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És a nossa Fé!

Brazil I used to know

O Brasil adquiriu o estatuto de selecção do mundo nos anos 60: toda a gente queria que o Brasil ganhasse porque toda a gente adorava ver o Brasil jogar. Diz quem viu (não é, infeliz ou felizmente, o meu caso) em 1958 e 1962 que nunca se tinha visto nada assim: as imagens da selecção de 1970, apesar de nem sempre serem de boa qualidade, deixam perceber o que se terá passado nos doze anos anteriores.

 

Nos anos 70, os europeus aprenderam a lidar com os brasileiros, sobretudo graças ao "futebol total" holandês (vale a pena ver aqui o bailinho de habilidade holandês ao Brasil de 1974, que antecipava já os de agora, com um misto de futebol e râguebi: https://www.youtube.com/watch?v=ZTs2iwMqVMg). Nos anos 80, os brasileiros reapareceram com um futebol lindo (que eu tive o privilégio de ver), que se imaginava ir escavacar tudo como antes o de Garrincha, Pelé, Jairzinho, Tostão, Rivelino, etc. E no entanto, nunca conseguiram chegar sequer a uma meia-final (tanto em 1982 como em 1986). Foi um trauma de que nunca mais se libertaram. Desde então, o futebol brasileiro é invariavelmente horrível, com gradações: desde o muito horrível (1994) até ao moderadamente horrível (2002). Mas sempre bastante eficiente.

 

O Brasil tem toda a legitimidade para jogar feio, porco e mau. Quem somos nós para pedir que façam outra coisa, se esta até tem resultado? O que já não percebo é a sistemática bajulação do futebol do Brasil por tudo o que é fã incauto e jornalista. Não percebo o desejo parolo de que o Brasil ganhe. Isto é muito simples, meus amigos: o Brasil já não joga "bonito" vai quase para 30 anos. Já está na altura de perder o tal estatuto de selecção do mundo que toda a gente adora. Agora é simplesmente a selecção do Brasil, que joga feio, ganha e acabou.

 

O choradinho por estes dias é o Neymar. Foi uma falta incrível do jogador da Colômbia. Mas o Brasil fez a cama em que se deitou: antes de chegar essa falta, o meio-campo e a defesa do Brasil andaram a distribuir porrada por tudo o que era jogador da Colômbia (o mesmo já tinha acontecido, aliás, com o Chile, mas o Chile joga doutra maneira) com a geral complacência do árbitro. Se o árbitro os tivesse parado mais cedo, não só o jogo seria bem diferente como talvez ainda tivessem o Neymar.

 

Enfim, foi um desabafo enquanto faço horas para começar o Brasil-Alemanha. Não consigo torcer pelo Brasil, não consigo torcer pela Alemanha. Preferia que o outro jogo fosse a final.

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