer que o Clube produz bons fixos?i

(risos) Isso quer dizer que se produzem, pelo menos, atletas com raça. Acho que ser fixo não é difícil, ainda que tenha de se saber ler o jogo, mas isso ganha-se, acho que é preciso é ter raça. Acho que a nível ofensivo é preciso possuir uma capacidade que se tem ou não, mas ao nível defensivo o fundamental é ter atitude. Só passa por mim quem eu quiser e se eu permitir. Ainda assim, mais do que se formarem bons fixos, formam-se homens de carácter que sabem o que é lutar e batalhar pelo Clube.

 

E o que dizia o Erick de hoje àquele que se estreou na equipa principal do Sporting CP em Agosto de 2013?

Diria tu não jogas nada (risos). Ainda hoje sou gozado, principalmente pelo Pauleta, que diz aos miúdos 'se vocês tivessem noção de como jogava o Erick quando era júnior, ninguém diria que estar aqui agora' (risos). Por isso, acho que era isso que lhe dizia: 'sai daí que não estas aí a fazer nada'.

 

E se não estivesse aqui hoje, estaria onde e a fazer o quê?

Boa pergunta. Gosto de muitas coisas, mas o que estaria a fazer não sei. Estou muito bem como e onde estou e não quero mudar para já.

 

Que objectivos é que se seguem então?

Ganhar tudo e aquilo que ainda não venci. Tenho em mente o Campeonato Nacional, que ficou pendurado no ano passado.

 

"NADA ME DÁ MAIOR PRAZER DO QUE VER O SPORTING CP A UNIR-SE NOVAMENTE"

 

E aos adeptos quer dizer alguma coisa?

Sim, que continuem a ser ecléticos e a apoiar o Sporting CP.

Nada me dá maior prazer agora do que ver o Clube a unir-se novamente e falar com algum amigo Sportinguista que estava bem escondido, porque não sentia a mística, e agora sente e diz que está nervoso antes de um jogo. Que isto nunca se perca. Somos o melhor Clube do mundo. Certamente que quando houver público isto vai ser ainda mais bonito e, se remarmos todos para o mesmo lado, o futuro será risonho.

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Fonte: Edição N.° 3809 do Jornal Sporting

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