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És a nossa Fé!

Armas e viscondes assinalados: Reviravolta baseada numa lógica de “contra trintão, trintão e meio“

Sporting 2 - Portimonense 1

Liga NOS - 20.ª Jornada

9 de Fevereiro de 2020

 

Luís Maximiano (3,5)

Voltou a mostrar-se à altura das ocorrências, e mesmo no golo do Portimonense quase conseguiu desviar para fora da baliza o remate do trintão colombiano Jackson Martínez, apenas um dos vários elementos do plantel do penúltimo classificado que lutariam pela titularidade no Sporting. Minutos depois impediu o 0-2 que transformaria Alvalade num cenário de livro de Dante, e na segunda parte aplicou-se com denodo à neutralização dos tão fugazes quanto perigosos contra-ataques da equipa visitante. Se melhorar no jogo de pés talvez possam deixar de “soprar” notícias sobre a aquisição de guardiões veteranos estrangeiros livres do apelido Viviano.

 

Ristovski (2,5)

Aproveitou o 3-5-2 com que Silas dispôs a equipa perante o an-te-pe-núl-ti-mo classificado da Liga NOS, sabendo que a vitória garantiria o regresso ao lugar do pódio que, parafraseando um génio incompreendido do futebol português, é “muito bom para a situação actual do Sporting”. Muito subido na ala direito, tirou partido da velocidade e de uma atitude competitiva mais apropriada a outros tempos, só que... não combinou particularmente bem com os colegas, não centrou por aí além e em nada contribuiu para sossegar os ânimos de um estádio só ligeiramente mais composto e menos amorfo do que na última jornada em casa. Manteve-se em campo até ao fim, sem brilhar, mas con a vontade de fazer qualquer coisa intacta. Prova de que a sorte nem sempre protege os audazes foi a falta de direcção do seu remate de longa distância.

 

Coates (3,0)

Uma ou outra fífia sem consequências de maior impede melhor avaliação do melhor capitão que o Sporting tinha naquele estádio, e não necessariamente só no relvado. Talvez chegue o dia em que voltará a manter as redes imaculadas, mas por enquanto vai fazendo o que está ao seu alcance. Já não é pouco.

 

Neto (2,5)

Regressado à titularidade à boleia do novo amor de Silas pelo 3-5-2, procurou cumprir com o sistema táctico mas não conseguiu evitar que Jackson Martínez passasse pela sua área de jurisdição com manifesta e concretizada intenção de inaugurar o marcador. O castigo não se fez esperar: foi sacrificado ao intervalo, quando Silas trocou o 3-5-2 por mais um dos ETNI (esquema táctico não identificado) que nos últimos tempos têm sido avistados a pairar sobre Alvalade.

 

Mathieu (4,0)

Permitiu que o estádio fizesse uma viagem do tempo para temporadas que parecem extremamente distantes e tristemente irrepetíveis ao marcar aquele exemplar livre directo que relançou a equipa para a reviravolta. Exemplo máximo de inteligência, brio e vontade, o trintão francês empurrou o Sporting para a sua melhor versão possível, sendo tão acutilante a defender como criterioso a construir. Vê-lo cair no relvado, confirmando-se mais tarde uma lesão que o afastará até Março, levou a que todos os sportinguistas falhassem uma batida cardíaca. E tornou mais provável que a gestão de Frederico Varandas possa igualar ou superar mais um dos recordes dos tempos de Godinho Lopes.

 

Acuña (3,0)

Mesmo um todo-o-terreno como o polivalente argentino, decerto capaz de fazer boa figura caso lhe fosse substituir Harry Potter naquele jogo esquisito, sentiu notórias dificuldades de adaptação ao mais recente arrumo de Silas. Melhorou bastante na segunda parte, ao ponto de ficar ligado ao resultado positivo de uma coligação negativa de más ideias de jogo. Quis o acaso que estivesse na ala direita e capacitado para fazer o belo cruzamento para Jovane Cabral que deu origem ao autogolo que selou a reviravolta.

