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És a nossa Fé!

Do céu ao inferno em meia dúzia de meses

Em Maio de 2019 era assim:

sporting2019.jpg

Em Janeiro de 2020, e com muitas derrotas no caminho, foi assim:

mathieu.png

 

O presidente é o mesmo, os seus colaboradores mais próximos também, o que se passou então:

 

1. O sucesso toldou-lhes o raciocínio? 

Enquanto um ano antes os jogadores tinham ido para férias (?) destroçados com uma derrota humilhante e insultos nas bancadas do Jamor, com o treinador a despedir-se deles quase a chorar à porta do autocarro, alguns a preparar-se para rescindir, outros para fazer o possível para esquecer e ganhar coragem para voltar a Alcochete, desta vez foi champanhe, recepção na Câmara e festa em Alvalade.

Keizer e a sua equipa tinham conquistado a segunda taça da época, e o terceiro lugar da Liga, e tínhamos uma equipa reconstruída e moralizada. Havia que fazer uma escolha entre manter Bruno Fernandes, reforçar cirurgicamente a equipa e lutar pelo título, ou tratar da sua venda rapidamente, sanear financeiramente a SAD,  reforçar mais amplamente a equipa, e passarmos a dispor duma equipa equilibrada que permitisse uma época tranquila e, nalguma conjuntura mais favorável, a chegada aos lugares de acesso à Champions.

Pois, nem uma coisa nem outra. Keizer foi sendo mais ou menos marginalizado e ficando sem as peças que julgava importantes para o seu modelo de jogo, os melhores do plantel foram vivendo na incerteza de ficarem ou não dependendo da venda do Bruno Fernandes, e a pré-época foi um desastre disfarçado pelo estágio de alguns jovens sub-18 promissores encaminhados depois para os sub-23.

Com a venda estúpida do Bas Dost e uma derrota humilhante com o Benfica pelo meio, tudo acabou no dia a seguir ao fecho do mercado, quando Keizer é confrontado com a venda de Thierry e Raphinha e a vinda de três emprestados ex-lesionados "pescados" à ultima hora. E o Sporting, a ganhar ao Rio Ave aos 80 minutos, sofre dois golos a cair o pano devido a penáltis cometidos por aquele defesa central que Hugo Viana andou a tentar vender também até ao fecho do mercado. Coates tinha tudo menos tranquilidade para jogar naquele dia. E o Sporting perdeu.

Esse teria sido o momento para Varandas parar, reflectir e agir sem contemplações. Para mim, a solução seria manter Keizer com a ajuda de Bruno Fernandes a tomar conta da situação. Keizer já tinha dado provas de saber ultrapassar situações negativas, e preparar logo a mudança para realizar no momento adequado, que teria de passar por um treinador experiente e prestigiado com apetência para lidar com jovens, tipo Jesualdo Ferreira, e um director de futebol profissional e experiente do mercado, e já agora sem passado de "comissionista" ou de peão de brega dum ou doutro empresário. Promover Hugo Viana para as relações internacionais e substituir Beto por alguma figura mais interventiva no balneário e assertiva na comunicação. Ou seja, dalguma forma replicar para o futebol o modelo que existe nas modalidades com Miguel Albuquerque.

Nada disso fez. Despediu Keizer,  promoveu o treinador que estava a dar boa conta do recado nos sub-23, que aproveitou para inventar, mudar o modelo de jogo e coleccionar mais umas tantas derrotas, e depois devolvê-lo à procedência e ir ouvindo recusas até acabar num treinador sem curriculum, sem habilitações, sem experiência, com uma ideia de jogo completamente estranha ao clube e ao plantel, mas com uma grande vontade de deixar a sua marca. Ou seja, a pior escolha possível para o momento que o Sporting atravessava.

E o Sporting lá foi andando, perdendo e ganhando e quase sempre jogando mal com equipas pequenas na sua grande maioria, até ao mês de Janeiro, onde enfrentávamos de seguida três das melhores equipas portuguesas. E foram três derrotas, sem apelo nem agravo (talvez contra o Porto a coisa pudesse ter sido diferente). 

