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És a nossa Fé!

Dez reflexões sobre o Sporting

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1

Há um grave problema estrutural neste Sporting 2022/2023. Uma vez e outra, temos de recorrer em desespero a Coates como "ponta-de-lança" improvisado. Uma vez e outra, fica demonstrado que montar uma equipa que sonha ser campeã sem avançados goleadores é um erro lapidar. Imperdoável - e há responsabilidade directa do técnico disso - foi ter-se descurado a contratação de um artilheiro.

Equipa sem golos não vence jogos, não pontua, não ganha títulos. Balanço da temporada até agora: 18 jogos, oito vitórias, dois empates, oito derrotas. Golos marcados: 29. Golos sofridos: 24. Não há coincidências.

 

2

Existe agora a mania de justificar derrotas invocando orçamentos. Se isso servisse para alguma coisa, o Sporting teria a obrigação de golear o Varzim por 8-0 na Taça de Portugal - da qual fomos eliminados pela equipa poveira.

 

3

No final de Dezembro, quando for desmontada a tenda do Mundial do Catar e retomado o campeonato nacional de futebol, estaremos fora de combate. Sem Taça de Portugal, sem possibilidade de competir para sermos campeões. A lutar (espero) pelo segundo lugar da Liga. É voar baixinho. Coisa pouca, com a glória em parte incerta.

 

4

Nunca me recordo de uma época com tantos jogadores nossos lesionados. Na última semana, mais três: Morita, Nuno Santos e Ugarte. O que suscita sérias interrogações sobre o modo como é assegurada a gestão física dos futebolistas.

Se estes jogadores não têm pedalada para jogar pontualmente de três em três dias (mas os do Benfica, do FCP e até do Braga são sujeitos a igual pressão do calendário) é sinal que existem problemas ao nível da preparação física.

Nesta temporada cumprimos 18 jogos em três meses. Será motivo para ter metade da equipa rebentada? Será motivo para estarmos num humilhante sexto lugar à 11.ª jornada?

Tenham paciência, mas não faz o menor sentido.

 

5

Questiono-me se as "bolas paradas", ofensivas e defensivas, não fazem parte dos treinos leoninos. E se o mesmo acontece com os pontapés de meia-distância.

 

6

Na opinião de alguns, o Sporting está na segunda pior época de que há memória por causa dos árbitros, das claques, do mega-empresário Mendes e do seleccionador nacional de futebol. E também dos comentadores e dos jornalistas que escrevem nos mesmos diários a que dá jeito recorrer quando se pretende validar a tese de que «o Sporting é sempre roubado».

Culpas próprias? Jamais. Ou "jamé", como dizia o outro. 

 

7

Desde a exclusão de Slimani, em Abril, nunca mais o Sporting se endireitou. Muitos falam de Palhinha e Matheus Nunes, mas o grande problema para mim sempre foi lá na frente. Perdermos o artilheiro argelino causou mais danos do que a saída dos outros dois, que aliás geraram uma receita de cerca de 67 milhões de euros.

Convém não esquecer: Palhinha e Matheus Nunes já declararam publicamente que queriam jogar na Premier League. Sem deixar lugar a dúvidas. Faria algum sentido mantê-los em Alvalade contrariados? O que lucraria o Sporting com isso?

 

8

Alguns dos que agora tentam desviar as atenções invocando a saída daqueles dois jogadores como causa fundamental dos problemas são os mesmos que há um ano diziam que Ugarte era «claramente melhor» que Palhinha e criticavam Matheus por «querer a bola só para ele» e «empastelar» o nosso jogo a meio-campo.

É sempre assim. Entoam hinos aos jogadores do Sporting... apenas quando eles deixam de ser jogadores do Sporting.

 

9

Parece sina deste clube: quando há um pequeno ciclo de vitórias, logo é engolido por um longo ciclo de não-vitórias. Foi assim com os últimos presidentes vencedores - João Rocha (por três vezes), Roquette, Dias da Cunha. Está a ser assim também com Frederico Varandas.

 

10

Rúben Amorim tem cometido vários erros. A exclusão de Slimani, a obstinação em não contratar um ponta-de-lança alternativo a Paulinho, a reacção absurda à saída de Matheus Nunes como se isso o privasse dum salvador da pátria (algo que não deve ter dado moral nenhuma aos que ficaram), contínuas indirectas à estrutura directiva, a insistência em fazer alinhar Trincão de início para um lugar em que Edwards está muito mais qualificado, a confissão de que tem jogadores "preferidos" no plantel...

Precisa de adquirir alguma humildade. E de saber conviver com a pressão e as críticas.

Ser fiel às ideias é de aplaudir. Mas se as ideias não forem adequadas às necessidades impostas pelas circunstâncias, deve ter flexibilidade suficiente para se recriar, para se reciclar, para assimilar novas ideias, novos processos de jogo, novas dinâmicas.

Se me perguntarem quem prefiro como seu sucessor, responderei sem hesitar: Amorim deve substituir o próprio Amorim. Ou seja: o treinador do Sporting tem de reinventar-se. Corrigindo teimosias, atenuando obstinações, limando casmurrices.

Está em início de carreira, tudo lhe sorriu até agora, falta experimentar o outro lado - menos feliz e sorridente. Se estes problemas o ajudarem a crescer como profissional do futebol, um dia há-de olhar para eles com alguma gratidão. Possamos nós dizer o mesmo.

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