 

Battaglia (2,5)

Ficou perto de inaugurar o marcador, cabeceando pouco acima do poste na sequência de um canto, mas a sua principal missão era conter veleidades do contra-ataque do penúltimo classificado da Liga NOS. Cumpriu de forma tão incompleta quanto o resultado final permite concluir e, ainda que tenha um domínio de bola e inteligência táctica que aconselham a sua titularidade, mantém um défice de ritmo que torna a intenção de fazer regressar João Palhinha a melhor notícia que se consegue retirar das mais de dez páginas de amena entrevista de Frederico Varandas ao “Record”. Isso e, claro está, não haver qualquer referência a um regresso de David “justificativo de dois milhões a menos nos cofres” Wang, claro está.

 

Wendel (3,0)

Exasperou as bancadas com a atitude displicente na primeira parte, parecendo não raras vezes um daqueles empregados de escritório cuja única função assenta no transporte de copos de café. Melhorou bastante depois do intervalo e não raras vezes assumiu a batuta quando era preciso, até porque o maestro titular foi ver que tal se está no Brexit. Tem é de perceber que, não obstante pertencer à selecção olímpica brasileira, vencer continua a ser mais importante do que competir.

 

Rafael Camacho (2,0)

Ao contrário de Joaquin Phoenix, premiado com o Óscar de Melhor

Ator, o jovem extremo não convence  enquanto “joker”. Falta-lhe objectividade na hora do passe e do remate, e até alguma necessária  matreirice para ludibriar os adversários para entrar na grande área alheia.

 

Vietto (2,5)

Uma equipa como o Sporting dos nossos tempos não pode desperdiçar um recurso tão escasso quanto oportunidades claras de golo. Torna-se por isso preocupante que ninguém tenha ficado demasiado espantado quando o argentino permitiu a defesa do guarda-redes nipónico do Portimonense ao ser desmarcado por Sporar. Ficou perto de marcar num livre directo, mas não é Mathieu quem quer e sim quem pode. O que não impede que o amarelo recebido, e a consequente ausência na visita ao Rio Ave, sejam mais uma dor de cabeça.

 

Sporar (2,5)

Manteve a seca apenas porque um adversário teve má vontade suficiente para preferir fazer autogolo em vez de deixar o esloveno aproveitar a assistência perfeita de Jovane Cabral. Antes já tinha servido Vietto de forma tão perfeita quanto imperfeito foi o remate. Tarda apenas a fazer aquilo que justifica a presença de pontas de lança nos onzes.

 

Jovane Cabral (3,0)

Entrou ao intervalo e contribuiu, no seu jeito algo desengonçado, para dar a ignição à alteração táctica promovida por Silas. Apesar de um remate calamitoso não servir de bom cartão de visitas, a assistência para o autogolo que rendeu três pontos ao Sporting constitui uma retoma ao estatuto de “salvador da pátria”.

 

Gonzalo Plata (3,0)

É possível que seja mesmo um diamante por lapidar, sendo inegável que ninguém lhe pode apontar falta de coragem na hora do um contra um. Cada minuto que tem no relvado, ao invés do digno Bolasie e do inexplicável Jesé, é um oásis na péssima condução do futebol profissional leonino.

 

Idrissa Doumbia (2,0)

Regressou à equipa para colmatar a lesão de Mathieu, ainda que tenha sido Battaglia a juntar-se mais a Coates na cada vez mais caleidoscópica linha defensiva. Cumpriu sem deslumbrar, como é seu hábito nos dias bons.

 

Silas (2,5)

É mesmo necessário reconhecer-lhe mérito por desfazer os seus equívocos ao intervalo? Aproveitar jovens extremos que estão entre os raros projectos de futuro (sendo Maximiano já o presente) no plantel principal deveria ser mais evidente do que anda a ser para um treinador que ficou enfeitiçado pelos três centrais, mas não se lembrou que tinha um lateral-esquerdo com rotina de central no banco na hora de substituir o lesionado Mathieu. Formar um onze sem o francês, sem o castigado Vietto e sem o lesionado Acuña para conseguir um primeiro triunfo (ou um primeiro empate) ao terceiro jogo da época com o Rio Ave será um desafio interessante de seguir.

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