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Elas na história do Sporting (9): Avelina Alvarez

Avelina.JPG

 

Embora, para o grande público, de forma quase sempre mais ou menos despercebida, a ginástica desempenhou ao longo da história do Sporting um importantíssimo papel na vida do clube. Esta modalidade, além, naturalmente, do seu peso como disciplina de base na preparação de muitas outras actividades desportivas, pôde constituir-se como um pólo fundamental da relação entre o clube e os sócios. De facto, secundada, especialmente, pela natação, a ginástica sempre proporcionou aos sportinguistas a possibilidade de uma efectiva prática do desporto, permitindo assim que o Sporting apresentasse e beneficiasse de uma intensa vida associativa, salutarmente alheia às preocupações com os êxitos ou os fracassos da sua equipa de futebol.

 

Dois nomes foram decisivos para a definitiva importância que a ginástica atingiu e mantém no Sporting: João Rocha, cujo impulso, principalmente no início do período que se seguiu ao 25 de Abril, fez com que os praticantes deste desporto atingissem um número da ordem dos milhares, cerca de 7 500 no início dos anos 80, e o Prof. Henrique Reis Pinto, uma figura extraordinária do clube e, muitas vezes, tão lamentavelmente esquecida pela generalidade dos sportinguistas.

 

Henrique Reis Pinto chegou ao Sporting em 1948 e por cá permaneceu durante 56 anos, até 2004, ano da sua morte. Apaixonado adepto do Sporting,  homem com um currículo no clube que o torna numa figura de certo modo semelhante à de Mário Moniz Pereira, Reis Pinto, além da maneira empenhada e competente como tratou das coisas da ginástica e as trouxe para um patamar elevadíssimo de adesão popular, dedicou-se, também, ao basquetebol, voleibol, futebol e remo e foi preparador físico das equipas de futebol do Sporting que conquistaram o campeonato nacional, a Taça de Portugal e a Taça dos Vencedores da Taças, respectivamente, em 1962, 1963 e 1964. Henrique Reis Pinto foi ainda o grande responsável pela realização em Portugal, em 2003, da Gymnaestrada, um acontecimento desportivo, destituído de carácter competitivo, de relevância mundial. Foi ainda, por duas vezes, vogal da direcção do clube e desempenhou, ao serviço do Estado, funções como Coordenador Nacional do Desporto, Subdirector Geral dos Desportos e Director Geral dos Desportos e, exerceu, na Federação Portuguesa de Ginástica, os cargos de Director Técnico de Ginástica Geral, Membro do Comité Técnico de Ginástica Geral e Presidente da Direcção. O Prof. Reis Pinto foi, igualmente, representante do Ministério da Educação no Comité Intergovernamental da UNESCO, em Paris, e representou o Ministério dos Negócios Estrangeiros no Conselho da Europa, em Estrasburgo.

 

Uma carreira desta dimensão não podia deixar de ser abrilhantada com significativas honrarias, como foram, entre outros, os prémios e condecorações Leão de Ouro, atribuído pela Assembleia Geral do Sporting Clube de Portugal, em 1978, a Medalha de Mérito Desportivo, em 1982, a de Comendador da Ordem do Infante, atribuída pela Presidência da República, em 1982, o de Sócio de Mérito da Federação Portuguesa de Ginástica, em 1982, a Medalha Reconhecimento, pela União Europeia de Ginástica, em 1993, e o Colar Valor, Mérito e Bons Serviços, pela Federação Portuguesa de Ginástica, em 1995. Foi-lhe, igualmente, atribuído um Prémio Stromp, em 1966.

 

As palavras são como as cerejas e, onde eu pretendia estabelecer uma base para a modesta consagração, nesta série, de mais uma figura feminina da história do Sporting, vinda de fora do atletismo, quase acabei por dedicar o texto, exclusivamente, a mais um nome masculino dessa mesma história. Não que isso fizesse mal. Se não existisse uma conexão, alterava o título do post, centrava-o no Prof. Reis Pinto e escrevia outro sobre Avelina Alvarez. Mas não me parece que isso seja necessário. Esta grande atleta do Sporting foi uma excelente ginasta e numa época em que a modalidade, graças, em grande parte, a Reis Pinto, se afirmava como um pilar do clube, conseguiu ser, por três vezes consecutivas, campeã nacional individual, em 1979, 1980 e 1981, tendo estado presente, em representação de Portugal, nos Jogos Olímpicos de Moscovo. Em 1981, a sua importância como atleta do clube foi reconhecida com a atribuição de um Prémio Stromp, devendo salientar-se, ainda, que Avelina Alvarez constou do conjunto de 100 personalidades que fizeram  parte da Comissão de Honra do Primeiro Centenário. Como se vê, Avelina Alvarez resiste com bravura à proximidade de Henrique Reis Pinto, erguendo-se como um nome valiosíssimo na história do Sporting Clube de Portugal.

 

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