Bruno tem toda a razão. Basta lembrar qual foi a verba envolvida na transferência de Luís Figo do Barcelona para o Real Madrid: 60 milhões de euros. Nesse mesmo ano (2000), Figo - um dos mais talentosos jogadores saídos desde sempre da formação leonina - viria a ser galardoado com a Bola de Ouro.
Basta esta comparação para se perceber o impacto financeiro da transferência de Bruno para o Manchester United - a maior venda de sempre de um jogador na história do Sporting Clube de Portugal, superando o anterior recorde, registado na saída de João Mário, ocorrida três anos e cinco meses antes.
Reitero, portanto, o que aqui escrevi há dois dias: foi não apenas o melhor negócio possível para o Sporting mas o melhor negócio registado este ano, até agora, ao nível do futebol europeu e provavelmente demorará a ser superado, dadas as circunstâncias que bem sabemos. Saiu pelo melhor preço na altura certa. Mês e meio depois já não aconteceria. E ele estaria agora a desvalorizar-se dia a dia, semana após semana, fechado em casa.
Embora perceba as razões que possam levar alguém a considerar também “repugnantes” as suas opiniões, importa acrescentar que julgo esse adjectivo impróprio para qualificar pontos de vista contrários, ainda que errados e deturpados pela parcialidade, como os que você próprio publica neste blogue ou considera publicados por outros. Aliás, relativamente à transferência de Bruno Fernandes, cabe-me expressar a minha concordância genérica com a sua avaliação do negócio, cujo mérito económico se torna ainda mais notório nas circunstâncias actuais. Tendo em consideração que assumiu o princípio de rectificar os erros que cometa a partir do momento em que se aperceba do seu equívoco, peço-lhe, para respeito da tal fronteira entre a honestidade e a desonestidade intelectual, que reconsidere os termos da resposta por si dada à “pergunta mais fácil”, que se apresenta objectivamente incompleta. Estou certo de que saberá fazê-lo, evitando a permanência no texto publicado de uma embaraçosa necessidade de correcção.
Pedro Correia: Agradeço-lhe a preocupação, que é supérflua porque não consumo amêndoas da Páscoa. Aliás, recomendo-lhe que se preocupe em evitar o abuso – não das amêndoas –, mas do crédito de terceiros, sendo conveniente que evite o incumprimento prático dos bonitos princípios ético-morais de que se arroga quando julga a compostura alheia ou produz doutrina sobre a honestidade e a desonestidade intelectual. Endereço-lhe sinceros votos de Páscoa Feliz.