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És a nossa Fé!

Aprender com quem sabe

Estes são dias em que as transmissões diárias dos desafios do Campeonato da Europa permitem separar o trigo do joio. Ficamos a saber quem é que, no enxame de comentadores e "analistas" dos jogos, entende mesmo de futebol e quem não percebe patavina.

Neste segundo lote destaca-se aquele que é talvez o palrador máximo da pantalha. Fala na proporção inversa do que sabe. Ainda há dias, como se estivesse numa conversa de café, declarava que o problema da selecção nacional é "eles correrem pouco". E concluía, contemplando a própria imagem num monitor de estúdio e repetindo sempre cada frase para preencher tempo de antena: "Deviam correr mais, deviam correr mais..."

 

Entre os que percebem realmente de futebol destaco alguém que não costuma pavonear-se nas televisões. Refiro-me a José Ribeiro, editor-chefe do jornal Record. Na edição de hoje, este jornalista explica de forma consistente e credível por que motivo jogadores como João Mário e William Carvalho renderam muito mais na segunda parte do Portugal-Hungria do que na primeira.

Passo a citar, com a devida vénia:

«William transformou-se, durante a primeira parte, na segunda "vítima" de Moutinho (a primeira fora Danilo): como o médio do Mónaco não está a conseguir ser dinâmico, "esconde-se" em espaços muito recuados, originando redundância de posicionamentos e funções na primeira fase de construção. Portugal voltou a ressentir-se desse problema. (...) Há um jogo com Renato que, neste momento, nunca pode existir com Moutinho. [No segundo tempo] o jogo da selecção transformou-se. O corredor central passou a ter vida e dinâmica. João Mário cresceu para os patamares habituais, de craque. E finalmente viu-se uma equipa com argumentos para poder discutir resultados. Com William vigilante, a cobrir-lhe as costas, este duo dinâmico foi capaz de "queimar" linhas e levar a bola para a zona de finalização. Não foi por coincidência, foi pela acção directa de Renato. E mesmo "sem" André Gomes em campo, aqueles dois carregaram o jogo e levaram a bola para onde ela tinha de estar. Onde ela não chegava com Moutinho.»

 

Palavras de um atento e sábio leitor do jogo. Com ele é possível aprendermos alguma coisa. Com o outro, o tal que adora mirar-se no monitor, ninguém aprende nada.

3 comentários

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    Pedro Correia 24.06.2016

    Renato, até pela idade e inexperiência internacional, não pode ser lançado de qualquer maneira. Falta-lhe visão de jogo, cultura táctica e capacidade de dosear o esforço, que é imenso no futebol a este nível.
    Isto são dados que me parecem inquestionáveis, sem beliscar as qualidades de voluntarismo e o instinto atacante que manifestamente tem.
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    Valdemar 24.06.2016

    Renato é jovem. Toda a gente, até os acérrimos defensores encarnados não o podem negar.

    Se admitimos isso, temos que admitir que não tem todas as faculdades desenvolvidas. A nível de passe, de posicionamento, etc.

    Tem voluntarismo e físico.

    Isso chega para suplantar o valor de Moutinho neste momento. Talvez até de André Gomes, que está em baixo de forma.

    Porém, é uma carga sobre os seus colegas de sector. William Carvalho, João Mário, Cristiano Ronaldo, Nani, Quaresma, que têm, nas suas jogadas que prever as falhas próprias da inexperiência do Renato. Então jogam contra os adversários e contra o Renato.

    A diferença que seria para um Adrien, rotinado, experiente. A jogar de olhos fechados no meio campo da selecção, com colegas com quem fez a maior parte da formação no Sporting e nas sucessivas selecções jovens...

    Renato poderá revolucionar o jogo em determinados momentos.

    Recordo a jogada contra a Inglaterra, em que, com toda a gente a integrar uma espécie de muralha defensiva, este pega na bola, sofre a pressão física de um inglês, a endossa a quem sabe mais, Quaresma, que saca dali uma jogada de muito perigo para a baliza dos "Brexits"...

    Noutros momentos, na maioria, Renato, por não ter ainda experiência no posicionamento ou habilidade no passe, é um estorvo à equipa num futebol de posse, natural na selecção portuguesa.
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