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És a nossa Fé!

Elevar-se para olhar mais longe - uma reflexão sobre a política de comunicação do Sporting

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Que a presidência de Bruno Carvalho tem reforçado a militância dos adeptos do Sporting parece-me um dado confirmado pelas assistências aos jogos nos últimos anos. Assim como o ruído das claques que durante a última década acedeu às redes de “media social”, que tomou como um prolongamento dos rituais de apoio ao clube nas bancadas – os sportinguistas “fanáticos” andam mais motivados por estes dias, e isso é positivo, digo-o sem qualquer desdém: são eles (nós) que preenchem os lugares no estádio, pagam as quotas, contribuem para a Missão Pavilhão ou outra, compram merchandising para oferecer aos sobrinhos ou afilhados, e alguns ainda compram o Jornal do Sporting no quiosque e, imaginem, participam na vida associativa do clube.

O problema quanto a mim é que o Sporting não é sustentável só com este núcleo duro, chamemos-lhe assim, tem de se elevar para olhar mais longe e reconquistar as margens e periferias, para ser uma marca atractiva num universo mais lato. Acontece que, tão importante quanto os militantes, é o universo de simpatizantes mais ou menos desprendido que não assina canais pagos de desporto e só vai ao futebol muito ocasionalmente, mas que socialmente funciona como que um “farol leonino”: na família ou no trabalho assume a simpatia pelo seu clube mas sem grande compromisso, seja porque o desporto tem um lugar secundário na sua hierarquia de interesses, ou porque não está para se chatear com mais polémicas, intrigas e aborrecimento… e porque não tem grandes expectativas que o clube lhe devolva um pouco do entusiasmo que despendeu algures no passado sendo campeão. É com este último grupo que me preocupo mais: além dos meus filhos eu “eduquei” os meus muitos sobrinhos para serem resilientes sportinguistas. Levei-os ocasionalmente ao futebol, ofereci-lhes o Cachecol que hoje ainda guardam, mas com os anos e anos seguidos de frustrações foram-se desligando. Aqui chegados, queixam-se que o Sporting, não se sagrando campeão, praticamente só dá nas vistas com as polémicas estúpidas que saem nas parangonas dos jornais e que são peroradas nas TVs.
É por tudo isto que estou convicto que o Sporting para sobreviver a longo prazo tem de aumentar a atracção dos simpatizantes mais ou menos desprendidos. É evidente que a conquista do título é a fórmula mais eficaz para tal desiderato. Mas há outras, como por exemplo uma comunicação amigável que os seja capaz de cativar, que não esteja fixada nos escândalos e guerrilhas mais ou menos artificiais que os polemistas, numa violência inaudita, berram insanamente na televisão. O futebol não pode expulsar da sua órbitra as pessoas razoáveis, que não o vivem como se essa actividade fora uma guerra sem quartel em que os grunhos são preponderantes.

Desconfio que por estes dias a forte militância sportinguista esteja a mascarar este divórcio que se adivinha crescente e exponencial das pessoas normais com o futebol. Na minha modesta opinião, o Sporting tem de, urgentemente, elevar-se da lama comunicacional em que é tentado chafurdar e acautelar uma política que não afaste definitivamente da sua órbita os simples simpatizantes. Ou começar a pensar nisso, pelo menos.

4 comentários

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    Alvaro Antunes 19.03.2018

    Sportinguistas "como todos nós" não serão. O Sporting não se esgota nem acaba nas conquistas do futebol sénior masculino. Se assim fosse, há muito que estaríamos belenizados. Desde 1958 que o Sporting não ganha 2 campeonatos seguidos (até 74 foi de 4 em 4 anos; éramos campeões em ano de Mundial); depois de 74, só ganhámos 4 campeonatos (em 43 anos). As épocas de maior associação no SCP foram no consulado de João Rocha (graças, sobretudo, à ginástica e à natação, mas também ao forte eclectismo do clube). Agora, repete-se esse ciclo: um número crescente de associados, apesar dos resultados do futebol, graças à aposta nas modalidades e a campanhas mais agressivas de captação (que, já agora, convém esclarecer que também fazem parte da "comunicação do Clube").
    O Sporting cumpre o anseio dos fundadores de estar entre os maiores da Europa graças a 28 títulos internacionais, dos quais, apenas 1 diz respeito ao futebol (e em 1964).
    Estivemos 13 anos sem Pavilhão para as modalidades, andando estas com a casa às costas! Este é o 1º ano de Pavilhão João Rocha. Os hábitos também se constroem. Se habituarmos as gerações mais jovens aos dias Sporting, elas aperceber-se-ão da real dimensão e grandeza do Clube e estarão menos futebol-dependentes. A Comunicação de um Clube com a grandeza do Sporting faz-se sobretudo através dos seus sócios e adeptos; temos que assumir perante as novas gerações um discurso sobre o Sporting mais positivo, mais ligado aos seus valores históricos, mais afirmativo das nossas conquistas, mais consciente das nossas responsabilidades sociais.
    é assim que construímos um Clube maior e mais capaz de vencer!
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    Leão de Queluz 20.03.2018

    Claro que estava a referir-me ao futebol senior, nas modalidades dominamos há muitos anos e com Bruno de Carvalho ainda mais. Quando falo em Sportinguistas "adormecidos" são aqueles com pouca ou nenhuma militância que só despertam quando veem resultados ,mas não podem ser hostilizados, todos somos Sportinguistas, uns mais militantes que outros. As assistências de José Alvalade também tem o contributo destes. Quando o Sporting ganhar um campeonato o Marques vai ser pequeno!
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    Alvaro Antunes 20.03.2018

    Espero que não seja no Marquês mas sim no Estádio de Alvalade, com enchente e com Pavilhão João Rocha a transmitir emissão especial SportingTv no Cubo e com ecrãs gigantes à volta do estádio e pavilhão. O Marquês que fique para os Toupeiras. A fazer na "rua" que seja ou junto ao Estádio ou enchendo a Praça do Comércio e as ruas sem tráfego automóvel da Baixa (e abrindo a nova Loja Verde com um produto especial)
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