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És a nossa Fé!

Chuva, vento e erros: tudo em excesso

Rio Ave, 3 - Sporting, 3

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Pedro Gonçalves com ar desalentado após a marcação de um dos três golos da turma anfitriã

Foto: Manuel Fernando Araújo / Lusa

 

Houve muita chuva, muito vento, condições atmosféricas desfavoráveis à prática do futebol tecnicista a que o Sporting habituou os adeptos. Tivemos o pássaro na mão: estávamos a vencer 2-1 no tempo regulamentar, antes da pausa para intervalo. Com golos de Morten (9') e Gyökeres (44'). Mas deixámos voar dois pontos em Vila do Conde, frente a uma equipa aguerrida, que nem parece ocupar um modesto 15.º lugar na classificação deste campeonato.

Fizemos um jogo regular, mas abaixo do patamar médio.

Em circunstâncias normais, marcar três golos ao Rio Ave bastaria para virmos de lá com os três pontos. Ora isso foi insuficiente: chegou apenas para um empate. Primeiros dois pontos perdidos na Liga neste ano de 2024. Estamos agora com 56 - menos dois do que o Benfica, que lidera provisoriamente, sabendo-se que temos uma partida ainda por disputar.

Pontos perdidos por culpa própria? Sim, mas não só.

Acontece que o Rio Ave fez um jogo competente, acima do seu patamar médio. Não é novidade. Costuma portar-se assim com as chamadas equipas "grandes". Basta lembrar que impôs um empate ao FC Porto no Dragão e esteve empatado até ao minuto 58 na Luz, acabando por cair só após ter ficado reduzido a dez.

 

E houve também o árbitro, André Narciso: péssima actuação. Aos 29', ficou um penálti a nosso favor por marcar e um amarelo por exibir a Nóbrega, por entrada de sola sobre Trincão na pequena área. De tal maneira que o avançado leonino teve de sair, lesionado, poucos minutos depois. Faltou exibir também o amarelo ao central rioavista.

Falha grave. Mais lesiva ainda foi a validação do primeiro golo da turma anfitriã, precedido de falta sobre Pedro Gonçalves. Neste caso a responsabilidade maior é do vídeo-árbitro. António Nobre tinha a obrigação de ter visto, de ter assinalado, de ter alertado. Ou terá mesmo alertado e foi Narciso quem ignorou esse alerta?

Por estas e muitas outras, devem ser divulgadas as comunicações entre árbitro e VAR. Cada vez mais urgente. Para desfazer todas as dúvidas. Exige-se transparência no futebol, também aqui.

 

Em jeito de balanço deste desafio muito disputado e que manteve até ao fim o resultado em aberto, eis um facto inegável: houve inadmissíveis erros individuais da nossa parte. Dois dos mais experientes, Adán e Nuno Santos, cometeram penáltis tão infantis quanto desnecessários, acabando por lesar seriamente a equipa. O espanhol ainda teve sorte: foi poupado ao amarelo, que mereceu nesse lance.

Rúben Amorim também não sai isento de críticas. Causou perplexidade a ausência inicial de Eduardo Quaresma, que tão boas provas tem dado. Com ele em campo, na segunda parte, estivemos bem melhor no corredor direito, onde Diomande e Geny nunca combinaram. Era por ali que o Rio Ave carregava, numa ala que parecia um passador.

Aquele relvado, aquelas condições atmosféricas, impunham outro género de jogadores. Daniel Bragança ficou no banco - e compreendeu-se porquê. Não era jogo para ele. Edwards, idem. Mas entrou mesmo, devido à inesperada lesão de Trincão: com Paulinho ausente por lesão, não havia alternativa no banco.

O inglês tentou, mas sem conseguir. Como já se adivinhava.


Mas o pior em campo foi Adán. Uma vez mais. É tempo de dar titularidade a Franco Israel - se, de facto, o treinador acredita nele, algo que ainda não está bem esclarecido.

O Rio Ave (golos apontados aos 3', 45'+4 e 67') foi superior em largos períodos do jogo. Não se percebe como é que na segunda parte esivemos meia hora sem fazer um remate à baliza adversária. Não há vento nem chuva nem relva nem árbitro nem vídeo-árbitro que justifiquem tamanha insuficiência.

Tropeção consumado, agora importa olhar para diante. Já a pensar no desafio de quinta-feira, em nossa casa, frente ao Benfica, na meia-final da Taça de Portugal.

É para ganhar, claro.

 

Breve análise dos jogadores:

Adán - Aos 65', cometeu um penálti totalmente escusado: daí resultou o terceiro golo do Rio Ave. Desnorteado, deu outras fifias: numa delas só por milagre não foi golo. E ainda viu, impotente, uma bola embater no poste.

Diomande - Após ausência de dois meses, voltou a ser titular na Liga. Nota-se que está ainda preso de movimentos. Acorreu pouco às dobras a Geny, muito adiantado na ala direita. Melhorou depois, como central à esquerda.

Coates - Não estava a fazer uma das suas melhores exibições, acusando lentidão de processos. Mas redimiu-se como ponta-de-lança improvisado, na fase final: é dele o terceiro golo, de cabeça, aos 73'.

Gonçalo Inácio - No sector recuado, compete-lhe o maior protagonismo no capítulo dos passes longos, a iniciar lances ofensivos. Foi servindo Nuno Santos e Gyökeres. Mas teve de sair ao intervalo, com queixas físicas.

Geny - Terá sido da chuva? Terá sido do vento? A verdade é que passou por completo ao lado da partida, incapaz de fazer a diferença tanto a atacar como a defender. Não era jogo de feição para o moçambicano.

Morten - Cada vez mais influente, de jogo para jogo. Não apenas como pêndulo na posição de médio defensivo, a recuperar bolas, mas também a queimar linhas e a chegar-se à frente. Assim marcou o nosso golo inicial.

Morita - Um dos melhores em campo, naquele estilo de formiguinha, muito útil para o colectivo leonino. Basta dizer que teve participação em dois golos. Foi ele a centrar no primeiro e a assistir no terceiro.

Nuno Santos - Ganhou duelos no jeito reguila que o caracteriza. Contribuiu para o primeiro golo. Mas borrou a pintura ao cometer um penálti totalmente desnecessário. Não era dia auspicioso para ele, longe disso.

Trincão - Estava a ser um dos nossos melhores em campo e prometia não apenas outra boa exibição global mas até algum golo. Impossível: foi ceifado em penálti que ficou por assinalar. Forçado a sair aos 45', magoado.

Pedro Gonçalves - Em clima pouco propício às suas aptidões, sobretudo pelo vento forte, foi um dos menos inspirados. Destacou-se sobretudo por atirar a bola muito por cima da baliza, aos 27' e aos 90'.

Gyökeres - Foi à luta, suou a camisola, puxou os colegas para a frente. Como sempre. E, também como é hábito, marcou. O segundo golo. Já leva 30 marcados em toda a temporada. O melhor dos nossos.

Edwards - Rendeu Trincão aos 45'. Mas mal se deu pela presença dele em campo. Perdeu sucessivos duelos, abusou do individualismo, teve uma atitude passiva em contraste com alguns colegas. Um desperdício.

Eduardo Quaresma - Substituiu Gonçalo Inácio, actuando como central à direita durante toda a segunda parte. Consistente, concentrado, motivado. Visão de jogo, capacidade de passe. Merece ser titular de novo.

Matheus Reis - Em campo desde o minuto 61, substituindo Nuno Santos. Cumpriu sem brilhantismo quando se exigia dele algo mais. Ficou a sensação, como tantas vezes acontece, que poderia fazer melhor.

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