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És a nossa Fé!

Em memória de meu pai

Chego hoje a És a nossa fé, honrada pelo convite e empenhada em não desmerecer.

Chego hoje a És a nossa fé e cumpro o ritual de apresentação:

Madalena.

Professora, leitora, autora.

Sempre gostei de dizer: O meu coração é verde!

Nasci Sporting! No dia a seguir, muitos anos depois. E às vezes (há anos felizes!) consigo unir celebrações.

No arco-íris da minha infância, sempre o verde brilhou mais e, com o meu pai, aprendi a viver o Sporting, em valores, código de conduta e ecletismo identitário – o atletismo, o hóquei em patins, o ciclismo… e o futebol!

O futebol!

Era eu bem pequena quando se manifestou a crise quinzenal de domingo à tarde. Dia de jogo em Alvalade: o meu pai ensaiava saída sorrateira, de cachecol na mão, enquanto a minha mãe tentava distrair a miúda, que ficava em lágrimas birrentas – «Eu também quero ir!».

E um dia fui mesmo! E a estreia foi triste…

Lembro-me da confusão, da gritaria e do meu assustado choro. Sempre me foi dito ter-se jogado um Sporting vs Leixões: penalti (mal) assinalado a favor dos visitantes, convertido à segunda porque o Damas defendeu na primeira marcação e o árbitro mandou repetir. E o jogo acabou! Aos sete minutos porque houve invasão de campo!

Iludiram-se os meus pais, confiando na futura serenidade dominical. Engano! Quando suspeitei ser novamente dia de jogo, plantei-me à porta e disse: «Então, pai, vamos ao Sporting?».

Muito tive de esperar: o jogo da minha estreia (29 de outubro de 1972 – encontrei a notícia em Estórias d’Alvalade, de Luís Miguel Pereira, 2003) teve como consequência nove jogos de interdição do estádio (coisa estranha… ao que parece, houve tempo em que estes castigos eram cumpridos).

Mas voltei e voltei e voltei… E volto sempre! Sempre se regressa à casa do «nosso grande amor»!

Se o espetáculo da minha estreia na vivência futebolística foi triste e feio, embora ritual de iniciação robustecedor, muitos e muitos mais foram os momentos belos e de louca alegria. Com o meu pai, mais tarde também com o meu irmão, eu vi o Damas, o Manuel Fernandes e o Jordão; o Figo, o Ronaldo e o Nani; o Ivkovic, o Schmeichel e o Rui Patrício; o Beto, o Valckx e o André Cruz; o Oceano, o Sá Pinto e o Pedro Barbosa; o Balakov, o Iordanov e o Duscher; o Acosta, o Jardel e o Liedson…

Vi muitos e muitos jogos com o meu pai, sócio 2. 237, à data da sua morte, em 2019.

Volto sempre a Alvalade e sento-me no Lugar de Leão que foi dele.

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{ Blogue fundado em 2012. }

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