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És a nossa Fé!

Crónica de um descalabro anunciado?

Colossal_statue_of_Mars_-_Palazzo_Nuovo_-_Musei_Ca

(Pirro, representado como deus Marte)

 

Não há muito a dizer. Derrota em Guimarães, derrota em Tondela, empate em casa com o Porto, a jogar algo encolhido e o Porto a jogar o q.b. Depois um empate com um Braga superior e vitória nas grandes penalidades. E um empate com o Porto, idem. Dando uma aprazível vitória numa taça desprestigiada, feita para jogar com os suplentes mas agora motivo para exaurir plantéis curtos, no afã de (efectivamente) vãs vitórias. Foi uma vitória de Pirro, como é óbvio. Depois, um empate em Setúbal a jogar pessimamente (tal como em Tondela se tinha jogado mal). E ontem um descalabro (foi 4-2 mas podiam ter sido 6 ou 7). Será preciso recuar um quarto de século para encontrar desastre parecido em dérbis mas, ainda assim, o de então teve outros contornos qualitativos.

 

Nem vale a pena discutir aquilo de uma equipa (que vai jogando cada vez pior) estar a levar um banho de futebol, não conseguir criar algo, chegar ao intervalo e tirar o seu jogador mais esclarecido, Nani, e meter um avançado que tem sido uma constante desilusão, Diaby. Pormaior que demonstra um timoneiro à deriva. Não vale a pena porque é evidente que Keizer não serve para isto e tem que sair. O mais depressa possível. A responsabilidade é de quem o contratou? Em primeiro lugar, "quem não tem competência não se estabelece". E Keizer foi muito atrevido em aceitar um convite para vir treinar um grande clube num campeonato onde há muito mais saberes do que os que ele tem. Keizer pode ser simpático, ter um discurso contido e civilizado. Mas foi de uma falta de humildade enorme, a roçar a inconsciência. Não tem competências para o lugar que ocupa, aquilo do "princípio de Peter". E é ele o principal responsável por toda esta situação. 

 

Em segundo lugar Varandas. O Pedro Correia já me pediu para eu não adjectivar o presidente. Ok. Que fiquem explícitas duas coisas: a) desejo todos os sucessos possíveis ao presidente Varandas, seria a minha e nossa alegria; b) eu não gosto, nem uma pitada, de Varandas. O seu dístico presidencial "a cadeia de comando é sagrada" - entenda-se, nem na tropa o é - mostra uma concepção irracional das funções de dirigismo. Que ele vem demonstrando. No contexto em que emergiu a nova direcção teria que reforçar (renovar?) os alicerces e calafetar os rombos. E, se vier a ter possibilidade para isso, lá mais para a frente, tratar dos rodapés. Ao abdicar de Peseiro, que fizera exactamente isso no âmbito das suas funções, Varandas mostrou que aponta para um rumo contrário. Peseiro trancou a equipa para lhe conquistar alguma tranquilidade para cruzar esta época que seria sempre de contidas expectativas, Peseiro foi inteligente. Perdeu com o Portimonense? Sim, e depois? O Braga ganhou lá? O Benfica ganhou lá? Perdeu em casa com o Estoril para a taça da Liga com nove suplentes? E depois, a taça Lucílio Baptista é mesmo relevante? Ainda para mais num ano de difícil gestão do plantel?

 

Varandas fez o contrário, qual "anti-Peseiro". Fez um "all in". Poderia ter segurado a cautela experiente do treinador, por cinzento que ele seja, e tratado de reestruturar o clube - reforçando formação e prospecção, como todos auguram necessário. Mas não. Teve uma "fezada". Foi buscar um treinador sem currículo, agitou a marca Ajax para se justificar, convicto de que é um líder iluminado, capaz de trazer o que mais ninguém poderia antever. Deixemo-nos de coisas, nem a "escola Ajax" é invejável pelos clubes portugueses, nem Keizer é particularmente relevante nela, nem o futebol holandês ultrapassa o português. Isto é uma série de erros e falsidades. Advindos da falta de ponderação do aparentemente seráfico Varandas. Cujo afã de "marcar posição" causou este naufrágio, este descalabro anunciado. Fruto de uma errónea concepção de real, de administração. Iluminada, imponderada, incompetente.

 

Durante meses aqui eu, e outros, escrevemos convocando os membros da direcção de Bruno de Carvalho para que pusessem termo ao profundo desatino do clube. Não houve eco, como é sabido. Mas está na altura de convocar os membros da direcção do Sporting para que exerçam um poder colegial. Para que terminem este desvario futebolístico. E que fique explícito, não é Keizer que é Pirro, vestindo-se como o deus da guerra. É Varandas, na sua aparente fleuma britânica. Imaginem qual seria o conteúdo das críticas que faríamos a Bruno de Carvalho se dias antes de um Sporting-Benfica, sempre importante, tivesse vindo agitar as águas acusando o presidente do Benfica de malfeitorias e, como não quer a coisa, fosse dizendo da fragilidade do plantel do Sporting. E depois não só levasse 4-2 em casa como visse a sua equipa a anos-luz de qualidade de um Benfica que mudou de treinador e dispensou um punhado de jogadores, sem fazer contratações para os substituir. Foi exactamente isso que Varandas fez. Qual Marte vituperando o Benfica. E qual Bruno protestando a qualidade dos seus jogadores. Pode parecer "british". Mas é péssimo.

 

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