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És a nossa Fé!

Caro Bruno de Carvalho

Não tenho a pretensão de que sabe o que por aqui escrevo, portanto não saberá certamente que o apoei incondicionalmente no cargo que ocupa, às vezes com prejuízo da minha própria sanidade mental (passe o exagero), tal os ataques de que fui alvo apenas por defender o seu mandato. Sim, a coisa foi gradual, ao princípio todos eram "brunistas" e ser brunista era cool, os ataques vieram quando começou a arrastar os móveis e a sacudir o pó e a colocar armadilhas para os murídeos que continuavam a deixar caganitas pelos gabinetes.

Não me esqueço que chegou ao clube numa altura em que não havia dinheiro para pagar a água;

Não me esqueço que chegou ao clube logo após a venda do capitão da equipa por 750 mil Euros (uma fortuna), para pagar ordenados e outras despesas correntes;

Não me esqueço que encontrou a SAD armadilhada com umas coisas chamadas VMOC's que poucos sabiam o que eram, mas que nos poderiam retirar o controlo do destino da sociedade;

Não me esqueço que sem dinheiro, tendo contratado um treinador ambicioso tal como V., jogando com alguns miúdos da formação, conseguiu um lugar na classificação perto daquilo que ambicionamos;

Não me esqueço da recuperação dos passes de quase todos os jogadores, que era transversal ao clube e à SAD, havendo passes de jogadores juniores hipotecados até;

Não me esqueço do aumento exponencial do número de sócios, que ultrapassa já os 170 mil, num claro apoio à sua gestão e entusiasmo pela dinâmica criada;

Não me esqueço do Pavilhão João Rocha!

Não me esqueço da média de quase 40 mil espectadores nos jogos em casa;

Não me esqueço das condições que foi dando aos treinadores que contratou, até ao nível do plantel do futebol profissional;

Não me esqueço que iniciou o futebol feminino, que tem sido totalista de vitórias;

Não me esqueço do regresso do vóleibol, e a conquista do título, passados tantos anos, 24 salvo erro;

Não me esqueço da conquista do título de andebol, o do ano passado e o deste ano;

Não me esqueço das conquistas europeias no atletismo, no hoquei, que fez regressar também, e no andebol e na natação e no judo e no goal ball;

Não me esqueço dos inúmeros títulos nacionais conseguidos nas mais variadas modalidades, do ténis de mesa, ao bilhar;

Não me esqueço das brilhantes negociações que conseguiu para a negociação da dívida. Por duas vezes!

Não me esqueço do lucro obtido, tanto no clube como na SAD;

Não me esqueço da "maluquice" das cláusulas de rescisão que todos gozaram, mas que todos seguiram;

Não me esqueço do recorde de vendas de passes de jogadores;

Não me esqueço da liderança quase hegemónica no Futsal masculino e o bom desempenho no feminino;

Não me esqueço da aposta firme e solidária no desporto adaptado, reconhecida internacionalmente;

Não me esqueço da transparência nas contas do clube e da SAD, publicadas regularmente no jornal "Sporting";

Não me esqueço da inauguração do canal de televisão "SportingTV";

Não me esqueço da luta que move contra a viciação de resultados, incluindo os dos combinados;

Não me esqueço que finalmente se joga num tapete de relva em Alvalade;

Não me esqueço da luta, vencida, pela inclusão do VAR nos jogos da Liga;

Não me esqueço da credibilidade internacionalmente grangeada pelo clube, na organização de fóruns de discussão do futebol;

Não me esqueço das repercursões dos seus actos de gestão, que o levaram a dar entrevistas a jornais de referência internacional, onde os seus congéneres nunca sonharam um dia colocar os pés;

Não me esqueço de que cumpriu quase na íntegra o programa do seu primeiro mandato;

Não me esqueço que não foi campeão em futebol. Não é V. que joga nem que treina, mas é quem dirige. Tem poucos títulos, mas ainda teria tempo de assistir à sua conquista.

Este é o balanço que faço do seu primeiro mandato, o actual está com um ano, é pouco para fazer balanços desportivos, mas o falhanço desta época que agora terminou é sua responsabilidade. Nas organizações, os louros são dos trabalhadores quando se alcançam objectivos e os espinhos são dos gestores, quando se não alcançam. Não custa nada assumir as responsabilidades, se se actua com rigor prosseguindo o bjectivo e não se consegue atingi-lo. É da vida e no desporto então, nada pode ser tido por adquirido, a não ser empenho e dedicação para atingir os fins e disso não o acuso.

