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És a nossa Fé!

Bélgica-França: Allez Diables Rouges!!

Coupe-du-monde-2018-l-analyse-tactique-de-la-Belgi

Já antes o disse, estou a torcer pela Bélgica. Razões de família, que a minha filha lá cresce e gosta. Razões minhas, que amiúde tenho visitado o país, aprazível (e com um toque, malgré tout, da querida África do Sul, coisa arquitectónica lá na área flamenga), e para o qual emigrarei antes das eleições sportinguistas. E também por agora torcer por uma final de inéditos, uma Bélgica-Croácia, que seria uma delícia.

 

Mas torço pela Bélgica fundamentalmente pela equipa, seus magníficos jogadores e pelo belo enquadramento táctico - Martinez, o treinador deste mundial, mostra que a era do ferrolho acabou. Outros postais poderão ser postos a propósito disto, até reflectindo sobre o futuro da nossa selecção, mas neste elogio à Bélgica em dia de meia-final, ainda por cima contra os arrogantes franceses, cuja derrota (excepto se contra a Alemanha) sempre desejo, não poderei botar melhor do que o Pedro Azevedo, nos comentários àquele meu postal pró-belga. Por isso aqui coloco o texto do seu belo comentário, forma de gritar "Allez Diables Rouges":

 

"Creio que a vitória da Bélgica seria a vitória do futebol no seu estado mais puro e, como tal, deverá ser evitada a todo o custo pelos treinadores da actualidade.


O futebol hoje é um exercício tremendamente burocrático. Toda a gente quer jogar à Guardiola, mesmo sem os jogadores que tem Guardiola. É a táctica da serpente: um passa-repassa insuportável que vai adormecendo e/ou hipnotizando o adversário até que este se desposiciona e abre um espaço. O futebol deixou de ser futebol. Hoje em dia é mais andebol - com basculação, lenta para que não desequilibre quem tem a posse (e assim nunca desequilibra, também, o adversário), para a esquerda e para a direita - ou xadrez, um jogo mental. 


Os treinadores actuais têm uma visão do jogo que, primeiramente, consiste em tudo fazer para não perder. Tudo assenta numa defesa compacta. Quem pense o jogo a partir do ataque é logo visto por eminências como o Luís Freitas Lobo como um romântico, coitado. Como se o romantismo fosse algo mau, ingénuo, inaceitável. Como se o futebol não fosse, desde a sua génese, um jogo de emoções e não tivesse um só objectivo, o golo, "goal", a meta. 

O espectáculo televisivo futebolístico hoje assemelha-se a um "reality show" com epicentro numa qualquer repartição pública. Ganha-se pouco e ninguém quer ousar, não vá perder o emprego. O adepto deve contentar-se apenas e só com a vitória final, da mesma forma realista e resultadista como se encara a vida nos dias de hoje. Os meios empregues interessam pouco, o resultado sim. Por tudo isto, equipas como a belga merecem ser valorizadas. Ela corre o risco de se desequilibrar ao tentar desequilibrar o adversário. Nela há espaço para "brasileiros" como Hazard (perigo em francês) e para defesas que atacam, como Vertonghen, Chadli ou Menier, para aceleradores como De Bruyne, artífices como Mertens, mas também para arrombadores de portas como Lukaku ou dominadores do espaço aéreo como Fellaini, todos superiormente treinados por Roberto Martinez, o qual mudou o jogo Bélgica-Japão a partir do banco. Um treinador sempre desvalorizado pelos nossos "experts" do comentário. 

Assim, pese embora tenha avançado logo no início com a vaticínio no "dark horse" Inglaterra e veja a França como a equipa que joga o futebol mais equilibrado, gostaria que os Diabos Vermelhos vencessem. Seria bom porque obrigaria toda uma nova geração de treinadores saída das universidades a repensar o jogo."

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