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Carriço: uma exclusão que ninguém entende

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Um dos maiores erros da gestão anterior à de Bruno de Carvalho foi a precipitada venda de Daniel Carriço, nosso capitão, por valores irrisórios e contra a aparente vontade do próprio jogador. Depois de ter  rejeitado a sua transferência para emblemas mais prestigiados do futebol europeu por números correspondentes ao valor deste profissional, fruto da formação leonina, a direcção de Godinho Lopes deu luz verde à saída, no último dia de 2012, por míseros 750 mil euros para o modesto Reading.

Não tardou que a agremiação inglesa o transferisse por sua vez para Sevilha, por mais de o dobro do que havia custado, comprovando como foi absurda a venda anterior. E Carriço tem brilhado na capital da Andaluzia, ao ponto de ter sido peça fundamental na conquista de três Ligas Europas consecutivas - proeza nunca antes alcançada por clube algum nesta competição.

 

A terceira vitória aconteceu ontem, numa emotiva partida frente ao Liverpool, com uma avassaladora segunda parte da equipa sevilhana, capaz de virar o 0-1 ao intervalo para o 3-1 final.

Vendo o desafio - e desde logo um corte acrobático de Carriço quase em cima da linha de baliza, impedindo um golo do Liverpool aos 10 minutos - fiquei a interrogar-me por que motivo Fernando Santos terá excluído da convocatória para o Europeu de França este central, que tem 27 anos. Na mesma convocatória em que figuram Ricardo Carvalho (já com 38 anos) e Bruno Alves (com 34 anos).

 

É uma exclusão que ninguém entende.

 

2 comentários

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    Pedro Correia 19.05.2016

    João, decidi escrever este texto precisamente ao minuto 10 da final de ontem.
    "Essencialmente um lance", escreves tu. Mas foi um lance crucial, que poderia ter ditado o destino do jogo. Ambos sabemos que os jogos decisivos decidem-se em lances como este.
    Para o bem e para o mal.

    Aquele lance acrobático levou-me a reflectir sobre o conservadorismo do seleccionador Fernando Santos, que parece privilegiar um conceito importado da tropa: "A antiguidade é um posto"
    Faria muito mais sentido levar o Carriço ao Euro 2016 do que o Bruno Alves, por exemplo. Um representa o passado, outro tem margem de progressão: pode representar o futuro. E talvez nunca o represente, de facto, se não apostarem nele a nível de selecção.
    Para mim não faz sentido deixar de fora sequer da pré-convocatória um jogador que se sagrou nos últimos três anos titular da equipa vencedora de três finais europeias.
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