Não foi a sua má comunicação, ao contrário do que dizem, que o levou ao falhanço. Mais facebook, menos facebook, o resultado seria o mesmo. Na minha modesta opinião, o seu falhanço como presidente foi ter-se rodeado mal e passo a explicar-lhe: É conveniente que numa equipa dirigente todos rumem para o mesmo lado, mas é de vital importância que haja contraditório e não estando por dentro da organização, é para mim um dado adquirido que não há na sua equipa (salvo talvez o "homem das contas") quem o contradiga e eventualmente o chame à razão numa ou outra atitude menos boa que possa ter. E teve, nenhum de nós é impoluto e isento da errar. É um facto que quem ganhou as eleições foi V., ninguém elegeria Carlos Vieira, António Rebelo, Rui Caeiro, Bruno Mascarenhas, José Quintela, Alexandre Godinho, Luís Roque, Luís Gestas e Luís Loureiro per si, eles foram na sua equipa, a que escolheu, é lógico que estejam consigo na maioria das decisões, mas não teria sido avisado ter na sua equipa, não um "inimigo", mas gente a quem se reconheça para além de sportinguismo, que é condição sine qua non para o exercício do cargo, vontade própria e que acrescente algo à sua gestão? Sim, Carlos Vieira poderá ter esses predicados, mas e os outros?

Não pense que me preocupo muito com a limpeza que levou a cabo (alguns chamam-lhe purga. Que seja), ela era necessária, incomoda-me é que prefira o unanimismo ao contraditório, disse-o aqui imensas vezes. Sim, é verdade que há gente no Sporting que se quer servir do clube e não o contrário, mas creia que a maioria, ainda que estivesse pontualmente em desacordo com algumas suas tomadas de posição, o apoiava e à sua gestão. Como disse, estou-me borrifando para os seus posts no facebook, creio ter lido neste tempo todo um ou dois e ao contrário de alguns, não creio que fossem eles a causa do mal-estar entre si e a equipa. Sei do seu desejo enorme de ganhar e do entusiasmo que coloca no objectivo, considero isso uma virtude, no entanto há limites que o bom senso obriga a que não se ultrapassem, ainda que estejamos carregados de razão. Engolir sapos, já ouviu falar certamente. Na minha modesta opinião, foi o que lhe faltou, sabe? Eu, e outros que pelas redes sociais famos escrevendo coisas, podemos dar na "corneta" aos jogadores, ao treinador, seja o que for, que será sempre entendido como um desabafo de um sócio ou adepto, fodido com um resultado menos bom. V. é presidente do clube e da SAD, tem que medir as palavras e os actos e, lamento dizer-lhe, por vezes excedeu-se. Isso retira algum mérito ao balanço que fiz lá atrás? Nenhum! O seu legado está marcado, ninguém o pode riscar.

Posto isto, ao que quero chegar é que, apesar do ponto de vista da gestão do clube e da SAD ter uma opinião muito positiva do seu mandato, do ponto de vista desportivo, apesar dos inúmeros títulos conquistados, falta-lhe aquele que faz mover as massas, o futebol. E é aqui que a contestação ao seu consulado, por parte de alguns sectores do clube, creio que apesar de tudo minoritários ainda, cresce e mina a sua gestão. Não lhe perdoam a renovação do contrato com o treinador, ainda que agora (antes desta tragédia) perante o boato da sua demissão sejam todos Jorges Jesus. Eu não sou Jorge Jesus, mas achei mal a renovação do contrato e apoio os esforços que fizer, se ainda for presidente, para a sua saída.

Neste momento, creio não haver condições para a sua continuidade como presidente do Sporting. Não porque considere que os acontecimentos que a todos nos envergonham sejam sua responsabilidade ou sequer instigados por si, mas porque considero que continuar como presidente do Sporting será prejudicial para si e para o clube. 

A minha cordialidade obrigou-me a explicar porque penso hoje o que penso. Não ouso chamar-lhe louco, maníaco, coreano e demais epítetos que só e apenas rebaixam quem os profere. Digo-lhe com a maior cordialidade que, para sua protecção pessoal e da sua saúde, repense a sua posição e saia.

E não se recandidate, não por si, mas para evitar uma guerra fraticida que inevitavelmente aconteceria se tal se verificasse. Pelo Sporting, portanto, se o ama como eu.

 

Cumprimentos 

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