Saltar para: Post [1], Comentar [2], Pesquisa e Arquivos [3]

És a nossa Fé!

Doze notas sobre o jogo de ontem

imagesCA5HYF1Z.jpg

 

1. Foi um bom treino para o desafio de terça-feira, contra a Dinamarca. Um desafio que temos mesmo de ganhar. Este amigável de ontem, que nos opôs à selecção francesa, serviu fundamentalmente de teste. Perdemos no resultado, tangencialmente, por 1-2. Mas o teste foi superado: creio que Portugal voltou a ganhar uma equipa.

 

2. Fernando Santos, sem complexos de qualquer espécie, não hesitou em lançar seis novos membros no onze-base da selecção. Alterando o desenho táctico e as dinâmicas de jogo, abdicando de um ponta-de-lança fixo durante a maior parte do encontro. Demonstrou ousadia e confirmou ter ideias próprias. A largos espaços, Portugal dominou a partida - sobretudo na segunda parte, onde tivemos uma exibição de grande nível.

 

3. Valeu a pena fazer regressar Tiago, Quaresma, Danny e Ricardo Carvalho à selecção? A meu ver, sim. Isto tem o condão de cortar pela raiz aquela tendência tão portuguesa de suspirar por saudades daqueles que estão longe. Fernando Santos fez saber, desde o minuto zero, que com ele ninguém está dispensado de dar o seu contributo. E com isso anulou qualquer possível candidatura a D. Sebastião.

 

4. Estreias absolutas na selecção A de dois jogadores do Sporting: Cédric e João Mário. Ambos com vasta experiência a nível das selecções mais jovens (Cédric foi vice-campeão mundial sub-20). O nosso lateral direito teve uma partida ingrata, sobretudo na primeira parte, em que o caudal ofensivo francês foi quase sempre canalizado pelo seu flanco sem o devido apoio dos alas portugueses: Nani e Cristiano Ronaldo não recuavam em missões defensivas,  enquanto André Gomes e João Moutinho tardavam nas dobras, o que criava persistentes desequilíbrios nessa zona (Eliseu sentiu o mesmo problema na lateral esquerda). Mas o seleccionador fez bem em mantê-lo em campo até ao apito final.

 

5. João Mário entrou mais tarde, quando faltavam menos de 20 minutos para o fim do jogo, mas creditou-se como um dos melhores em campo, formando um eficaz losango em que os restantes vértices eram William Carvalho (outra grande exibição), Tiago (melhor no segundo tempo, precisamente integrado neste quarteto) e João Moutinho. Mal entrou, com o pesado encargo de render Cristiano Ronaldo, o nosso médio cavou de imediato uma grande penalidade, que daria golo, marcado por Quaresma. Tenho a certeza de que Fernando Santos contará também com ele no desafio contra a Dinamarca.

 

6. Houve exibições superlativas? Nem por isso. Este jogo funcionou sobretudo como demonstração de um colectivo já relativamente afinado - exceptuando os 20 minutos iniciais, em que a selecção francesa se instalou no nosso meio-campo como um vendaval, indiferente ao facto de haver quase dois terços de portugueses ou lusodescendentes nas lotadas bancadas do Stade de France, em Paris.

 

7. Há no entanto um jogador que justifica mais elogios do que os restantes: Pepe. Ontem fez quase tudo bem: percorreu várias vezes toda a extensão da linha defensiva, serviu de pronto-socorro para compensar falhas dos laterais, foi dos pés dele que começaram vários lances de ataque construídos com precisão e esteve a um passo de impedir o golo inaugural dos franceses, substituindo-se a Rui Patrício na linha de baliza. Merece um aplauso especial.

 

8. Fernando Santos esteve bem nas substituições, que melhoraram o nosso rendimento global. Portugal foi uma equipa mais acutilante e focada no ataque com William, João Mário e Quaresma em campo. Destaque para um passe em profundidade, com cerca de 40 metros, de William a lançar Nani, aos 61'. Foi uma das melhores jogadas do encontro. Apenas superada por um remate de cabeça de Ronaldo aos 51', com assistência de Nani, travado in extremis por uma grande defesa do guarda-redes gaulês.

 

9. Em contraste, as entradas de Éder e Vieirinha não produziram nada de novo. Ficou a certeza de que é preferível jogarmos sem ponta-de-lança do que continuarmos a fazer experiências falhadas com "números 9" que não marcam e até preferem andar sempre longe da baliza.

 

10. Danny foi outro jogador que também se mostrou longe da melhor forma - e o que menos rendeu entre os quatro "recuperados" por Fernando Santos, face às exibições de Tiago, Quaresma e Ricardo Carvalho, oscilando entre o bom e o regular. Aparentemente, o avançado do Zenit demorou mais do que os companheiros a adaptar-se ao modelo de jogo definido pelo seleccionador.

 

11. E Ronaldo? Uns furos abaixo daquilo que sempre esperamos dele. Coube-lhe a melhor oportunidade portuguesa em lance corrido e desperdiçou outra hipótese de marcar porque ficou com os pés colados à relva, numa perda infantil de bola. "Frivolidade", chamou-lhe a Marca. Pareceu um pouco desencontrado da equipa. E quando foi para o banco, dando lugar a João Mário, não tardou a aplicar gelo no joelho esquerdo.

 

12. Portugal procurou sempre o empate, sem desistir. Eis a imagem mais forte que nos fica deste encontro que não desfez a nossa já tradicional má-sorte nos embates com a selecção francesa: a última vez que a derrotámos foi em Abril de 1975, tinha Fernando Santos apenas 20 anos. Mas isto já é passado. Agora interessa é pontuar na Dinamarca. Que empatou contra a Albânia. Enquanto alemãesespanhóis perdiam frente à Polónia e à Eslováquia. A Europa do futebol já não é o que era.

Comentar:

CorretorEmoji

Se preenchido, o e-mail é usado apenas para notificação de respostas.

Este blog tem comentários moderados.

{ Blog fundado em 2012. }

Siga o blog por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Pesquisar

 

Arquivo

  1. 2019
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2018
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2017
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2016
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2015
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2014
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2013
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2012
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2011
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D