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És a nossa Fé!

Domingo em casa mas não em casa

É naturalmente com tristeza que não estarei presente com a minha família no próximo e único jogo grande com público que teremos em casa, esta época, no campeonato.

Marcar jogos para o dia de natal às 20h30m, perdão, para o domingo de Páscoa às 20h30m, era algo que não acreditava possível quando comprei pelo 14.º ano a gamebox de sócio.

Devo confessar que têm sido muitas as involuções que senti na gamebox ao longo dos últimos anos - esquecendo a pandemia. Já foi uma forma de conseguir - com os convites oferecidos - trazer pela primeira vez a Alvalade mais de uma dezena de crianças, já foi forma de fidelizar os meus filhos na paixão leonina.

Ultimamente tem sido mais um pretexto de irritação e de tensão. Os exemplos tem sido vários, desde o aumento inusitado para as crianças há poucos anos, passando pelos recorrentes jogos no final de noite de domingo que impedem uma saudável partilha em família (em especial com crianças pequenas em idade escolar que iniciam a sua atividade pelas 8 da manhã de segunda) até à cada vez mais abstrusa relação entre os organizadores da Liga e os adeptos de que a marcação de jogos no fim de semana de Páscoa, incluindo o dia de Páscoa é só mais um exemplo.

A verdade é que a sensação de exploração do sentimento irracional de paixão pelo clube - os maluquinhos que vão ao estádio aguentam, aguentam - tem crescido para lá do que considero pessoalmente saudável.

Mas mais do que a situação própria do ciclo de vida de cada um, encanita-me andarmos há 19 anos com o estádio sistematicamente meio vazio. Fazer jogos ao domingo, na fase crítica do compeonato, para conseguir convencer 28 mil almas a apoiar a equipa, não pode deixar de ser um sinal de alarme para um clube, campeão em título, com a grandeza do Sporting. E se o grande Rubim até gosta - como alguém já me disse - tenha paciência mister, eu não gosto, não por sistema, por regra com uma ou outra exceção.

Não digo que tudo está mal mas muito, mesmo muito está profundamente errado na forma de cultivar a sustentabilidade da popularidade deste desporto. Algo que deveria preocupar tanto os que odeiam o "futebol moderno" quanto os que estão sempre com o "produto futebol" na boca.

Se houver algum interesse em passar a aproveitar melhor os 50 mil lugares haverá certamente um caminho - necessariamente de médio prazo - no qual o clube, os adeptos e a Liga deverão dialogar e acertar passo.

Continuar a fazer tudo da mesma forma, com ligeiríssimas mudanças desde 2003 está condenado a oferecer os mesmos penosos resultados. E ficamos agora a saber, campeões, que o problema não era, estritamente, a falta de títulos, não é verdade?

Entretanto, vem aí uma machadada no poder de compra de muitos e uma crise económica de duração incerta. A que se juntará uma nova época com um calendário suis generis. E há as comparações com a Bundesliga ou a Eredivisie para quem quiser deprimir...

Bom, a prosa já vai longa e pouco mais é do que um desabafo. Pela minha parte, tendo sempre comprado - com um ano de exceção - a gamebox de adepto e, depois, a de sócio, não será de ânimo leve que considero muito seriamente deixar de comprar gamebox para mim e para a família, rendendo-me ao jogo de impulso, à ida a Alvalade de forma mais conveniente e, certamente, menos irritada e tensa à conta da relação entre clube e detentor de lugar de época. 

O fundamental, no final de contas, é viver o Sporting com alegria e paixão. Se esta minha sensação é apenas mais uma consequência do "futebol moderno", alinho com os Supporting e com as claques... "Para o inferno..."

Viva o Sporting. Terá todo o meu apoio em direto do café central de uma aldeia do interior. Entretanto, em Alvalade, ficarão três lugares vazios.

 

P.S.: Na realidade os lugares poderão não ficar vazios mas serão outros leões a usá-los porque lhes emprestarei o lugar já que o clube, também nisso, não consegue encontrar uma forma dinâmica de ajudar na otimização do recursos que deveria ser escasso: um lugar em Alvalade.

Atualizado dia 14 de abril de 2022

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