No final da terceira derrota tivemos uma demonstração a cores e ao vivo do estado anímico da equipa, com o jogador mais experiente e um dos melhores em campo a agredir uma óptima pessoa e ainda por cima produto de Alcochete. E mais uma vez as declarações infelizes de Beto e Silas, já que de Hugo Viana nunca se ouve uma palavra.

Sendo assim, parece realmente que o sucesso (ainda agora Varandas foi eleito como dirigente do ano pelo Grupo Stromp) lhes toldou o raciocínio e destruiram em seis meses tudo o que tinha custado muito a refazer. Onde e com quem é que já vimos isto?

 

2. Temos o pior plantel de sempre? 

Desde o treinador do Gil Vicente até muitos Sportinguistas, parece que descobriram que o plantel do Sporting não vale nada, se calhar apenas para esconder o facto de gostarem de Silas, é um Sportinguista e um gajo porreiro, mas não tem capacidade para o cargo que ocupa, e não consegue potenciar os valores do plantel. Ou então simplesmente para baterem no Varandas.

O Sporting tem realmente um plantel desequilibrado, com falta de quantidade de qualidade (apenas cinco jogadores diferenciados, Bruno Fernandes, Mathieu, Coates, Acuña e Vietto), um conjunto de jovens sub-21 de grande potencial ainda muito verdes (Max, Camacho, Plata, Doumbia, Wendel, Pedro Mendes, Jovane, Miguel Luís) e depois... alguns "pernas de pau" que comprometem o resultado dos jogos e o trabalho dos outros (Ilori à cabeça, mas há mais, infelizmente). Não tem um trinco em condições que proteja os centrais e permita o avanço menos arriscado dos laterais, não tem um defesa esquerdo em condições que permita adiantar Acuña, não tem um ponta de lança que faça esquecer Bas Dost (vamos ver o que fará Sporar). O que valeria este plantel se contasse (por exemplo) com Alex Teles, Danilo e Soares? 

De qualquer forma, e à data de hoje, para mim este plantel é o terceiro melhor português, inferior aos dois outros grandes, mas claramente superior aos restantes. Qual é o jogador do Braga que seria titular de caras no Sporting? Nenhum. O que não quer dizer que Palhinha, Esgaio e Wilson Eduardo não seriam bem-vindos, mas se calhar meia dúzia de jogos depois iríamos estar a criticá-los como acontecia quando cá estavam, e já andamos a criticar o Max ou o Pedro Mendes também.

Temos o terceiro maior orçamento, temos o terceiro melhor plantel, temos obrigação de ficar em terceiro lugar da Liga. Mas para isso convinha que tivéssemos o terceiro melhor treinador. Temos???

 

3. Vamos conseguir safar a temporada?

Vamos iniciar na próxima segunda-feira a segunda volta da Liga, contra o Marítimo que nos roubou dois pontos no Funchal. Iremos defrontar fora de casa os outros sete primeiros classificados da Liga.

Continuamos sem saber se o melhor jogador da Liga sai ou não, e se não sair com que moral vai ficar. O homem não é de ferro. 

Temos um treinador que já percebeu que não vai durar muito. Já existem nomes nos jornais para o substituir, e anda cada vez mais desorientado entre as suas ilusões de modelo de jogo "inteligente", e as tácticas estranhas (os três tristes trincos) para safar o resultado.

Depois temos o resto... presidente contestado e insultado, falta imensa de comunicação franca e directa com os sócios, claques a serem mais um adversário com que a equipa tem de lidar no estádio, muitos supostos adeptos apostados em destruir o clube para que das cinzas possa brotar um novo Sporting com muita bifana e pouco croquete à moda do Belenenses, ou então vir um Glazer qualquer tomar conta disto. Até o ex-presidente já percebeu isso.

 

Concluindo, isto não está famoso...

SL

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