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És a nossa Fé!

As confissões de um pobre diabo

"Estou a acabar a minha carreira, não quero chatices", este desabafo de Olegário foi publicado ao mesmo tempo que tivemos notícia dos males na espinha tão excruciantes que o impediram de arbitrar o Sporting-fequêpê.

O remoque é sensacional, porque à uma revela a mentalidade funcionária do indivíduo e, à outra, augura o pior para Domingo.

Qualquer artista, até um destes que assopram apitos no futebol português, ambiciona uma despedida em grande quando vê chegada a sua hora. Mas o caixeiro de seguros da região de Leiria, recebendo a oportunidade de um apoteótico adeus e de nos imprimir para sempre na memória a excelência da sua carreira arbitral, o que disse à possibilidade de abrilhantar o jogo mais importante do fêquêpê desta temporada? Resmungou um "tá quieto ó mau, vou mas é meter baixa!"

Que o Olegário é lerdo já o sabíamos empiricamente, relembrando o seu registo de torpezas, mas na sua simplicidade, acabou por nos revelar a impostura que estão a montar para o próximo Sporting-fêquêpê - uma cilada onde nem ele se quer meter.

Sai Olegário, entra o oleoso. Petulante e abrilhantinado, Proença não teme a encomenda. Tê-la-á mesmo entendido como um elogio à sua contumaz esperteza, capaz de traficar um resultado só com a sofística do apito. Porque isto não é preciso inventar penalties ou livres à entrada na área, ou até anular golos, assim à bruta como a besta do Santos de Setúbal; ná, o serviço faz-se de fininho e com um sorriso de galã das dúzias para a televisão. Que a espinha dobrada de Proença não lhe afecta o estômago nem os nervos, tem-se visto com frequência igual àquela com que ele espalha icterícia numa das equipas - verde e amarelo dá azul, a cor predilecta dele. A cobri-lo estará o coro de vestais comentativas, oferecendo-lhe o constante benefício da dúvida e discutindo a intensidade das caneladas e dos tropeções, sempre a favor do Proença. Porque nisto acham eles que o melhor é ser como Voltaire no leito de morte, o qual retorquiu aos rogos do padre para que abjurasse o demónio: "Meu caro, não é o momento de fazer novos inimigos."

O que hoje se sabe é que o fêquepê não pode, nem por nada, perder este jogo. Logo veremos, e no Domingo lá estarei, embora ainda hesitante se vou ver futebol, ou circo, com bichos da selva, funâmbulos, prestidigitadores e palhaços em campo.

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